VIVER FORA DA ENGRENAGEM

Por Mazé Leite/ O. Palavras

Que preguiça do capitalismo! – pensei de repente, enquanto refletia sobre vírus e fascismos. Semanas depois, decidia, com mais gente que já não suporta individualismo, competição e vidas sem sentido, participar da criação de uma comunidade no campo

Era dia 30 de junho de 2020 e eu estava na janela do nono andar do meu apartamento, ouvindo a TV informar que 1.280 pessoas já tinham sido mortas pela Covid-19 em nosso país. Estávamos entrando no quinto mês da pandemia no Brasil e dois cientistas – que acompanhei atentamente nos meses da primeira onda – garantiam que mais mortes viriam pela frente, muitas. Oitocentas mil, um milhão, talvez mais, talvez pouco menos. Olhei pra dentro de casa, era seguro meu pedaço de mundo, minhas quatro paredes. Olhar para fora era ver o perigo lá fora, rondando: um desgraçado ser microscópico que de tão pequeno podia entrar goela abaixo, nariz a dentro e ir invadindo pulmões e sistemas vitais. Travei a respiração, fechei a janela, sentei no sofá, voltei a respirar. Desliguei a televisão e fui pintar meu medo, numa tela que já havia sido iniciada.

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A ILUSÃO DA PERFEIÇÃO

Onde estamos, está nossa incompletude, nossa escuta interminável de nós mesmos e, tantas vezes, nosso desejo de uma identidade mais plena. (Unsplash.com/@iqxazmi)

A condição humana é ambivalente, incompleta, aberta às mudanças. Por isso, mesmo o louvável esforço por desenvolver virtudes pode nos colocar numa situação ambígua, ocultando orgulhos ou vaidades.

Ricardo Fenati. Virtudes e limites

Nem sempre sabemos conjugar a busca de uma vida virtuosa e a aceitação da imperfeição de nossa condição humana. Como lidar com esta ambivalência? O Passo a Pensar de hoje quer nos ajudar a refletir sobre isso, a partir de um trecho do texto “Virtudes e limites”, do professor de filosofia Ricardo Fenati. Escutemos o que ele nos diz:

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O QUE É LEITURA PROFUNDA E POR QUE ELA FAZ BEM PARA O CÉREBRO

Ler estimula o pensamento crítico e a capacidade de análise

Da BBC BRASIL

A pesquisa da neurocientista Maryanne Wolf aponta que “não há nada menos natural do que ler” para os seres humanos — e isso não é de forma alguma ruim.

“A alfabetização é uma das maiores invenções da espécie humana”, diz a especialista. Além de útil, é tão poderosa que transforma nossas mentes: “Ler literalmente muda o cérebro”.

O avanço da tecnologia e a proliferação das mídias digitais, contudo, têm modificado profundamente a forma como lemos.

Apesar de estarmos lendo mais palavras do que nunca — uma média estimada de cerca de 100 mil por dia —, a maioria vem em pequenas pílulas nas telas de celulares e computadores, e muita coisa é lida “por cima”.

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RITUAIS PARA A FELICIDADE

Sentir os atos mais vulgares como aventura espiritual é um desafio proposto pelas religiões orientais
(Isaac Holmgren / Unsplash)

Frei Betto /Dom Total

É preciso saber enxergar um palmo além do chão, da parede, do teto ou mesmo das convicções que nos norteiam. Tudo depende de nossa cabeça. Somos, como seres humanos, aquilo que está gravado em nossa mente: ideias, noções, fantasias, impressões.

Se fomos educados na crença de que há pessoas superiores a outras devido à cor da pele ou nos deixamos convencer, pela publicidade, que pilotar um carro a 300 km/h é mais nobre que lutar para combater a fome, então nossos atos serão regidos pelo racismo ou pelo culto aos ídolos do consumismo.

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