O QUE HÁ POR TRÁS DAS “AMEAÇAS” MILITARES?

Imagem: Fernand LégerSoldados jogando Cartas

Por Leila Salim Maíra Mathias/ Outras Palavras

CRONOLOGIA DO GOLPISMO

Brasília, 7 de julho. O ministro da Defesa, Walter Braga Netto assina junto com os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica uma nota em tom de ameaça dirigida a um senador da República: “As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano”. 

Brasília, 8 de julho. O que sabíamos: diante da repercussão negativa da nota, Braga Netto e Paulo Sérgio (Exército) telefonam para Rodrigo Pacheco (DEM-MG) que, depois, divulga que ambos defenderam “ponderação” e “apreço ao Senado”. É o suficiente para que o presidente da Casa considere o assunto encerrado. No mesmo dia, o comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Junior, concede uma entrevista ao Globo que vai estampar a manchete do jornal no dia seguinte. Sustenta que “a nota foi dura como nós achamos que devia ser”, pois seria um “alerta às instituições”. Perguntado sobre o caráter golpista do caso, diz a célebre frase: “Homem armado não ameaça“.

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A LENDA DO JAIR HONESTO

Por Philipp Lichterbeck./ D.W.

Ainda afirmar que Bolsonaro está do lado da lei e da ordem é uma piada de mau gosto. O bolsonarismo pode até ter algo contra a corrupção e a criminalidade – mas só a dos outros.

É claro que Jair Bolsonaro tem razão quando diz não poder saber tudo o que acontece nos 22 ministérios de Brasília. Consequentemente, não se pode responsabilizá-lo por cada ocorrência neles. No entanto, ele é responsável pela nomeação dos ministros, pelos aliados que procura e pelo espírito reinante em seu governo.

Além disso, Bolsonaro provavelmente não está dizendo a verdade, quando afirma nada ter sabido das irregularidades na encomenda da Covaxin. Segundo testemunhas, ele foi informado, mas não agiu. Ao que parece, tolerou e acobertou a suposta corrupção.

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BISPOS CATÓLICOS ROMPEM SILÊNCIO E PROTESTAM CONTRA GENOCÍDIO, PREVARICAÇÃO E CORRUPÇÃO

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da CNBB (Foto: CNBB)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que congrega todos os bispos católicos do país, rompeu o silêncio que vinha mantendo desde o início do governo Bolsonaro e emitiu uma nota contundente nesta sexta-feira (9) protestando contra o genocídio, e as evidências de prevaricação e corrupção no enfrentamento da pandemia. O nome de Jair Bolsonaro não está na nota, mas a nota dirige-se claramente contra ele e seu governo.

Segundo os bispos, “a trágica perda de mais de meio milhão de vidas está agravada pelas denúncias de prevaricação e corrupção no enfrentamento da pandemia da Covid-19”.

A nota pede “apuração, irrestrita e imparcial, de todas as denúncias, com consequências para quem quer que seja” – no que parece ser uma resposta à nota da cúpula das Forças Armadas, que pretende impedir qualquer investigação sobre a participação militar nos esquemas de prevaricação e corrupção.https://2371ec93bc6fc7ea7bc882926ff25c85.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Leia a íntegra da nota da CNBB:

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SOBRE A NOTA DO MINISTÉRIO DA DEFESA

Por MANUEL DOMINGOS NETO*

Desde a última ditadura, a representação política viveu intimidada pelos militares

Em 1979, acatou uma anistia que preservou praticantes do terrorismo de Estado que atentaram contra a humanidade. Na Constituinte de 1988, através do Artigo 142, reconheceu os superpoderes das corporações armadas. O Ministério da Defesa, organismo essencialmente político, foi entregue ao desígnio do militar. Os negócios da Defesa foram simploriamente assimilados como assuntos militares. Com uma tuitada um general condicionou as últimas eleições presidenciais. Com o país em profunda crise multidimensional, a representação política admitiu que Bolsonaro concedesse privilégios a perder de vista à “família militar”.

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A ARMAÇÃO DO OUTRO CABO

Por Moisés Mendes

Em julho de 2018, Eduardo Bolsonaro apresentou ao país, num blefe, um cabo imaginário que, com um soldado, e sem precisar de um jipe, poderia fechar o Supremo.

Temos hoje um personagem improvável. Paulo Dominguetti Pereira, o representante da Davati Medical, é cabo da Polícia Militar de Minas.

Temos um cabo real, sem jipe, saído não se sabe de onde, com uma denúncia de propina, que parecia contribuir para a queda de Bolsonaro e que na CPI atira agora na direção dos irmãos Miranda, acusados por ele, com o uso de um áudio com a voz do deputado Luís Miranda, de serem atravessadores de vacina.

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DE RICARDO EM RICARDO, GOVERNO BOLSONARO VAI SE DESGASTANDO

Ex-Ministro Ricardo Salles e o líder do Governo na Câmara, Ricardo Barros com Jair Bolsonaro – Fotos Reprodução.

O “VACINAGATE” DE BOLSONARO / Cristina Serra

O escândalo da Covaxin está dentro do Palácio do Planalto, Bolsonaro sabe e isso explica seu descontrole

A veloz evolução dos acontecimentos na CPI da Covid abalou os nervos do contaminador-geral da República. Suas explosões perante repórteres são o que lhe restam diante dos questionamentos sobre o que já pode ser chamado de escândalo da Covaxin ou o “vacinagate” de Bolsonaro.

O fio da meada foi puxado por esta Folha,que revelou o depoimento do servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda ao Ministério Público Federal, sobre pressões para compra da Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech. As tratativas ocorreram na gestão catastrófica do general Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde e envolvem dirigentes da pasta indicados por ele. O irmão do servidor, deputado Luís Miranda (DEM-DF), disse que alertou Bolsonaro sobre o caso suspeito.

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