CAPITALISMO SEM CONSUMIDOR

Por João Ximenes Braga / Via Era da Idiocracia

Volta e meia falo aqui que o empresariado brasileiro quer inventar o incrível capitalismo sem consumidor. 

Foi pra isso que apoiaram o Golpe, pra implementar a Ponte para o Futuro de Temer, a reforma da previdência, a reforma trabalhista, o teto de gastos. Um arrocho tamanho na classe trabalhadora que teria como consequência inevitável a queda do consumo, portanto da arrecadação, portanto do empresariado.

Aí hoje tá na Folha. Título “Fenômeno dos anos Lula, classe C afunda aos milhões e cai na miséria“. No meio do texto, toca-se no pontinho crucial da tragédia da Economia neoliberal em país periférico: “Isso não só aumentará a desigualdade social brasileira mas retardará a recuperação econômica. Mais pobre, a gigantesca população de baixa renda consumirá menos, exigindo menos investimentos e contratações pelo setor produtivo”.

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QUEM É O JUDICIÁRIO BRASILEIRO?

JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA E POLITIZAÇÃO DO JUDICIÁRIO A complexa relação entre Estado, Direito e formação social se acirra e se faz cada vez mais presente nos noticiários e nos ideais de país expressos pela sociedade. Como o Judiciário e a política têm se relacionado historicamente? De que maneira o sistema judiciário tem tratado cidadãos de classes sociais, gêneros e etnias distintas em nossa sociedade? Que rumos a situação pode tomar diante da crise das instituições? E quais as consequências, para a democracia, da judicialização da política e da politização do Judiciário? Essas e outras questões estarão em pauta ao longo do debate.

ALYSSON MASCARO Jurista e filósofo do direito, é professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e livre-docente em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela USP. Escreveu, dentre outros livros, Filosofia do Direito (Atlas, 2010) e Introdução ao estudo do Direito (Atlas, 2007). Publicou pela Boitempo Estado e forma política (2013) e Crise e golpe (2018).

Abaixo o vídeo, assista

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QUE PAÍS SERÁ ESTE PARA AONDE ESTÃO NOS LEVANDO?

Por Fernando Horta / Jornal GGN Dumping sócio-existencial

O “Dumping” é uma das tantas práticas que o capitalismo inventou para destruir a concorrência. Aquilo que esta juventude neoliberal diz ser “a essência” do capitalismo, é, na verdade, tudo o que o capitalismo mais abomina. E é exatamente por isto que os capitalistas criaram inúmeras práticas para burlar a concorrência, ou, até, eliminá-la por completo. Uma boa parte das táticas para evitar o risco e concorrência usa o Estado, mas o “dumping” é diferente.
A prática de “dumping” é criminalizada por quase todos os países capitalistas. Uma empresa que tem maior capacidade de endividamento baixa os preços dos seus produtos abaixo do seu custo. Isto a faz perder dinheiro, claro, mas como ela tem maior capacidade de endividamento, ela vai tomando mercado dos concorrentes. Incapazes de baixar o preço até menos do que o seu custo marginal (custo marginal é um conceito econômico que basicamente diz que o preço é ainda mais baixo que o custo total), a concorrência quebra. Depois da falência dos concorrentes, a empresa que fez o dumping toma o mercado multiplicando seus lucros de uma tal forma que, na imensa maioria das vezes, compensa com sobras … Continue Lendo