TRISTES DIAS

Estamos soterrados em pilhas de equívocos, mentiras e malefícios sem fim

Por Eleonora Santa Rosa – “Pátria-Cratera”

Por temperamento e formação, não sou partidária da lamentação, do murmúrio, do resmungo ou do suspiro.

Mesmo assim, difícil não deixar-se contaminar pelo clima dessas últimas semanas, tristeza pelo que o país se transformou, do lugar soturno e melancólico em que nos encontramos, da cisão cada vez maior entre patrícios e do espraiamento do ódio, da rudeza e estreiteza mental de norte a sul.

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DOIS ANOS DE DESGOVERNO – A INCOMPETÊNCIA AUTO-SATISFEITA

Flávio Aguiar é jornalista, escritor e professor aposentado de literatura brasileira na USP.
Autor, entre outros livros, de Crônicas do mundo ao revés (Boitempo).

Por Flavio Aguiar

Como qualificar a estupidez de nossa mídia “mainstream”, provinciana, carregada de preconceitos?

Há uma pesquisa muito curiosa empreendida por dois psicólogos e professores universitários norte-americanos nos anos 1990, sobre a ignorância ou incompetência auto-satisfeita. Eram eles David Dunning e Justin Kruger, e sua pesquisa levou à formulação do chamado “Efeito Dunning-Kruger”. Basicamente, ele consiste na assertiva de quanto mais uma pessoa é ignorante ou incompetente a respeito de um assunto, pode-se tornar mais difícil o auto-reconhecimento da própria ignorância ou incompetência.

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O BRASIL QUE VIROU SUCUPIRA

O prefeito de Sucupira, Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo), e seu assessor Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz) em cena da novela “O Bem-Amado” , que foi ao ar em 1973 pela Rede Globo – Divulgação

Por Cristina Serra

Circula na internet um trecho de assustadora atualidade da novela “O Bem-amado”, escrita pelo genial Dias Gomes e exibida com grande sucesso pela Rede Globo em 1973. Na cena, o prefeito da fictícia Sucupira, Odorico Paraguaçu, planeja interceptar a carga de vacinas que poderia impedir um morticínio na cidade, assolada por uma epidemia.

Horrorizado, seu auxiliar, Dirceu Borboleta, alerta que seria um genocídio. Odorico responde com um: “E daí?”. Para quem não conhece a história, o principal objetivo do prefeito era inaugurar o cemitério da cidade. Mas seu projeto se frustra ao longo dos capítulos porque ninguém morre.

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A COVID-19 NOS FAZ DESCOBRIR ESPÍRITO NO COSMOS, NO SER HUMANO E EM DEUS, Por Leonardo Boff

Vivemos numa época particularmente anêmica de espírito. A falta de políticas governamentais por parte do atual Presidente para atacar o Covid-19 mostra mais que falta de empatia e de solidariedade para com os mais de cem mil mortos. Mostra, o que é mais grave, a falta de espírito. Parece que o presidente vive ainda no estágio pré-humanos, dos primatas. Não cuida nem ama a vidau, a vida de seu povo.

Acresce ainda que  cultura do capital que se funda no consumo afogou o espírito na materialidade opaca. E sem espírito perdemos o que há de melhor em nós: a comunicação livre, a cooperação solidária, a compaixão amorosa, o amor sensível e a sensibilidade cordial pelo outro lado de todas as coisas, de onde nos vêm mensagens de beleza, de grandeza, de admiração, de respeito, de veneração e de transcendência.

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