UMA REFLEXÃO SOBRE CUBA

Manifestação em Cuba contra o governo. Yamil Lage/AFP

Cuba resiste! – Por Frei Betto / Da Carta Maior

Poucos ignoram minha solidariedade à Revolução Cubana. Há 40 anos visito com frequência a Ilha, em função de compromissos de trabalho e convites a eventos. Por longo período intermediei a retomada do diálogo entre bispos católicos e o governo de Cuba, conforme descrito em meus livros “Fidel e a religião” (Fontanar/Companhia das Letras) e “Paraíso perdido – viagens ao mundo socialista” (Rocco). Atualmente, contratado pela FAO, assessoro o governo cubano na implementação do Plano de Soberania Alimentar e Educação Nutricional.

Conheço em detalhes o cotidiano cubano, inclusive as dificuldades enfrentadas pela população, os questionamentos à Revolução, as críticas de intelectuais e artistas do país. Visitei cárceres, conversei com opositores da Revolução, convivi com sacerdotes e leigos cubanos avessos ao socialismo.

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PAÍSES MAIS REJEITADOS POR BOLSONARO IMPULSIONAM O AGRONEGÓCIO

Venezuela lidera as importações de arroz; China, as de soja; e o Irã, as de milho

Por Mauro Zafalon/Folha

Os países mais rejeitados por Jair Bolsonaro tiveram grande importância para o agronegócio brasileiro no ano passado. Vários produtos saídos das lavouras e das pastagens nacionais tiveram como destino essas nações.

Um exemplo típico é o do arroz. Graças aos venezuelanos e cubanos, os gaúchos puderam receber preços recordes pelo cereal no ano passado.

E na hora da falta desse cereal internamente, devido ao grande volume exportado, os argentinos e os paraguaios foram os que garantiram o abastecimento dos brasileiros.

Bolsonaro deve ter perdido a calma ao ver reluzentes caminhões com a bandeira venezuelana trazerem oxigênio para reduzir os efeitos do descontrole da pandemia em Manaus.

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O “MAIS MÉDICOS” E A MANIPULAÇÃO DOS FATOS PELO PRESIDENTE ELEITO

Postado por Valentin  Ferreira
Jair Bolsonaro sequer tomou posse como presidente da República e já tem uma crise na saúde pública, causada por suas próprias declarações, para resolver: a saída dos médicos cubanos do programa Mais Médicos. Quando os cubanos representavam quase 90% do quadro de profissionais do programa, o Mais Médicos atingia 60 milhões de brasileiros.
O Ministério da Saúde de Cuba anunciou o fim da cooperação técnica entre os países na quarta-feira (14). A nota que justifica a decisão culpa os ataques de Bolsonaro, sempre ameaçando as diretrizes do programa por questões ideológicas e colocando a formação dos profissionais em xeque.
Nas redes sociais, Bolsonaro reagiu à decisão chamando Cuba de “irresponsável” e inventou uma narrativa para contornar o problema gerado com a saída de 8 mil médicos cubanos que alcançavam, hoje, 23 milhões de brasileiros, segundo dados divulgados pelo El País nesta quinta (15).
Aos seus seguidores, o presidente eleito disse que Cuba não aceitou melhorar o Mais Médicos. Ele afirmou ter oferecido acabar com o suposto pagamento parcial ao governo cubano, que ficaria com parte do salário dos médicos em missão no Brasil, além de impôr um “teste de capacidade” aos cubanos.
Veja abaixo o
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QUEM SÃO OS AMERICANOS QUE VÃO ESTUDAR MEDICINA EM CUBA

Postado por Valentin Ferreira

A americana Sarpoma Sefa-Boakye descobriu que queria ser médica aos nove anos de idade. Nascida no sul da Califórnia, filha de imigrantes ganenses, ela conta que, em sua primeira viagem à África, para um funeral na terra natal dos pais, ficou comovida com a pobreza.dos pais.

“Pensei que uma maneira de ajudar seria me tornar médica”, diz Sarpoma, 39, à BBC News Brasil.

Quando chegou a hora de ingressar no curso de Medicina – que nos Estados Unidos é oferecido como pós-graduação – Sarpoma se inscreveu em universidades americanas, mas acabou escolhendo um destino menos usual: a Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), na capital cubana, Havana.

Segundo ela, o que pesou na decisão foi a possibilidade de concluir o curso sem dívidas, já que o governo cubano oferece bolsas de estudos aos alunos americanos.

“Eu pensei: ‘será que vou conseguir pagar um curso de Medicina nos Estados Unidos, que custa entre US$ 200 mil e 300 mil?'”, lembra.

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AS LIÇÕES DE BARCELONA, HAVANA E TIANJIN PARA TORNAR AS CIDADES BRASILEIRAS MAIS AUTOSUFICIENTES

Postado por Valentin Ferreira

Iniciativas desenvolvidas como hortas urbanas em áreas ociosas, redes de trocas de objetos, fábricas comunitárias e túneis subterrâneos para coleta de lixo estão entre as ações que fazem destas cidades um exemplo a ser seguido

Por 

Ao bloquear carregamentos nas estradas e impedir o reabastecimento de postos, a recente greve dos caminhoneiros deixou várias cidades brasileiras à beira do colapso. Em muitas delas, serviços de ônibus e de coleta de lixo foram reduzidos, mercados ficaram com prateleiras vazias e hospitais cancelaram cirurgias.

Os efeitos da greve poderiam ter sido menores caso as cidades brasileiras seguissem políticas adotadas por Barcelona, Havana e Tianjin – três metrópoles que, por razões distintas, buscaram ampliar a autossuficiência e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

A BBC News Brasil descreve a seguir algumas das políticas que tornaram as três cidades alvo de grande interesse entre urbanistas.

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VENEZUELA NÃO É CUBA, E BRASIL NÃO É VENEZUELA

Por Valentin Ferreira / do Jornalistas Livres
Encruzilhada em bairro de classe média de Caracas: ruas vazias e grupos de mascarados

Por Luiza Lusvarghi*, especial para os Jornalistas Livres

A cena seria perfeita para um thriller de ação. Eu e Lorena (permitam-me nomeá-la desta forma) dentro de um carro, paradas num posto de gasolina, eu sem entender muito bem o que estava acontecendo, apavorada. Onde é que fui me meter? Seria sequestro?  Jornalista, pesquisadora, professora, brasileira, em minha primeira noite em Caracas fui a um restaurante de mariscos, assistir a um show e comer. Não foi por turismo. Lá, conheci Lorena, que se ofereceu para me guiar em meio ao caos. Ao chegar ao aeroporto de Maiquetia, fiquei quase uma hora para trocar 10 dólares, que seriam suficientes para pegar um táxi até o flat que eu aluguei em Altamira, no setor de La Castellana. A palavra bairro aqui designa favelas, comunidades mais pobres. “Por favor, diga urbanização”, me pede Lorena falando baixo e em pânico. Finalmente dois atônitos funcionários chegaram com um saco de dinheiro. Cada dólar está valendo 2.753 bolívares (no paralelo 8.900), e eles só tinham notas de 100. Como vou carregar isso? Perguntaram se queria

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