O JUGO DA ESCRAVIDÃO MACHISTA

Não foi à toa que o autor sagrado colocou a mulher como vítima dos olhos vigilantes dos mestres da Lei e não um homem (Lumo Project/Free Bible Images)

Por Solange Maria do Carmo*

A cena é comovente e sua crueldade mostra como as partes frágeis estão sempre subjugadas ao domínio dos fortes. A mulher vem trazida por um bando de machos moralistas, sem nenhum direito e nenhuma defesa. Está muda, e muda permanece. Quanto aos que a condenam, não economizam palavras: a mulher foi pega em adultério e deve morrer segundo a Lei de Moisés (v. 5). Já está dado o veredito. Levam-na a Jesus unicamente para que ele avalize a decisão já tomada. Como um judeu circuncidado e sujeito à Lei, não lhe cabia outra decisão a não ser concordar com a sentença. Estavam colocando Jesus à prova, pois a centralidade que a misericórdia ocupava em sua pregação não deixava dúvidas que a regulamentação da Torá carecia de superação (v. 6).

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