AMÉRICA DO SUL, A GRANDE CONVULSÃO

Abalada pela pandemia, uma sucessão de crises políticas, econômicas e sociais afeta a região
como nunca antes. EL PAÍS percorre pontos nevrálgicos deste terremoto

Por EL PAÍS

Revoltas na Colômbia e no Chileincerteza eleitoral no Peru, uma democracia ameaçada no Brasil, tensões políticas no Equador e na Bolívia, uma economia em queda livre na Argentina e uma crise crônica na Venezuela. A situação no continente está longe de ser aquela que marcou os anos dourados do boom das commodities na década passada, quando a pobreza foi reduzida e o PIB cresceu dois dígitos. A pandemia de covid-19 encontrou a região com pouco espaço para manobra política, um sistema de saúde fraco, cofres vazios e pobreza crescente. O atual descontentamento e a desigualdade herdada acenderam o estopim da violência nas ruas, com processos particulares dependendo dos países, mas todos atravessados por demandas que, como nunca antes, são agora estruturais. O EL PAÍS traz uma síntese política, social e econômica que ajuda a ler em uma chave regional para onde vai o subcontinente.

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OAB E AS FORÇAS ARMADAS

A OAB Nacional publicou uma nota oficial na qual criticou a “partidarização das Forças Armadas” em razão da absolvição de Eduardo Pazuello. Leia:

A lei estabelece claramente que a hierarquia e a disciplina são a base institucional das Forças Armadas.

Não é raro ouvir declarações públicas dos comandantes militares de que “quando a política entra pela porta da frente num quartel, a hierarquia e a disciplina saem pela porta dos fundos”.

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NÃO HÁ MAIS GOVERNO, E NINGUÉM SE DISPÕE A DERRUBAR QUEM JÁ DESISTIU DE GOVERNAR

Por Celso Rocha de Barros

No sábado (1º), velhos vacinados pelo Doria foram às ruas em apoio a Bolsonaro. Parabéns para os chineses: os manifestantes pareciam bem fisicamente, e seus evidentes problemas mentais eram claramente preexistentes.

Mesmo a maior manifestação, no Rio de Janeiro, não reuniu mais do que quatro ou cinco dias de brasileiros mortos durante a pandemia por culpa do governo Bolsonaro. Se a ideia era dizer “se tentarem derrubar Bolsonaro, terão de se ver conosco”, ninguém ficou assustado.

A demonstração de força dos bolsonaristas fracassou, mas o que interessa é que precisaram tentá-la. Eles sabem que Bolsonaro está perdendo.

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BOLSONARO ACELEROU O GOLPISMO E PERDEU

Novos comandantes das Forças Armadas com o Ministro da Defesa Braga Neto (imagem: Reprodução DW)

Por Celso Rocha de Barros

Pela primeira vez na história da República brasileira, os chefes das Forças Armadas renunciaram coletivamente em protesto contra a tentativa do presidente da República de utilizá-las contra a democracia. As Forças Armadas informaram ao Brasil na semana passada que o presidente da República é golpista.

Isso não quer dizer que Bolsonaro pretendesse dar um golpe de Estado na semana passada. O que fez foi remover militares legalistas que poderiam se opor, tanto a um golpe “old school” com tanques na rua, como à corrosão progressiva da democracia brasileira que está em curso desde 2018.

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