“ELITE BRASILEIRA É COLONIZADA E MORRE DE MEDO DE POBRE”, diz Hildegard Angel

Hildegard Angel (Foto: Ederson Casartelli)

“É uma elite totalmente colonizada, culturalmente e intelectualmente, em todos os aspectos. Ela não gosta do Brasil. Ela acha o brasileiro feio, mas ela se acha linda”, diz a jornalista

A jornalista Hildegard Angel, uma das principais colunistas do Brasil, traçou um duro retrato da elite brasileira em entrevista ao Tutaméia, de Eleonora e Rodolfo Lucena. “O básico é o medo. É a manipulação do medo. O medo da elite é perder o que tem, seja muito seja pouco seja mais ou menos. Ter suas casas invadidas, ter que pagar impostos sobre o seu pequeno apartamentinho. Essa pequena elite que não é elite quer ter roupas importadas, não quer prestigiar a indústria brasileira.

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NEUTRALIDADE É UM LUGAR QUE NÃO EXISTE

Ehimetalor Akhere Unuabona/ Unsplash

Por Carla Rodrigues / Le Monde Diplomatic

Sou branca e fui criada como branca. Mais do que isso, fui educada para saber identificar os fenótipos das pessoas negras, de modo a estabelecer rigorosas distinções entre pessoas brancas, pessoas então chamadas de “mulatas” e pessoas negras. Cresci aprendendo que pessoas negras são sujas e que a cor preta estava associada ao nojo, ao abjeto. Na escola progressista em que estudei, havia apenas duas pessoas negras, ambas filhas de funcionários. Durante décadas, escutei a exaltação dos ancestrais portugueses e italianos, que nos legaram pele branca, cabelos lisos e, no meu caso, olhos azuis, joia rara na família e objeto de disputa como  signo da herança materna portuguesa ou da herança paterna italiana.

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GLÓRIA A TODAS AS LUTAS INGLÓRIAS…

Glória a todas as lutas inglórias, que através da nossa história não esquecemos jamais

Que Aldir Blanc vá em paz. E, como um dos compositores mais importantes a conseguir burlar a censura durante a ditadura, não tem também momento mais representativo para a sua partida.
E parte agora, num rabo-de-foguete para o lado de Henfil e de seu irmão, mas sem choro de Marias e Clarices e com a esperança ainda na corda bamba. Infelizmente, vai também, num período onde chibatas e rubras cascatas voltam à tona no lombo de trabalhadores de aplicativos precarizados, entre cantos de sertanejos com arma na cintura.
Hoje vou ficar tipo Carlito, bêbado e trajando luto em sua homenagem.
A última batalha é sempre pedida, mas a luta deve ter sido boa. Obrigado, mestre. Sabemos que o show de todo artista, tem que continuar.
Vinícius Carvalho

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“TUDO EM VOLTA ESTÁ DESERTO,TUDO CERTO”…”COMO DOIS E DOIS SÃO CINCO”

Postado por Valentin Ferreira

COMO DOIS E DOIS – Compositor: Caetano Veloso

“Quando você me ouvir cantar
Venha, não creia, eu não corro perigo!
Digo, não digo, não ligo, deixo no ar.
Eu sigo apenas porque eu gosto de cantar…

Tudo vai mal, tudo!
Tudo é igual quando eu canto e sou mudo
Mas eu não minto, não minto
Estou longe e perto
Sinto alegrias tristezas e brinco

Meu amor
Tudo em volta está deserto, tudo certo
Tudo certo como dois e dois são cinco.

Quando você me ouvir chorar
Tente, não cante, não conte comigo
Falo, não calo, não falo, deixo sangrar
Algumas lágrimas bastam pra consolar…

Tudo vai mal, tudo!
Tudo mudou, não me iludo e contudo:
A mesma porta sem trinco, o mesmo teto
E a mesma lua a furar nosso zinco…

Meu amor
Tudo em volta está deserto, tudo certo.
Tudo certo como dois e dois são cinco…”

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O BRASIL QUEIMOU – E NÃO TINHA ÁGUA PARA APAGAR O FOGO, Por Eliane Brum

Postado por Valentin Ferreira

Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã

Então descobri que não tinha mais passado.

Diante de mim, o Museu Nacional do Rio queimava.

O crânio de Luzia, a “primeira brasileira”, entre 12.500 e 13 mil anos, queimava. Uma das mais completas coleções de pterossauros do mundo queimava. Objetos que sobreviveram à destruição de Pompeia queimavam. A múmia do antigo Egito queimava. Milhares de artefatos dos povos indígenas do Brasil queimavam.

Vinte milhões de memória de alguma coisa tentando ser um país queimavam.

O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos. O excesso de realidade nos joga no não tempo. No sem tempo. No fora do tempo

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