NO MÊS DE MAIO DE 1968

Imagem: Marco Buti, Via

Por PAULO EDUARDO ARANTES*

Reflexões sobre os significados dos acontecimentos de 1968.

No Brasil

Acompanhei os acontecimentos de Maio de 1968 na condição de jovem professor de filosofia na faculdade da rua Maria Antônia. Aliás estreante, maio desabou no meu primeiro semestre de magistério. Me apanhou, portanto, de surpresa, ainda inseguro no exercício do novo ofício, morrendo de medo de não estar à altura da confiança dos meus maiores. Contestação naquele clima escolar de acatamento, nem pensar, só mesmo por inércia ou mimetismo. Aliás, contestar o quê? Mesmo as “lideranças”, como se dizia, do movimento por uma Universidade crítica, choviam um pouco no molhado.

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ENTENDA O “FIM” DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL E AS CONSEQUÊNCIAS DO 13 DE MAIO DE 1888

Por Tayguara Ribeiro

Há 133 anos, Lei Áurea oficializou abolição, mas não criou mecanismos de inserção dos ex-escravos na sociedade; movimento negro critica a data

Em 13 de maio de 1888, há 133 anos, o Brasil oficializava o fim da escravidão no país, com a assinatura da Lei Áurea. A data, entretanto, não é celebrada pelo movimento negro. Um dos motivos alegados é que, apesar da lei, a situação dos que se tornaram ex-escravos quase nada mudou à época.

O governo brasileiro, seja o então Império, seja a República proclamada no ano seguinte, não realizou projetos de inserção dos ex-escravos na sociedade, tampouco indenizou-os após gerações permanecerem escravizadas por mais de 300 anos.

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EM BUSCA DE RESPOSTAS

O filme: Raimund Gregorius, um professor suíço, salva uma mulher portuguesa que se preparava para pular de uma ponte em Berna, na Suíça. Repentinamente, a mulher desaparece, deixando seu casaco para trás. No bolso de sua roupa esquecida, ele encontra um livro de um autor português, Amadeu do Prado, e um bilhete de trem para Lisboa com data desse mesmo dia. Ele resolve, então, sair de sua rotina e embarca em uma emocionante aventura, que o levará a uma jornada ao seu próprio coração. (Wikipédia)

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OS FILHOS DE PORTEIROS QUE CHEGARAM À UNIVERSIDADE TÊM ORGULHO QUE O MINISTRO PAULO GUEDES IGNORA

Danilo, Ricardo, Heloisa, Gabriela, Luiz, Thais e Cristiane: todos filhos orgulhosos de porteiros que conseguiram cursar uma faculdade.

Jovens de baixa renda se beneficiaram de programas de inclusão recentes para estudar. O ministro da Economia, de elite abastada, também foi bolsista do CNPq. Seu comentário sobre o filho do seu porteiro feriu brasileiros que têm no Prouni a única janela para mudar seu destino

Por Gil Alessi e Regiani Oliveira /m El País Brasil

“Tu se acha melhor que todo mundo. Que tu é superior a todo mundo”, diz a personagem Val, uma empregada doméstica interpretada por Regina Casé no filme Que horas ela volta? (2015). Jéssica (Camila Vardilla), sua filha que resolve prestar vestibular, então responde: “Eu não me acho melhor não, Val. Só não me acho pior”. A personagem Jéssica se tornou símbolo de uma geração de jovens brasileiros de origem pobre que nos últimos anos correu atrás de um sonho: ingressar em um curso universitário. Políticas sociais na área da educação, elaboradas para reverter um quadro secular de exclusão e desigualdade, contribuíram para facilitar o acesso de filhos de pretos e pobres a espaços até então reservados para uma elite branca.

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