CARTA PARA A GERAÇÃO DO FIM DO MUNDO

De pouco vale, agora, planejar-se para viver em um mundo à beira da catástrofe. Mais que dinheiro e prestígio, juventude parece apostar na reinvenção de si e do planeta: com saberes ancestrais e tecnologia, feminismo e construção do Comum

Por Débora Nunes / Outras Palavras

É em solidariedade a vocês que hoje vislumbram o mundo adulto com apreensão e se perguntam sobre o futuro, que escrevo esse texto. Peço licença para oferecer minha experiência como professora de História e pesquisadora do futuro, que me fizeram escrever o livro Auroville, 2046. Depois do fim de um mundo. Tenho 55 anos, dois filhos que são jovens adultos e presencio a intensa tomada de consciência da juventude acerca do que nos aguarda, muito antes deles e delas chegarem à minha idade. Os depoimentos são tocantes e a pandemia de covid-19 foi um acelerador dessa antevisão: se um vírus pode fazer o que fez no mundo, imaginem todas as tragédias anunciadas pelos cientistas, como as mudanças climáticas. 

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MST: EM 162 COOPERATIVAS PRODUZ DE ARROZ A SUCO DE UVA

Produção de arroz da Cootap no Rio Grande do Sul: cereal, agroecológico, se tornou um cartão de visita do movimento — Foto: Divulgação

Por Marcos de Moura e Souza/ Valor Econômico.

Com o passar dos anos, o MST se converteu em um movimento formado sobretudo por pequenos e médios proprietários de terra. São famílias que obtiveram suas áreas por meio da política de reforma agrária e que, assentadas, se dedicam à produção de alimentos.

Segundo Kelli, o MST tem hoje em suas hostes mais proprietários de terra do que trabalhadores sem terra. E isso trouxe demandas e visões novas ao movimento. “São cerca de 450 mil famílias assentadas ligadas ao MST em 88 mil hectares”, diz. Já o número de famílias sem terra ligadas ao movimento e que ainda estão acampadas pleiteando terra soma 90 mil, de acordo com ela.

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PRODUTOS DA ECONOMIA SOLIDÁRIA EM SHOPPING CENTER

Postado por Valentin Ferreira

Por Mônica Ribeiro (*)

Não é de hoje que indico, aqui, algumas iniciativas que hackeiam o sistema. A mais simbólica delas, pra mim ao menos, é a instalação de lojas e quiosques que comercializam produtos da economia solidária no coração dos maiores centros de consumo: os shopping centers.

Hoje, trago mais uma iniciativa como essas, desta vez em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais. O Partage Shopping Betim inaugurou, há poucos meses, a Loja da Economia Solidária, que comercializa produtos desenvolvidos por artesãos cadastrados no Fórum de Economia Solidária da Prefeitura.

Onze marcas estão presentes na nova loja, com exposição e venda de produtos nas áreas de acessórios, vestuário, cosméticos, utensílios para casa, decoração, pintura em tecidos e alimentos não perecíveis: Arte Cia., Arte Primer, Bag Work, Garagem das Artes, Mãos que Criam, Mimos e Cores, Mãos de Fada, Ponto Costura, Ponto a ponto, Pedraria Variart SmartFriends.

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BANCOS: QUEM TEM MEDO DA CONCORRÊNCIA?

Postado por Valentin Ferreira

Por Guilherme Santos Melo /Brasil Debate (*)

Diante do cenário de alta concentração e pouca competição, uma ideia inovadora surgiu no debate público: a introdução do conceito de progressividade tributária sobre o custo do crédito

O sistema bancário no Brasil é um dos mais concentrados do mundo. Os cinco maiores bancos concentram mais de 80% dos ativos totais em 2016, índice bastante elevado em comparação com a média internacional. Entretanto, o que mais chama atenção é que o custo médio do crédito no Brasil é bastante superior ao de outros países do mundo, mesmo em países com concentração bancária similar à do Brasil. Isso se deve, em parte, ao maior custo de captação e a taxa de inadimplência, mas também se relaciona com a margem líquida dos bancos e com a taxação sobre as operações de crédito. Ou seja, nosso sistema bancário concentrado compete pouco entre si, o que explica em parte a dificuldade de acesso e o elevado custo do crédito.

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O MUNDO DA ECONOMIA SOLIDÁRIA

Postado por Valentin Ferreira

Nas mãos e linhas que vão tecendo o casaco, as meias, o cachecol. Nos cheiros de queijos, salames, linguiças, biscoitos, cucas e pães que aguçam o paladar. Nas frutas diversas e nas bancas de vinhos, cervejas e cachaças artesanais. O mundo da economia popular solidária se encontrou em Santa Maria (RS) para a festa justa e de cooperativismo, de 13 a 15 de julho.

Com informações de Irmã Osnilda Lima com a colaboração de Henrique Alonso – Rede de Comunicadores/as da Cáritas Brasileira. A reportagem foi publicada porCNBB, 18-07-2018.

Uma programação intensa com rodas de conversas, debates, seminários e reuniões. Trata-se da 25ª Feira Internacional de Economia Solidária (Feicoop), do 3º Fórum de Economia Solidária e 3ª Feira Mundial de Economia Solidária. O evento reuniu representantes de diversos países. Os povos indígenas apresentaram sua cultura, sua arte. Os povos quilombolas e comunidades tradicionais também compartilharam seus saberes. Muitas pessoas circularam pelos corredores, conversaram, trocaram experiências, comercializaram e adquiriram produtos.

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UMA FEIRA DE EMPREENDEDORES

Postado por Valentin Ferreira
Algumas reflexões sobre as duas grandes religiões contemporâneas e sobre o evento onde passei o fim de semana

(*)Por Denis R. Burgierman /  Nexojornal

Socialismo e liberalismo são as duas grandes religiões contemporâneas, como bem notou Yuval Noah Harari na (auto?)biografia que ele escreveu da nossa espécie, “Sapiens”. Afinal, religiões são “sistemas de normas e valores fundados na crença em uma ordem super-humana”. As ideologias da era moderna não incluem divindades, mas, de resto, são iguaizinhas a qualquer outra religião, com seus livros sagrados, seu valor identitário, suas legiões de fiéis, suas visões de paraíso, seus dogmas, seus santos, seus demônios.

Não que não haja méritos nas ideias de Karl Marx e Adam Smith, autores dos livros sagrados das duas religiões. Há, muitíssimos. Homens de seu tempo que eram (como aliás somos todos), acreditavam em ciência e se preocuparam em provar suas ideias, em vez de simplesmente exigir fé. Mas muitos dos princípios mais centrais de suas crenças são conceitos fictícios, mitológicos, coisas nunca vistas no mundo real – o comunismo perfeito com o qual socialistas sonham, ou o Estado mínimo imaginado pelos liberais, para citar dois exemplos.

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