“BRASIL AINDA FAZ POLÍTICA COM AFETO, NÃO COM A CABEÇA”

Por: DW Brasil

Protesto contra corrupção em BrasíliaEm entrevista à DW Brasil, historiador João Cesar de Castro Rocha, diz que é preciso combater uma sociabilidade que se baseia em tratar o público como o privado: “Há uma elite que se considera realmente superior ao restante da população.”

Há pouco mais 80 anos do lançamento do clássico Raízes de Brasil, o “homem cordial” de Sérgio Buarque de Holanda, que não distingue o público do privado, parece ainda presente na sociedade brasileira, apesar das previsões do intelectual que a cordialidade desapareceria com a industrialização.

Em 1936, Sérgio Buarque de Holanda apresentou pela primeira vez o conceito, resultado de uma sociedade rural autoritária caracterizada pela família patriarcal. Segundo o intelectual, esse homem cordial dominou as estruturas públicas do país, usando-as em benefício próprio.

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O ESPANTALHO DA CORRUPÇÃO: UMA CARTA A DELTAN DALLAGNOL, POR SERGIO SARAIVA

Por Sergio Saraiva / Jornal GGN

Prezado Deltan Dallagnol, não foi sem um bom bocado de preocupação que terminei a leitura de mais um dos seus artigos para a imprensa, neste caso, o ”As ilusões da corrupção” para a Folha de São Paulo de 04 de junho de 2017.

Moro e Aécio

“Todo poder emana do povo e por ele ou em seu nome é exercido”.

Falemos de ilusões.

Abro esta minha carta com o artigo primeiro da nossa Constituição Federal de 1988 – a “Constituição Cidadã”. Em vez dos verbos no presente do indicativo nessa assertiva, talvez fosse melhor tê-los usados no futuro do presente do indicativo. Mostraria melhor nossa situação real e o nosso desejo e nosso otimismo. Mas, se é para abrirmos mão das ilusões, o tempo correto é o do futuro do pretérito. Sou um otimista iludido e incurável.

Quanto às preocupações, elas podem ser resumidas no ato falho contido no seu texto:

“A lei não precisa se ajoelhar diante dos barões; o país não tem que caminhar sobre uma ponte instável; a população não está condenada a ser governada pela cleptocracia”.

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MELHORA DO BRASIL PÓS-LAVA JATO NÃO DEPENDE DE QUEM PODE CAIR, MAS DE QUEM VEM DEPOIS, DIZ “GUARDIAN”

Por: BBC BrasilJornal The Guardianimagem REPRODUÇÃO
‘Será esse o maior escândalo de corrupção de todos os tempos?’, pergunta o jornal britânico na capa de reportagem especial

A melhora da situação do Brasil após a Operação Lava Jato “vai depender não apenas de quem cair, mas de quem vem depois”, afirma o jornal britânico The Guardian em sua edição desta quinta-feira.

Em uma reportagem especial de três páginas, com o título ‘Será esse o maior escândalo de corrupção de todos os tempos?’, o jornal apresenta a operação Lava Jato, deflagrada há três anos e que revelou uma “vasta e intrincada rede de corrupção política e empresarial e pôs a vida de uma nação de ponta-cabeça”.

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BREVE DICIONÁRIO DE UM TEMPO ESTRANHO

Por: Valentin Ferreira

Foto: Ligamagic

BREVE DICIONÁRIO DE UM TEMPO ESTRANHO

Democracia: Calçados feitos sob medida para alguns poucos que conduzem a maioria por uma trilha estreita e pedregosa, onde a cidadania caminha descalça e às escuras.

Esperança: Líquido volátil e raro, sujeito a escassez. Disponível principalmente no seio do povo sem poder. Resistente e imune à contaminação pelo ar exalado das narinas dominadoras.

Corrupção: Vírus potente usando como arma química na ação dos poderosos capitalistas ou não, normalmente   para se apoderar ou beneficiar-se da burra do Estado. Também pode ser usado e disseminado em larga escala de tempos em tempos, para justificar a tomada de poder, pelos próprios donos do poder.

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FIM DA CORRUPÇÃO EXIGE “ESFORÇO E CIVISMO” QUE A CLASSE DOMINANTE É INCAPAZ DE FAZER

Por Jânio de Freitas

Se é para mudar

Na Folha, via GGN
Atribuir à reforma do sistema político a maneira de acabar com a alta corrupção é vender ou comprar ilusão. Mudar as regras da política é uma necessidade, mas por outro motivo: porque essas regras são ruins. Não proporcionam representatividade ao eleitorado de mais de 100 milhões de votantes, fazem o Congresso e os partidos ter um custo alucinante e, sem obrigação alguma dos congressistas, tornarem-se mais perniciosas do que úteis ao país.
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