POR UMA FELICIDADE VADIA

Associado ao êxito individual, o ser feliz tornou-se obrigação tormentosa. Pode ser,
porém, o desfrute de uma vida sem medos; os convívios que permitem encarar o
incerto e a tristeza; e uma ética que, prezando o cuidado, desafia os moralismos

Por Antoni Aguiló, no Público | Tradução: Simone Paz

Desde 2013, a ONU reconhece o dia 20 de março como o Dia Internacional da Felicidade. Hoje em dia, a felicidade parece um significante vazio, explorado em excesso, até a exaustão. Abraça tantos significados diferentes, que praticamente cabe tudo nela: desde o consumo de Viagra, até os livros de Paulo Coelho.

Apesar da banalização do termo, ao longo das últimas décadas o neoliberalismo impôs a crença de que a felicidade era fruto do esforço e do talento individual, prêmio que ganhamos por sermos produtivos e competitivos. É o típico discurso da meritocracia liberal, onde cada um chega onde quer com base em seu próprio valor. Para isso, a meritocracia nos introduz a necessidade contínua do “sempre mais”: treinar mais, trabalhar mais, demonstrar mais, ter mais seguidores nas redes sociais, etc. A felicidade torna-se prisioneira entre as frias paredes do cálculo e da eficiência.

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QUANDO A VIDA DÁ CERTO?

Por Jairo Marques

Passei os últimos dias revisitando nos pensamentos um pequeno desabafo feito nas redes sociais por uma pessoa amiga. Ela se lamentava por não ter uma resposta que consolasse ou motivasse a contento a jovem filha diante de um questionamento duro para qualquer pai driblar: “Você acha que eu vou dar certo na vida?”.

Minha filha biscoita tem ainda apenas cinco anos, mas me imaginei na situação de chegar a hora de tentar auxiliá-la com essa bucha que catuca a alma durante a trajetória de quase todo vivente.

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DESAPARECIDOS NO BRASIL: MUITAS PERGUNTAS E POUCAS RESPOSTAS.

Mães de desaparecidos em campanha no estádio da Vila Belmiro
A CADA 8 HORAS, UMA PESSOA DESAPARECE NO BRASIL

Mais de 24 mil desaparecidos em SP: famílias sofrem com falta de respostas.

  • A cada 8 horas, uma pessoa desaparece no Brasil; paradeiro de 82 mil é desconhecido
  • Dor, angústia e doença fazem parte da rotina de famílias em busca de parentes
  • Risco maior de desaparecimento está nas periferias, afirma promotora
  • Investigação só começa quando há suspeita de crime ou em casos que envolvam crianças e incapazes

Há 11 anos, o desaparecimento de Felipe Damasceno, 28, mudou a rotina da sua mãe, a dona de casa Lucineide da Silva Damasceno, 52. Desde 2017, a babá Damiana Pereira, 48, não sabe o paradeiro da filha Andressa de Jesus, 12. No mesmo ano, Samuel Gustavo, 21, sumiu sem deixar pistas, e à sua mãe, a auxiliar administrativa Maria Aureliana, 57, restou a dor. Todos são moradores da zona sul da capital paulista.

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“O QUE É QUE TE ATORMENTA?”

Postado por Blog do Valentin

Por Marco Aurélio (*)

“Os homens procuram o isolamento na selva, no litoral ou nas montanhas – um sonho que você mesmo desejou muito ternamente. Porém tais desejos são totalmente indignos de um filósofo, já que a qualquer momento é possível se retirar para dentro de si.

“Não existe retiro mais quieto e calmo do que a própria alma; além de tudo, aquele que possui os recursos em si mesmo precisa apenas de contemplação para alcançar sossego mental – sossego que não passa de uma outra palavra para espírito equilibrado. Aproveite sempre esse retiro e renove-se continuamente”.

“Faça as regras de sua vida serem simples, desde que compreendam o fundamental. Recorrer a elas bastará para remover toda vexação e te permitirá voltar, sem tormentos, aos deveres que o esperam.”

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