FALTAM AS TOGAS

A Lava Jato ainda deve ao país uma resposta sobre o papel do Judiciário no maior esquema de corrupção do planeta.

POR MALU GASPAR- Revista Piauí

FOTO: BRUNO POLETTI/FOLHAPRESS

Apesar do volume e da crueza das revelações dos delatores da Odebrecht, persiste uma enorme lacuna nas centenas de horas de depoimentos judiciais replicados pela imprensa ao longo dos últimos dias. Tanto a companhia quanto os procuradores da Lava Jato estão devendo uma resposta à pergunta que muitos se fazem, a esta altura. Ou o maior esquema de corrupção do planeta se desenrolou nas barbas de juízes ineptos e desinformados, ou a empresa escondeu dos olhos do público (e do Ministério Público) a participação (ou a omissão deliberada, ou a complacência, ou tudo isso junto) do Judiciário nas irregularidades cometidas ao longo dos anos. Quem conhece o mundo dos empreiteiros sabe que uma liminar concedida em um momento estratégico de uma licitação pode virar o jogo a favor de um competidor. Sabe também o valor de uma decisão da alta corte suspendendo investigações da Polícia Federal sobre uma obra ou concorrência. E sabe que, se para a Odebrecht todos tinham um preço, não faz sentido imaginar que os juízes brasileiros

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SONEGAÇÃO: A PRIMA-IRMÃ DA CORRUPÇÃO

“Se a corrupção representa usurpar do bem público em benefício de interesses particulares, o efeito prático do ato de sonegar é exatamente o mesmo, já que seus malefícios também privam a sociedade da justa contrapartida do Estado ao muito com que ela contribui.” Edgar Madruga 

O Sonegômetro e o Clube do Trilhão

O Brasil solidificou ao longo de décadas uma política fiscal insana, onde os mais pobres pagam a conta da sonegação, da corrupção e da ineficiência administrativa. Pior ainda é saber que os responsáveis por uma das maiores dívidas tributárias do mundo são exatamente os que menos temem ser cobrados. São os afortunados sócios do Clube do Trilhão.

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INTERPRETAÇÃO DA POBREZA BRASILEIRA

Por Mario Lima Junior

De acordo com a estimativa mais otimista do Banco Mundial, 19,8 milhões de pessoas tentarão sobreviver com menos de R$ 140 por mês até o fim de 2017 no Brasil (O Globo). O problema é grave demais para limitarmos suas causas aos erros das gestões presidenciais petistas ou do governo Temer. A pobreza é defeito da organização social humana da qual participamos igualmente.

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