CARTA PARA A GERAÇÃO DO FIM DO MUNDO

De pouco vale, agora, planejar-se para viver em um mundo à beira da catástrofe. Mais que dinheiro e prestígio, juventude parece apostar na reinvenção de si e do planeta: com saberes ancestrais e tecnologia, feminismo e construção do Comum

Por Débora Nunes / Outras Palavras

É em solidariedade a vocês que hoje vislumbram o mundo adulto com apreensão e se perguntam sobre o futuro, que escrevo esse texto. Peço licença para oferecer minha experiência como professora de História e pesquisadora do futuro, que me fizeram escrever o livro Auroville, 2046. Depois do fim de um mundo. Tenho 55 anos, dois filhos que são jovens adultos e presencio a intensa tomada de consciência da juventude acerca do que nos aguarda, muito antes deles e delas chegarem à minha idade. Os depoimentos são tocantes e a pandemia de covid-19 foi um acelerador dessa antevisão: se um vírus pode fazer o que fez no mundo, imaginem todas as tragédias anunciadas pelos cientistas, como as mudanças climáticas. 

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A PANDEMIA VISTA POR YUVAL HARARI: “NUNCA VOLTAREMOS AO MUNDO DE ANTES”

Na opinião do conhecido historiador Yuval Harari, o mais importante no momento atual de pandemia é promover a responsabilidade individual e a cooperação. Isso pode ser alcançado através de uma informação ampla e transparente, unida à vontade de cooperar e à ajuda mútua entre todos.

Ele se tornou um historiador de fama mundial depois de publicar o livro Sapiens – Uma Breve História da Humanidade. Não só se tornou uma celebridade, mas também virou assessor de líderes mundiais como Bill Gates e Angela Merkel. Yuval Harari é um dos pensadores mais lidos no mundo, e por isso suas opiniões sobre a pandemia do coronavírus merecem uma atenção especial.

Harari publicou várias colunas a respeito do tema em diversos jornais do mundo, e também foi entrevistado por uma grande quantidade de meios de comunicação. Por mais estranho que pareça para nós, ele afirmou que as pandemias são uma realidade perfeitamente normal se as olharmos analisando a história da humanidade.

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MULHERES DA PERIFERIA SE UNEM E FORMAM O “BANCO FEMINISTA”

Postado por Valentin Ferreira

Excluídas do sistema bancário tradicional, trabalhadoras autônomas são a maioria no crédito solidário, onde a reciprocidade é a alma no negócio

Por Carol Scorce / Carta Capital

É comum no sistema bancário o uso do termo reciprocidade. No caso das instituições financeiras tradicionais, significa que o gerente dará descontos nas tarifas e crédito aos clientes que possuem contas com saldos expressivos. Ou seja, o banco lucra com a movimentação bancária do cliente, que por sua vez recebe benefícios por isso.

Mas os bancos não inventaram a roda. Reciprocidade é uma relação própria entre pessoas, um substantivo feminino, e são as mulheres a própria matéria de algo tão cotidiano para elas. Enquanto no sistema financeiro comercial a garantia para créditos e descontos é a conta bancária dos próprios clientes, na economia solidária são as relações pessoais as responsáveis por manter a economia viva e as pessoas ativas. 

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UMA FEIRA DE EMPREENDEDORES

Postado por Valentin Ferreira
Algumas reflexões sobre as duas grandes religiões contemporâneas e sobre o evento onde passei o fim de semana

(*)Por Denis R. Burgierman /  Nexojornal

Socialismo e liberalismo são as duas grandes religiões contemporâneas, como bem notou Yuval Noah Harari na (auto?)biografia que ele escreveu da nossa espécie, “Sapiens”. Afinal, religiões são “sistemas de normas e valores fundados na crença em uma ordem super-humana”. As ideologias da era moderna não incluem divindades, mas, de resto, são iguaizinhas a qualquer outra religião, com seus livros sagrados, seu valor identitário, suas legiões de fiéis, suas visões de paraíso, seus dogmas, seus santos, seus demônios.

Não que não haja méritos nas ideias de Karl Marx e Adam Smith, autores dos livros sagrados das duas religiões. Há, muitíssimos. Homens de seu tempo que eram (como aliás somos todos), acreditavam em ciência e se preocuparam em provar suas ideias, em vez de simplesmente exigir fé. Mas muitos dos princípios mais centrais de suas crenças são conceitos fictícios, mitológicos, coisas nunca vistas no mundo real – o comunismo perfeito com o qual socialistas sonham, ou o Estado mínimo imaginado pelos liberais, para citar dois exemplos.

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EM MINAS GERAIS, ECONOMIA SOLIDÁRIA REGISTRA CRESCIMENTO DE 2.800% EM 30 ANOS

Postado por Valentin Ferreira

Por (*)Mônica Ribeiro / Conexão Planeta

Observatório do Trabalho da Secretaria de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), de Minas Gerais, divulgou recentemente que a economia solidária (EcoSol) teve crescimento de mais de 2.800% no estado nos trinta últimos anos, saltando de 51 empreendimentos econômicos solidários (EES) em 1986 para 1.529 em 2016. Entre 2007 a 2016, houve uma ampliação de 807 empreendimentos. E a expansão continua: hoje, já são 1.588 EES.

Em tempos de crise financeira e precarização do trabalho, a economia solidária mostra-se cada vez mais como alternativa. Historicamente, é nesse contexto que ela avança em maior proporção no país.

O levantamento do Observatório aponta que o maior número de EES em Minas vem do setor de artesanato(623), seguido pela agricultura familiar (459), alimentação (206), serviços (78), confecção (63), catadores de material reciclável (51) e cultura (14).

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ALTRUÍSMO. COMO ABDICAR DO EGOÍSMO E ASSUMIR UMA EXISTÊNCIA COOPERATIVA

Postado por Valentin Ferreira

Do Blog Luis Pellegrini

O que é o altruísmo? Dito de forma simples, é o desejo de que as outras pessoas sejam felizes. Como diz Matthieu Ricard, filósofo francês, escritor e fotógrafo, e monge budista de linha tibetana, o altruísmo é uma ótima lente para se tomar decisões, tanto no curto quanto no longo prazo, tanto no trabalho quanto na vida. Nesta palestra ele nos explica como e por que fazer com que ele seja o nosso guia.

Após estudos de bioquímica no Instituto Pasteur, em Paris, Matthieu Ricard deixou seu trabalho como pesquisador cientista e tomou o rumo dos Himalaias, onde se tornou monge budista. Seu objetivo: buscar a felicidade, tanto no nível humano básico quanto como objeto de investigação. Adquirir o estado de felicidade, acredita ele, requer o mesmo tipo de esforço e de treinamento da mente que qualquer outro projeto existencial sério acarreta.

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