CLASSE MÉDIA COLHE O PREJUÍZO DE SEUS PRECONCEITOS

Por Fernando Brito

Esqueça os princípios de humanismo, de solidariedade.

Deixe de lado a consciência de que todos somos seres humanos, com direitos essenciais e aspirações que nos unem como nação.

Não ligue para como lhe aperta o coração sair à rua sem ver corpos humanos estendidos na calçada, protegendo-se como podem – ou nem podem – do frio que está chegando. Desconsidere o medo e a tristeza de não poder andar 100 metros numa avenida movimentada sem que alguém venha lhe pedir algum dinheiro “para comer, moço”.

Abandone os conceitos de que temos em comum um país, uma vida coletiva e fuja da sabedoria do Tom Jobim de que “é impossível ser feliz sozinho”.

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JESSÉ SOUZA: É PRECISO EXPLICAR O BRASIL DESDE O ANO ZERO

O sociólogo Jessé Souza, autor de ‘A elite do atraso’, lançado pela editora Leya (Divulgação)

Por Amanda Massuela /Revista Cult

Em A elite do atraso – Da escravidão à Lava Jato, Jessé Souza quer fazer o que, em sua opinião, nenhum intelectual da esquerda jamais fez: explicar o Brasil desde o ano zero. Isso porque se ideias antigas nos legaram o tema da corrupção como grande problema nacional – conforme defende no livro -, só mesmo novas concepções sobre o país e seu povo poderiam explicar, de uma vez por todas, que as raízes da desigualdade brasileira não estão na herança de um Estado corrupto, mas na escravidão.

Para tanto, o sociólogo confronta uma das principais obras do pensamento social brasileiro, Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda – responsável por utilizar pela primeira vez a ideia de patrimonialismo para definir a política nacional. Jessé compreende que o conceito – segundo o qual o Estado brasileiro seria uma extensão do “homem cordial” que não vê distinções entre público e privado – serve para legitimar interesses econômicos de uma elite que manda no mercado, este sim a real fonte de corrupção e poder.

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UMA SOCIEDADE ACUADA, COM MEDO. É ISSO O QUE ELES QUEREM

Postado por Blog do Valentin

Por Emir Sader / Brasil 247

A extrema direita governa pelo terror e pelo medo

“Governar, para a extrema direita, é impor o terror sobre as populações pobres, explorando o medo da classe média”, escreve o sociólogo Emir Sader, que mergulha nas origens escravocratas do Brasil para explicar “por que mataram Agatha”

O maior escândalo do Brasil é o genocídio dos jovens negros, levado a cabo pelas policias, como se estivesse mandatada por todo nós, para prender e matar a esses jovens, supostamente na luta para impor a ordem na nossa sociedade. São milhares de jovens mortos por ano, várias dezenas – como a Agatha – mortos diariamente, como simples estatísticas. Não têm nome, nao têm pais e mães, nao têm namoradas, nao têm cara, nao têm biografia. São simplesmente eliminados.

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O QUE SIGNIFICA BOLSONARO NO PODER, por Jessé de Souza

Postado por Blog do Valentin

Bolsonaro e sua penetração na banda podre das classes populares foi útil para vencer o PT, mas é tão grotesco, asqueroso e primitivo que governar com ele é literalmente impossível

A eleição de Jair Bolsonaro foi um protesto da população brasileira. Um protesto financiado e produzido pela elite colonizada e sua imprensa venal, mas, ainda assim, um “protesto”. Uma sociedade empobrecida – cheia de desempregados, de miseráveis e violência endêmica, cujas causas, segundo a elite e a grande imprensa que a mantém, é apenas a “corrupção política” – elege o mais nefasto político que os 500 anos de história brasileira já produziu. Segundo a imprensa comprada, a corrupção é, inclusive, culpa do PT e de Lula manipulando a informação e criando uma guerra entre os pobres. Sem compreender o que acontece, a sociedade como um todo é manipulada e passa a agir contra seus melhores interesses.

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“A CLASSE MÉDIA ACREDITA QUE O SISTEMA SEJA CONTRA ELA”, diz professor de Harvard na UnB, explicando Bolsonaro

Postado por Blog do Valentin

A receita para as oposições ganharem as próximas eleições e evitarem um risco à democracia no Brasil é a união.

Do DCM

A tese é defendida pelo cientista político alemão de origem polonesa e professor de Harvard, Yascha Mounk, que chegou nesta quarta, dia 24, ao país e fez uma palestra na Universidade de Brasília (UnB).

Não que as diferenças entre os partidos não sejam importantes. São, mas seus estudos apontam que governos populistas, que ameaçam o sistema democrático, normalmente são longos.

Mounk demonstrou essa situação de populismo longevo com a Hungria. “Não acredito mais nas eleições da Hungria, que desde 2010 está sob o domínio de populistas. A Polônia tem a última oportunidade nas eleições deste ano”.

O cientista político apontou o perigo do crescimento rápido do populismo no mundo. “Os governos dos países mais populosos como EUA, Indonésia e Brasil são populistas e ameaçam a democracia”, afirmou.

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UNIÃO ENTRE POBRES E CLASSE MÉDIA É A UNICA ESPERANÇA CONTRA A BARBÁRIE NO BRASIL

Postado por Valentin Ferreira

Por Tim Vickery(*) / BBC Brasil

O espaço público é sempre fascinante. Várias das minhas conversas mais interessantes acontecem no metrô. Outro dia, voltando de um jogo de futebol, um guarda municipal me disse a seguinte pérola, quando perguntei sobre as dificuldades da sua profissão: “(A população) não tem raiva do sistema. Tem raiva de não fazer parte do sistema”.

Achei uma sacada genial. Existe uma busca constante para se alcançar o status de ser exceção. O que vale para os outros não passa de uma armadilha para otários. Refleti bastante sobre isso na viagem, e mais ainda quando ficou difícil descer do trem por causa das pessoas com pressa para entrar. Trata-se de um retrato de uma sociedade com uma noção bem fraca de um conceito-chave: o bem comum.

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