NÃO SÓ OMO LAVA MAIS BRANCO

O que repugno no discurso de Fernández é essa empáfia de achar que descender de europeu é prova de requinte humano. Na foto, o primeiro ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o presidente argentino, Alberto Fernández. (Casa Rosada)

Por Frei Betto

Também o diversionismo ideológico. Alberto Fernández, presidente da Argentina, declarou em diálogo com Pedro Sánchez, premiê da Espanha: “os mexicanos saíram dos índios; os brasileiros saíram da selva; mas nós, argentinos, chegamos dos barcos – barcos que vinham da Europa”.

Há brasileiros que se sentiram ofendidos. Não é o meu caso. Fernández tem razão, viemos da selva e da senzala. Foi o que constatou o Projeto Genoma 2000 ao pesquisar o DNA predominante dos brasileiros. Sinto-me honrado ao saber que descendo de duas etnias oprimidas por nossos colonizadores. E altamente civilizadas.

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COMO ESSE GOVERNO ENXERGA OS POBRES

Por Cristina Serra / Guedes e o ódio aos pobres

As políticas excludentes e de base eugenista da dupla Bolsonaro-Guedes também compõem a causa mortis desses brasileiros

Paulo Guedes não falha. Sempre oferece variações sobre o mesmo tema, qual seja, sua aversão às pessoas pobres. Mas, agora, ele se superou. Disse que as sobras e os excessos dos almoços da classe média e dos restaurantes podem ser utilizados para alimentar mendigos e desamparados.

Ele enunciou tamanho absurdo sem corar, muito à vontade, sabendo que expressa ponto de vista de setor bastante representativo da sociedade brasileira, do qual é porta-voz. É a mesma visão de mundo por trás da famigerada “farinata”, ração feita com produtos próximos da data de vencimento e que o então prefeito João Doria tentou oferecer a famílias carentes.

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MORTE E VIDA DA PEQUENA EMPRESA NO PÓS-PANDEMIA

Gigantes do varejo monopolizam como nunca as vendas e arruinam milhões de empreendedores. Mas cresce tendência oposta: o consumo consciente e local, oportunidade para recuperar economia, caso haja políticas públicas robustas…

Do Outras Palavras

Não há mais dúvida que o mundo mudou radicalmente nos últimos dois anos.

A pandemia, o medo do contágio e a consequente necessidade de distanciamento social aceleraram dramaticamente os processos de automação que estavam em curso inicial ou em gestação.

Pequenas indústrias, empresas de serviço e comércio tiveram que rapidamente se adaptar para não fechar as portas.

A explosão dos Market Places

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A SIMPLICIDADE DO POETA PARAIBANO

Há 94 anos, em 16 de junho de 1927, nascia o dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta paraibano Ariano Suassuna.

Do Pensar a História

Expoente da literatura nordestina, Ariano Suassuna é considerado um dos maiores dramaturgos brasileiros de todos os tempos. Sua obra tem como marca a valorização da cultura popular, evocando o cotidiano das massas e exaltando o sertanejo comum, ao mesmo tempo em que satiriza as classes altas e os poderosos e denuncia a injustiça social.

Ariano é autor de alguns dos textos mais populares da história do teatro brasileiro, nomeadamente o “Auto da Compadecida” — comédia dramática combinando elementos da literatura de cordel e da tradição barroca que o projetou nacionalmente na década de cinquenta. Doutor “Honoris Causa” por diversas universidades brasileiras, Ariano teve suas obras traduzidas para vários idiomas e foi eleito em 1990 para para a cadeira de número 32 da Academia Brasileira de Letras.

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ÀS RUAS NO 19J

Manifestação de 29 de maio na Av. Paulista contra Bolsonaro e por vacina (Foto: Mídia Ninja)

Raimundo Bonfim

A pandemia segue matando e Bolsonaro segue zombando das vítimas, passeando de moto com seguidores negacionistas e desestimulando o uso de máscaras de proteção. Enquanto isso, o Brasil se aproxima de meio milhão de vidas perdidas, 14,8 milhões de desempregados, 19 milhões passando fome. Como não se revoltar e não se indignar com 500 mil mortes, quando sabemos que uma grande parte poderia ter sido evitada, se o governo não tivesse sabotado a compra de vacinas, conforme já está provado pela CPI da Covid-19? É contra os crimes, o genocídio e o negacionismo que voltaremos às ruas neste sábado (19). Mais uma vez os movimentos populares urbanos estarão nas ruas, ao lado da juventude, das mulheres, dos negros e negras e de todos e todas que defendem a democracia, a liberdade, os direitos e de todos que querem o fim deste governo da morte e da destruição do nosso país.  

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