CAPITALISMO SEM CONSUMIDOR

Por João Ximenes Braga / Via Era da Idiocracia

Volta e meia falo aqui que o empresariado brasileiro quer inventar o incrível capitalismo sem consumidor. 

Foi pra isso que apoiaram o Golpe, pra implementar a Ponte para o Futuro de Temer, a reforma da previdência, a reforma trabalhista, o teto de gastos. Um arrocho tamanho na classe trabalhadora que teria como consequência inevitável a queda do consumo, portanto da arrecadação, portanto do empresariado.

Aí hoje tá na Folha. Título “Fenômeno dos anos Lula, classe C afunda aos milhões e cai na miséria“. No meio do texto, toca-se no pontinho crucial da tragédia da Economia neoliberal em país periférico: “Isso não só aumentará a desigualdade social brasileira mas retardará a recuperação econômica. Mais pobre, a gigantesca população de baixa renda consumirá menos, exigindo menos investimentos e contratações pelo setor produtivo”.

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“A SOCIEDADE BUSCA NO CONSUMO UMA VÁLVULA DE ESCAPE PARA PREENCHER O VAZIO DE SENTIMENTOS”

AS FACES DA SOCIEDADE LÍQUIDA

Por Douglas Henrique Reginato

O conceito de liquidez trazido por Zygmunt Bauman (Escritor e Sociólogo Polonês) no início desse século não seria tão válido se não fosse tão real e totalmente aplicável à sociedade atual em suas inúmeras áreas. Como cita o autor “A passagem da fase “sólida” da modernidade para a “líquida” – ou seja, para uma condição em que as organizações sociais (estruturas que limitam as escolhas individuais, instituições que asseguram a repetição de rotinas, padrões de comportamento aceitável) não podem mais manter sua forma por muito tempo (nem se espera que o façam), pois se decompõem e se dissolvem mais rápido que o tempo que leva para moldá-las e, uma vez reorganizadas, para que se estabeleçam”.

É notável que o novo modelo de sociedade traga uma série de benefícios e ao mesmo tempo consequências irreparáveis. Os novos estilos de vida, tecnologias revolucionárias, relacionamentos humanos, competitividade selvagem e exposição diante de um mundo sem direção ou garantia gera um verdadeiro “Admirável Mundo Novo” onde a sociedade, o tempo e a vida são líquidos. A seguir são apresentados alguns comentários acerca das faces marcantes da sociedade atual:

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72% DOS BRASILEIROS MUDARAM PADRÃO DE CONSUMO POR CAUSA DA PANDEMIA

imagem: Reprodução Google

Pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostra que 72% dos brasileiros alteraram seus hábitos de consumo nos últimos seis meses, em decorrência da pandemia de Covid-19. Os setores mais impactados, isto é, aqueles cujos consumidores reduziram as compras, foram roupas e calçados (42%), viagens e turismo (30%) e atividades físicas (27%).

Entre os entrevistados, 22% também reduziram o consumo de bens essenciais, como alimentos e remédios. Mais da metade (54%) dos consumidores afirmou que fez corte de gastos por conta da diminuição na renda nos último semestre.

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“JUNHO DE 2020 FOI O TERCEIRO MAIS QUENTE EM 141 ANOS”

Imagem: Solan

Por Marina Inês Dolci(*)

Consumo consciente tem de ser o novo normal

Não é impressão sua: o mundo está se aquecendo rapidamente. Junho de 2020 foi o terceiro mais quente em 141 anos. Honestamente, não sei se será possível reverter integralmente esta situação. Mas temos obrigação, como consumidores e cidadãos, de optar por produtos e serviços que não piorem este quadro, ou a vida neste planeta se tornará insuportável.

Mas por que é tão importante evitar que as temperaturas continuem subindo, se tantas pessoas comemoram um inverno quente como este? E o que nós, que não somos políticos nem donos de grandes empresas, podemos fazer para tentar frear este aquecimento?

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FUJA DA SÍNDROME “FOMO”, QUE ATACA ATÉ NO CARNAVAL

Foliãs em bloco no RIo. PILAR OLIVARES REUTERS

Excesso de possibilidades e exibição nas redes sociais formam coquetel que mina a satisfação

Por Jenny Moix Queraltó / El País

Toni chega sistematicamente tarde a todos os encontros. E se há uma coisa que o caracteriza é a pressa. Sua tremenda impontualidade não vem do fato de ser lento, mas de levar a vida como uma concentração de atividades coladas umas nas outras. Por mais depressa que ande, nunca pode chegar a tempo. Uma frase resume sua essência: “Não quero desperdiçar a vida.” E aí está a raiz da sua conduta.

Na sociedade em que vivemos, se algo nos define é estarmos sempre acelerados, e não apenas no mundo do trabalho, mas também em nossos momentos de lazer, inclusive em festas como o Carnaval. Fugimos de um medo que temos escondido em todas as nossas células: que chegue o final de nossas vidas e que nos arrependamos de não tê-la vivido mais intensamente ou de tê-la desperdiçado.

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