QUAIS OS EFEITOS DE SE TAXAR GRANDES PATRIMÔNIOS?

Por Laura Carvalho /Nexo Jornal

A adoção de um imposto sobre fortunas, associada a outras formas progressivas de tributação, poderia ajudar a reduzir desigualdades sociais

O Senado argentino aprovou na sexta-feira (4) um imposto que incidirá sobre patrimônios acima de 200 milhões de pesos (R$ 12,5 milhões) com previsão de atingir entre 9 mil e 12 mil contribuintes. A alíquota aprovada é progressiva e varia entre 2% e 3,5% sobre ativos que estão em território argentino, e chega a um máximo de 5,25% sobre ativos mantidos fora do país. Embora o tributo tenha sido aprovado em caráter extraordinário para arrecadar recursos para os gastos com a pandemia uma única vez, a medida levantou novamente a discussão sobre o potencial arrecadatório, os riscos de saída de capitais e os efeitos sobre a desigualdade de uma taxação anual de grandes fortunas.

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BANCO MUNDIAL APONTA CRESCIMENTO DA POBREZA E DESIGUALDADE NO BRASIL

De 2014 a 2019, a renda dos 40% mais pobres caiu, em média, 1,4% por ano

Por Deutsche Welle

Os brasileiros na faixa dos 40% mais pobres, população equivalente a 85 milhões de pessoas, começaram este ano de pandemia da covid-19 sem terem recuperado a renda que tinham antes da recessão iniciada em 2014, no final do governo Dilma Rousseff. O mesmo não ocorreu com a outra parcela da população, que no início do ano já recebia uma renda superior à do período pré-crise.

Os cálculos são de estudo do Banco Mundial realizado a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). A parte mais pobre da população teve alívio temporário ao longo de 2020 com a renda emergencial, mas muitos voltarão à situação anterior após o fim do benefício, em dezembro.

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“QUEM FAZ SUCESSO TENDE A ACHAR QUE É GRAÇAS A SI MESMO”, questiona Michael J. Sandel

O filósofo Michael Sandel, professor de Harvard, no parque Larz Anderson em Brookline (Massachusetts), no domingo passado (6 de setembro).ADAM GLANZMAN

Professor de Harvard, um astro do pensamento, dirige seu novo livro aos gurus progressistas. Acusa-os de abraçarem a meritocracia, que levou a um legítimo ressentimento das classes trabalhadoras

Por Pablo Guimón

Chove a cântaros em Boston, e o filósofo já tinha advertido que o temporal obrigaria a remarcar a entrevista a ser feita no jardim da sua casa, evitando os espaços fechados por prevenção contra o coronavírus. Como as manhãs do professor são ocupadas pelas aulas virtuais, a tarefa de buscar um lugar alternativo, que seja aberto, porém coberto, recai sobre o jornalista, que não tem ideia melhor do que convocar Michael J. Sandel (Minneapolis, 1953) à desenxabida bancada de concreto sob a imponente rampa que Le Corbusier concebeu para o único edifício que desenhou na América do Norte, ocupado pelo Centro Carpenter para as Artes Visuais da Universidade Harvard. Sandel ― famoso por seu estilo socrático de questionar as ideias pré-concebidas de suas audiências, que incluem o restrito corpo discente desta universidade, mas também milhões de espectadores que assistem às suas aulas magnas sobre justiça no YouTubeContinue Lendo

PANDEMIA FARÁ POBREZA EXTREMA DOBRAR NO BRASIL E AMEAÇA A DEMOCRACIA, diz ONU

Imagem: Observatório terceiro setor

Por Jamil Chade

A pobreza extrema no Brasil deverá dobrar em 2020 como resultado da pandemia e ameaçar a democracia. O alerta faz parte de um novo informe produzido pela ONU e que revela que o tombo no PIB (Produto Interno Bruto) latino-americano será de 9,1%, o maior em um século.

De acordo com a avaliação da entidade publicada nesta quinta-feira, o Brasil deve terminar 2020 com 9,5% na condição de pobreza extrema. Essa taxa era de 5% em 2019. A extrema pobreza é considerada quando um indivíduo ganha menos de US$ 67 (R$ 353) por mês.

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DRAUZIO VARELLA: “BRASIL VAI PAGAR O PREÇO DA DESIGUALDADE”

O médico Drauzio Varella diz que se arrepende de ter sido otimista em relação ao novo coronavírs (Youtube)

Por Ligia Guimarães / BBC Brasil

Prestes a completar 77 anos em maio, o médico cancerologista Drauzio Varella diz que se arrepende de já ter sido otimista a respeito do novo coronavírus. Na época em que começaram a surgir as primeiras informações sobre o vírus na China, em dezembro do ano passado, ele diz que, como muitos, considerou que se tratava de uma doença de baixa letalidade, como pareciam indicar os dados disponíveis. “Eu participei desse otimismo e me recrimino por isso hoje.”

Considerado parte do grupo de risco para a covid-19 pela faixa etária, o médico, escritor e comunicador tem vivido uma rotina profissional intensa nas últimas semanas, mesmo sem sair de casa. Concilia as reuniões matinais diárias do recém-criado grupo “Todos pela Saúde”, que ele integra como sete técnicos que trabalham para direcionar uma doação de R$ 1 bilhão feita pelo Itaú Unibanco ao combate do coronavírus, com as demandas que recebe como médico, tirando dúvidas e enviando orientações a respeito da doença.

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