A REVOLTA DA VACINA

Por CARLOS EDUARDO ARAÚJO*

Uma vez como tragédia, a outra como farsa.

“Semana maldita, some-te, mergulha no grande abismo insondável do tempo, onde há esquecimento para tudo” (Olavo Bilac).

Tenho como propósito, neste texto, estabelecer um paralelo entre a Revolta da Vacina, na sua versão histórica e trágica, ocorrida em novembro de 1904, durante o governo do presidente Rodrigues Alves e a “revolta da vacina”, em sua variante farsesca, que vem ocorrendo hodiernamente, por várias capitais do país, arregimentada pelo bolsonarismo, nestes tempos sombrios da presidência de Jair M. Bolsonaro.

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O APRESENTADOR BOLSONARISTA QUE DESDENHAVA DA PANDEMIA E MORREU POR COVID-19

Stanley Gusman, apresentador da TV Alterosa, é mais uma das vítimas do
coronavírusDIVULGAÇÃO

Em seu programa na afiliada do SBT em Minas Gerais, Stanley Gusman fazia campanha contra medidas de isolamento social e o prefeito de Belo Horizonte

Do El Pais

“Vem comigo, Minas Gerais!”. Com esse bordão, Stanley Gusman abria seu programa diário na hora do almoço, um dos carros-chefe de audiência da TV Alterosa, afiliada do SBT no Estado. Ao longo de 2020, o apresentador se destacou não apenas por conduzir a atração sensacionalista e policialesca, mas por se posicionar abertamente contra as medidas de isolamento social impostas durante a pandemia. Na noite do último domingo, aos 49 anos, ele morreu por complicações da covid-19, menos de um mês depois de fazer um desabafo crítico ao prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que recomendou à população da cidade que evitasse reuniões familiares no Natal.

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O PLANO DA GLOBO: ULTRACAPITALISMO SEM BOLSONARO

Alinhada à agenda neoliberal de Guedes, emissora não deseja o impeachment — aliás, até blinda o governo de ataques. Estratégia é criticar apenas a pessoa do presidente — e, assim, destruí-lo até o pleito de 2022, enquanto projeta Huck ou Moro

Por Mauricio Abdalla / Charge: Aroeira

É claro e visível que Rede Globo assumiu uma linha editorial de oposição a Jair Bolsonaro. Ilude-se, porém, quem pensa que se trata de uma oposição ao “Governo”, como foi com relação aos governos do PT.

O núcleo do governo real está nas mãos do Ministro da Economia Paulo Guedes. Todas suas medidas e propostas agradam as grandes empresas privadas (como a Globo), os banqueiros e outros setores do capital que, além de comporem a mesma classe social dos proprietários das Organizações Globo, são seus patrocinadores e sócios em diversos outros negócios em que o grupo Marinho também investe seu capital.

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BOLÍVIA, CHILE, BACURAU

Por Paulo Nogueira Batista Jr

O leitor ou leitora que está aí, invisível, inacessível, atrás da tela onde ora vou digitando essas palavras, esse leitor ou leitora haverá de compreender, de certo, que escrever se mostra cada vez mais difícil? Estou à beira de desistir. Mas retiro o ponto de interrogação. Não cabe a dúvida – ironicamente presente na expressão “de certo”. O leitor desta coluna compartilha comigo alguns valores, opiniões e – sobretudo – angústias. Quem vivencia o momento atual, no Brasil e no mundo, sem angústia, sem pelo menos uma ponta de angústia, dificilmente estaria lendo estas palavras neste momento.

E, no entanto, não quero exagerar e muito menos propagar desalento. Nem todas as notícias são ruins – pelo menos as que nos chegam do exterior. Ao contrário. No campo político, algumas têm sido até excelentes.

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ESPLENDORES E MISÉRIAS DAS CORTESÃS E CORTESÃOS DO BOLSONARISMO À LA BALZAC

Entre as cretinices cloroquínicas do tempo do escritor estão as pseudociências como frenologia e da fisiognomia

Por Mario Sergio Conti

Balzac não escapou das cretinices cloroquínicas de seu tempo, o século 19. Ao contrário. Foi um entusiasta da frenologia e da fisiognomia, pseudociências que atribuíam o caráter das pessoas à sua aparência física, a começar pela do crânio.

Num lance de gênio, contudo, também fez com que as roupas, a decoração e a arquitetura expressassem pessoas e costumes —e vice-versa. É por isso que ele diz da dona da pensão em “O Pai Goriot”: “A sua pessoa explica a pensão, assim como a pensão implica sua pessoa”.

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A AURA DA MEDIOCRIDADE

Por FLAVIO AGUIAR*

Nossa percepção do tempo vem se alterando desde a invasão dos telefones celulares; tudo tem de ser muito rápido, imediato

Atravessamos um tempo em que, para se almejar algum sucesso à direita, é necessário, além de ser reacionário, primar pela mediocridade dos ideais, das ideias e da linguagem. Foi-se, e faz muito, o tempo em que ser do campo “conservador” exigia algum estilo. Carlos Lacerda podia ser “o Corvo” para as esquerdas; mas era um intelectual de certo porte e um orador brilhante. O católico Gustavo Corção era reacionaríssimo; ao mesmo tempo, seus artigos detestáveis eram aulas de bom português. Hoje ambos foram substituídos por uma corja de assassinos da língua portuguesa e das boas maneiras, como Weintraub e Olavo de Carvalho.

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