RESTAURAR O ESTADO É PRECISO

Postado por Valentin Ferreira

‘Só consigo enxergar alguma possibilidade de cura desse estado de astenia e de reordenação das bases democráticas a partir de uma maciça convocação e ação dos jovens’

Por Maria Conceição Tavares / do Brasil Debate

Vivemos sob a penumbra da mais grave crise da história do Brasil, uma crise econômica, social e política. Enfrentamos um cenário que vai além da democracia interrompida. A meu ver, trata-se de uma democracia subtraída pela simbiose de interesses de uma classe política degradada e de uma elite egocêntrica, sem qualquer compromisso com um projeto de reconstrução nacional – o que, inclusive, praticamente aniquila qualquer possibilidade de pactação.

Hoje, citar um político de envergadura com notória capacidade de pensar o país é um exercício exaustivo. O Congresso é tenebroso. A maioria está lá sabe-se bem com que fins. O elenco de governadores é igualmente terrível. Não há um que se sobressaia. E não vou nem citar o caso do Rio porque aí é covardia. O “novo” na política, ou o que tem a petulância de se apresentar como tal, é João Doria, na verdade um representante da velha extrema direita.

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O CENTRO QUE RESISTE PENDE À ESQUERDA

Postado por Valentin Ferreira

Por Marcus Ianoni / Brasil Debate

O centro político-ideológico se vê novamente desafiado a reinventar-se.  A crise também desafia a esquerda e direita, mas o foco do artigo é o centrismo: até que ponto e como, hoje esvaziado no meio da polarização política, ele pode voltar a encorpar-se?

Uma definição estática de centro é a seguinte: a posição no espectro ideológico que defende um capitalismo mitigado por políticas sociais e a democracia representativa (de baixa intensidade, com participação exclusivamente eleitoral). Mas, na dinâmica internacional de polarização de classes, pós-crise de 2008, alimentada por forças conservadoras em vários países, o centro tem migrado para a direita. O que fará o que dele resta?

Do naufrágio do governo Sarney ao Plano Real, o centro enfraqueceu-se. Em 1993, esquerda (Lula) e direita (Maluf) lideravam as pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial que, em 1994, resultou na impactante vitória de Fernando Henrique Cardoso, líder da estabilização da moeda. Tal feito estruturou o sistema partidário, posicionando o espectro ideológico em torno do centro. Os governos federais tucanos apoiaram-se na governabilidade da centro-direita (PSDB-PFL-PTB, depois também PMDB), os governos petistas, até Dilma I, na da centro-esquerda (PT-PMDB).

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MITOS E AUSTERIDADE: O CASO DA ISLÂNDIA

Postado por Valentin Ferreira / do Brasil Debate

Resultado de imagem para ISLANDIA MUDANÇAS ECONOMICAS                                                                                                   Imagem: Diário de Notícias

Na quinta nota da série, o tema é a recuperação econômica da Islândia, após os estragos provocados pela crise de 2008, com a adoção de medidas não recomendadas pela cartilha convencional

Muitos conhecem a crise econômica da Islândia por causa dos primeiros minutos do documentário Inside Job, que retrata a crise financeira mundial de 2008.  Esses minutos iniciais resumem o resultado do embarque do país na onda do liberalismo econômico a partir dos anos 1990. Para deixar a economia cada vez mais nas mãos do mercado, a Islândia implementou uma série de reformas: cortou o gasto público,  reduziu os impostos sobre o capital e sobre o trabalho, privatizou as empresas estatais, liberalizou o mercado de trabalho, abriu sua economia para promover uma maior integração econômica global, reformou a previdência e o setor público e ainda desregulamentou o mercado financeiro.

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