“HOJE, O BRASIL NÃO TEM PROJETO NEM VISÃO DE FUTURO”, DIZ MÁRCIO POCHMANN

Para o professor da Unicamp, o neoliberalismo dirige o país na contramão do mundo
onde estatais voltam a ser importantes

Do Brasil de Fato

Gaúcho de Venâncio Aires, o economista Márcio Pochmann, 59 anos, diz que o Brasil sofre hoje do que chama “curtoprazismo”, praticado pela União e por governos como o do Rio Grande do Sul. “São governos que conseguem olhar, no máximo, o hoje ou as eleições do ano que vem”, diagnostica. Não há projeto nacional nem visão de futuro. Repara que o país liquida suas empresas públicas sob o argumento de que o setor privado fará melhor seu serviço, alavancando a economia nacional.

Porém, cinco anos após o mandato Temer mover seu rolo compressor contra as estatais, política seguida fielmente por Bolsonaro, isto não aconteceu. O Brasil parou e encolheu. Está mais empobrecido e com quase 15 milhões de desempregados. E na contramão do planeta. “As estatais, em 2005, respondiam por 5% das 500 maiores empresas do mundo. Em 2020, 47% das 500 maiores empresas do mundo são estatais”, ilustra.

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TRISTES DIAS

Estamos soterrados em pilhas de equívocos, mentiras e malefícios sem fim

Por Eleonora Santa Rosa – “Pátria-Cratera”

Por temperamento e formação, não sou partidária da lamentação, do murmúrio, do resmungo ou do suspiro.

Mesmo assim, difícil não deixar-se contaminar pelo clima dessas últimas semanas, tristeza pelo que o país se transformou, do lugar soturno e melancólico em que nos encontramos, da cisão cada vez maior entre patrícios e do espraiamento do ódio, da rudeza e estreiteza mental de norte a sul.

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“THE ECONOMIST” CRITICA BOLSONARO E VÊ “DÉCADA SOMBRIA”

Reportagem mostra situação do Brasil e diz que presidente quer destruir as instituições

A revista britânica The Economist, uma das mais conceituadas publicações do mundo, traz nesta semana uma edição especial sobre o Brasil com uma série de críticas ao governo Jair Bolsonaro. Como em outras vezes que se referiu ao país, a revista traz na capa uma nova ilustração do Cristo Redentor, desta vez respirando com uma máscara de oxigênio.

No especial, que é capa da revista sob o título ‘A década sombria do Brasil’, a revista descreve o presidente brasileiro como um homem que quer “destruir as instituições, não reformá-las”, “esmagou todas as tentativas” de uma exploração sustentável da Amazônia e revelou serem “falsos” todos os votos favoráveis à renovação política.

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CAPITALISMO SEM CONSUMIDOR

Por João Ximenes Braga / Via Era da Idiocracia

Volta e meia falo aqui que o empresariado brasileiro quer inventar o incrível capitalismo sem consumidor. 

Foi pra isso que apoiaram o Golpe, pra implementar a Ponte para o Futuro de Temer, a reforma da previdência, a reforma trabalhista, o teto de gastos. Um arrocho tamanho na classe trabalhadora que teria como consequência inevitável a queda do consumo, portanto da arrecadação, portanto do empresariado.

Aí hoje tá na Folha. Título “Fenômeno dos anos Lula, classe C afunda aos milhões e cai na miséria“. No meio do texto, toca-se no pontinho crucial da tragédia da Economia neoliberal em país periférico: “Isso não só aumentará a desigualdade social brasileira mas retardará a recuperação econômica. Mais pobre, a gigantesca população de baixa renda consumirá menos, exigindo menos investimentos e contratações pelo setor produtivo”.

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CARCARÁ

‘Carcará lá no Sertão é um bicho que avoa que nem avião. É um pássaro malvado,
tem o bico volteado que nem gavião’
– iMAGEM REPRODUÇÃO

Por Eleonora Santa Rosa*

O Brasil abaixo de todos!

O Brasil pária do mundo!

O Brasil à mercê de doidos varridos!

O Brasil devolvendo seus filhos para o fundo da terra!

O Brasil enterrando de norte a sul!

O Brasil recordista em mortes diárias!

O Brasil “encovidado” até a alma!

O Brasil sequestrado de seu futuro!

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O BRASIL ESTÁ COM ÓDIO DO BRASIL OU KAROL CONKÁ NÃO É ODETE ROITMAN

Karol Conká: rapper foi eliminada do reality global com 99,17% dos votos do público (Foto: Divulgação/ TV Globo)

Por Ivana Bentes

Sempre existiu uma cultura e economia do ódio no Brasil, aliás, faz parte da nossa história dos assujeitamentos, da história da escravidão e da estrutura patriarcal essa construção de inimigos que são desumanizados e demonizados – o que permite odiá-los sem culpa.

Podemos dizer que o ódio virou um modulador de relações em um cenário caótico e incerto, em que rivalidades e disputas de todo tipo se sobrepõem ao que seria uma luta coletiva por direitos.

No Brasil, vivemos uma espantosa ascensão de discursos de ódio contra direitos e conquistas recém adquiridos, como se direitos fossem privilégios reversos. Ódio aos negros “privilegiados” pelas cotas raciais nas universidades, ódio aos pobres “privilegiados” pelo Bolsa Família, ódio às mulheres “privilegiadas” por serem protegidas por lei contra a violência doméstica e familiar, ódio renovado aos grupos LGBTQI+  pela criminalização da LGBTfobia.

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