O REENCONTRO ENTRE A ÁGUIA E O CONDOR

Gabriela Pinilla, Camilo Torres no Teatro a Candelaria, ilustração de livro.
Aquarela sobre papel, 20 X 25 cm. 2018, Bogotá, Colombia

Por Leonardo Boff

Ainda voaremos juntos, a Águia do Norte com o Condor do Sul sob a luz benfazeja do Sol que nos mostrará o melhor caminho

O planeta Terra devido à sistemática agressão nos últimos séculos está num franco e perigoso declínio. A intrusão do Covid-19 afetando diretamente todo o planeta e exclusivamente a espécie humana é um entre os severos sinais de que a Terra viva nos está enviando: nosso modo de vida é demasiadamente destrutivo levando à morte a milhões de seres humanos e a seres da natureza. Temos que mudar nosso modo produzir, de consumir e de morar na única Casa Comum, caso contrário podemos conhecer um armagedon ecológico-social.

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COMO ANDA SUA TOLERÂNCIA?

Imagem: Nossa Causa

Ser tolerante significa abrir a mente, ouvir e respeitar as opiniões dos outros, mesmo quando não concordamos com elas.

A tolerância é uma virtude fundamental que todos devemos desenvolver, pois vivemos em sociedade e interagimos com outras pessoas diariamente. Ser mais tolerante nos ajuda, em primeiro lugar, a evitar discussões e conflitos interpessoais. Mas, além disso, permite-nos conhecer outras opiniões e pontos de vista. Então, por que isso é tão difícil para nós?

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PELA GRAÇA DE DEUS

Por MARILENA CHAUI*

Desde a Idade Média até a Revolução Francesa, um homem se tornava rei por meio de uma cerimônia religiosa na qual era ungido e consagrado pelo papa. A cerimônia possuía quatro funções principais: em primeiro lugar, afirmar que rei é escolhido por uma graça divina, sendo rei pela graça de Deus, devendo representa-lo na Terra (ou seja, não representa os súditos, mas Deus); em segundo, que o rei é divinizado, passando a ter, além de seu corpo humano mortal, um corpo místico imortal, seu corpo político; em terceiro, que o rei é Pai da Justiça, isto é, sua vontade é lei (ou como diz o adágio: o que apraz ao rei tem força de lei); em quarto, que é Marido da Terra, isto é, o reino é seu patrimônio pessoal para fazer dele e nele o que quiser.

No dia 6 de janeiro de 2019 (ou seja, no Dia de Reis do calendário cristão), na Igreja Universal do Reino de Deus, o pastor Edir Macedo ungiu e consagrou o recém-empossado presidente da república, Jair Messias Bolsonaro, declarando que este foi escolhido por Deus para governar o Brasil. 

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CARTA PARA A GERAÇÃO DO FIM DO MUNDO

De pouco vale, agora, planejar-se para viver em um mundo à beira da catástrofe. Mais que dinheiro e prestígio, juventude parece apostar na reinvenção de si e do planeta: com saberes ancestrais e tecnologia, feminismo e construção do Comum

Por Débora Nunes / Outras Palavras

É em solidariedade a vocês que hoje vislumbram o mundo adulto com apreensão e se perguntam sobre o futuro, que escrevo esse texto. Peço licença para oferecer minha experiência como professora de História e pesquisadora do futuro, que me fizeram escrever o livro Auroville, 2046. Depois do fim de um mundo. Tenho 55 anos, dois filhos que são jovens adultos e presencio a intensa tomada de consciência da juventude acerca do que nos aguarda, muito antes deles e delas chegarem à minha idade. Os depoimentos são tocantes e a pandemia de covid-19 foi um acelerador dessa antevisão: se um vírus pode fazer o que fez no mundo, imaginem todas as tragédias anunciadas pelos cientistas, como as mudanças climáticas. 

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ADOECEMOS A TERRA E A TERRA NOS ADOECE

Os seres humanos são agentes da saúde e das enfermidades do planeta
Leonardo Boff*

Isaac Asimov, cientista russo, famoso por seus livros de divulgação científica, a pedido da revista New York Times, (do dia 9 de outubro de 1982) por ocasião da celebração dos 25 anos do lançamento do Sputinik que inaugurou a era espacial, escreveu um artigo sobre o legado deste quarto de século espacial.

O primeiro legado, disse ele, é a percepção de que, na perspectiva das naves espaciais, a Terra e a humanidade formam uma única entidade, vale dizer, um único ser, complexo, diverso, contraditório e dotado de grande dinamismo.

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TOM CRUISE E O BOM SAMARITANO

Tom Cruise socorreu brasileira atropelada em 1996 (Alberto Pizzoli/AFP)

Por Frei Betto

Entramos na Semana Santa. Todo o mundo, o Brasil de modo especial, vive há mais de um ano em plena Sexta-Feira da Paixão: quase 3 milhões de mortos pela Covid, dos quais mais de 300 mil em nosso país.

Dói a incerteza da doença em milhões de infectados; dói nas famílias dos mortos; dói a ausência de velórios; dói nos trabalhadores da saúde que, exaustos, sabem que não podem fazer milagres na falta de insumos, remédios, oxigênio e leitos; dói no bolso dos comerciantes que veem seus negócios falidos; dói no risco cotidiano enfrentado pelas pessoas obrigadas a sair de casa para trabalhar; dói ao viajar no transporte coletivo lotado; dói na falta de crédito facilitado a quem vê o seu empreendimento fechar, e dói por não ser permanente e suficiente o auxílio emergencial a tantos que precisariam ficar em casa e, ao mesmo tempo, se alimentar, pagar aluguel, e as contas de água, luz, telefone etc.

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