CADÊ A CULTURA POLÍTICA?

Na apertada balsa que pretende conduzir a nação a um futuro melhor, atirem-se ao mar os sem mandato, os sem toga e os sem farda. Alguém deve pagar a conta. E ela sobra, invariavelmente, para os mais pobres.

Por Frei Betto

Cadê o novo? Cadê a moralidade? Dá vontade de fazer eco a Stanislaw Ponte Preta: “Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos!”

De nada adianta o desalento diante das maracutaias do Ministério da Saúde, das propinas na compra de vacinas que salvam vidas, das rachadinhas familiares. Desopilar o fígado nas redes digitais é acender fósforo para conferir se há gasolina no tanque.

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O VÍRUS DA CORRUPÇÃO

Por Élio Gasda

Quando ele está em campanha
Diz que vai resolver toda situação.
Depois de tá eleito adianta o seu lado
E dá uma banana para o meu povão
Perde a credibilidade, a moral e o pudor
Tira o pão da boca das crianças
Do aposentado e do trabalhador!

De norte a sul
De leste a oeste, meu irmão
Como tem político contaminado
Com o vírus da corrupção! (Bezerra da Silva).

Corrupção, crime antigo e atual. No Brasil, o lícito e o ilícito, o público e o privado se misturam desde o tempo do Império. Quando chegou ao Rio de Janeiro, dom João recebeu de “presente” uma bela casa, a melhor do Rio, do traficante de escravos Elias Antônio Lopes. Esse, em contrapartida, recebeu privilégios da Corte.

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LOCKDOWN É A ÚNICA SAÍDA PARA SP, DIZEM ESPECIALISTAS.

Para profissionais da saúde, medida precisa ser tomada em âmbito estadual para frear a pandemia

Por Aline Mazzo

Especialistas consultados pela Folha são unânimes em afirmar que São Paulo está atrasado para decretar o lockdown a fim de tentar conter a alta de contágio por Covid-19 no estado. A medida, considerada extrema, seria a única opção disponível para tentar frear a transmissibilidade do vírus neste momento, segundo os profissionais da saúde.

O governador João Doria (PSDB) chegou a afirmar na manhã desta quarta que medidas mais restritivas poderiam ser tomadas diante dos números elevados de casos e óbitos da Covid-19 no estado. Mais tarde, em coletiva no Palácio dos Bandeirantes, integrantes do Centro de Contingência da Coronavírus relativizaram o possível endurecimento da quarentena.

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MIKE DAVIS: “PANDEMIA CAUSARÁ UM DESENCANTO QUE CHEGARÁ ÀS RUAS”

Mike Davis, sociólogo e ativista.

Em 2005, o historiador norte-americano escreveu um ensaio alertando sobre a chegada de uma pandemia. Nesta entrevista, fala das possíveis consequências de mais um fator de sofrimento para os trabalhadores pobres

Por Pablo Gimenez de Sandoval

Na sociologia de Los Angeles do final do século XX existe um autor imprescindível, Mike Davis, que dissecou o futuro das grandes cidades por meio dos desastres da grande cidade californiana nos livros Cidade de quartzo: Escavando o futuro em Los Angeles (1990) e Ecologia do medo (1998). Em 2005, depois agripe aviária, escreveu um ensaio sobre o perigo de que um desses vírus que passam de animais para seres humanos pudesse causar uma pandemia catastrófica. Chamava-se O monstro bate à nossa porta e é uma leitura visionária nos tempos de covid-19. Esta pandemia, a de verdade, exigia uma nova versão. Agora está sendo relançado em versão ampliada com o título de The monster enters. O historiador marxista analisa as condições que tornaram impossível detê-lo e aumentaram seus efeitos. Davis tem 74 anos. Falou por telefone de sua casa em San Diego, Califórnia, onde mora com a esposa mexicano-americana e dois filhos adolescentes.

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“JUNHO DE 2020 FOI O TERCEIRO MAIS QUENTE EM 141 ANOS”

Imagem: Solan

Por Marina Inês Dolci(*)

Consumo consciente tem de ser o novo normal

Não é impressão sua: o mundo está se aquecendo rapidamente. Junho de 2020 foi o terceiro mais quente em 141 anos. Honestamente, não sei se será possível reverter integralmente esta situação. Mas temos obrigação, como consumidores e cidadãos, de optar por produtos e serviços que não piorem este quadro, ou a vida neste planeta se tornará insuportável.

Mas por que é tão importante evitar que as temperaturas continuem subindo, se tantas pessoas comemoram um inverno quente como este? E o que nós, que não somos políticos nem donos de grandes empresas, podemos fazer para tentar frear este aquecimento?

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