CAMINHO DO BRASIL ATÉ O FIM DA QUARENTENA PROMETE SER ÁRDUO

Pesquisadores brasileiros consideram impossível estimar quando o pior terá passado no país, mas adiantam que saída do coronavírus exigirá superação do pico de infectados e testes de imunidade abrangentes.

Por Deutsche Welle

Foram necessários 76 dias de isolamento e semanas sem novos casos de infectados pelo Sars-Cov-2 para que as autoridades chinesas tomassem a decisão de encerrar a quarentena na cidade de Wuhan, epicentro da pandemia de covid-19. Na quarta-feira (08/04), os 11 milhões de moradores voltaram a sair de suas casas dentro de uma normalidade maior, com a certeza de que o pior já passou – o que está longe de significar que não haverá novas ondas da doença.

A DW Brasil conversou com pesquisadores para entender quando, afinal, o pior terá passado também para os brasileiros. Há ao menos duas certezas: é cedo demais para aliviar qualquer restrição no país, e não é possível responder com segurança quando e como se sairá da quarentena. Em princípio será necessário boa parte da população já estar imunizada, e ter sido superado o pico da curva de infectados.

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IGUALDADE DE GÊNERO NO TRABALHO LEVARÁ MAIS DE 200 ANOS, DIZ ESTUDO

Postado por Valentin FerreiraNenhum país eliminou a diferença salarial e no mundo impera uma média de quase 51% na discrepância dos ordenados

Fórum Econômico Mundial alerta para declínio de participação feminina na política e acesso desigual à saúde e à educação. Brasil registra em 2018 retrocesso significativo.

A igualdade de gênero em locais de trabalho em todo o mundo levará séculos para ser alcançada, segundo um relatório do Fórum Econômico Mundial (FEM) divulgado nesta terça-feira (18/12). O texto alerta também para o declínio da participação feminina na política, além do acesso desigual à saúde e à educação.

O relatório estima que a lacuna global entre os gêneros em várias áreas não se fechará por mais 108 anos e que serão necessários mais de 200 anos para eliminar as diferenças no local de trabalho.

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“IMPRENSA E ENSINO VIVERÃO SOB ATAQUE PERMANENTE NA ERA BOLSONARO”

Postado por Valentin FerreiraPesquisador que monitora meios digitais afirma que estratégia de ataque usada durante a campanha do presidente eleito será mantida em seu governo, com foco nos chamados valores tradicionais da família.

Por Deutsche Welle

Uma guerra cultural tomou conta do cenário político. Tudo o que é visto como ameaça aos valores tradicionais da família – liberdade de imprensa, artes e ciência produzida nas universidades – será atacado pelo governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, afirma Pablo Ortellado, pesquisador na área de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP).

Ortellado coordenada o projeto Monitor do Debate Político no Meio Digital, que monitora até 5 mil notícias políticas publicadas diariamente nos meios digitais. Para ele, o setor conservador entende que perdeu uma batalha sobre os valores morais da sociedade.

“Por isso, lançou uma campanha muito pesada contra a imprensa, contra os meios de comunicação na dimensão de entretenimento, contra as artes, contra as escolas e universidades. Essa campanha está em pleno curso e é um dos eixos que elegeu Bolsonaro”, afirma.

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“BRASIL É O PAÍS ONDE EVANGÉLICOS MAIS AVANÇAM NA POLÍTICA”

Postado por Valentin FerreiraPesquisador da influência das igrejas na política latino-americana diz que que bancada evangélica busca, em grande parte, favorecer seu próprio interesse e defender “agenda moral” .

Por Deutsche Welle

Autor de vários livros sobre igrejas evangélicas, o cientista político e sociólogo peruano José Luis Pérez Guadalupe avalia que possíveis excessos do futuro governo brasileiro farão os evangélicos se arrependerem de seu apoio à campanha de Jair Bolsonaro. “Não há um pensamento homogêneo dos evangélicos, não há um pensamento político, mas um que vai seguindo conforme as circunstâncias”, destaca.

Perez Guadalupe esteve nesta semana em Berlim para o lançamento de Evangélicos y poder en América Latina, coletânea que organizou para a Fundação Konrad Adenauer, ligada ao partido alemão União Democrata-Cristã (CDU). A obra reúne ensaios sobre a influência política crescente dos evangélicos nos países do continente.

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O HUMOR INDESTRUTÍVEL DOS BRASILEIROS

Postado por Valentin Ferreira

Ao contrário dos alemães, que complicam a vida e mergulham na angústia, brasileiros encontram no humor uma maneira de suportar realidades muitas vezes insuportáveis.

Por Philipp Lichterbeck / Deutsche Welle

Escrevi nesta coluna alguns textos muito críticos sobre a situação do Brasil. A maioria dos leitores concordava com a condenação. Mesmo assim, também sentia o desconforto com o fato de um julgamento tão severo sobre o país vir logo de um estrangeiro. E, com cada vez mais frequência, ouço a pergunta: não tem nada que você goste no Brasil, por que você vive aqui?

Por isso, hoje quero falar sobre uma das características mais adoráveis dos brasileiros: o humor indestrutível. Além da incrível musicalidade, ele é o que eu mais admiro. Tenho a impressão de que os brasileiros – se é que posso generalizar assim – têm uma grande facilidade de rir. De certa maneira, eles são a imagem antagônica ao clichê do alemão sério.

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AS SEQUELAS DOS AGROTÓXICOS PARA TRABALHADORES RURAIS

Postado por Valentin FerreiraApós chegada de agrotóxicos, zonas rurais registram aumento de casos de câncer, bebês com má-formação e puberdade precoce. Nova lei pode relaxar análise sobre impacto de agroquímicos na saúde.

Estudo constatou que casos de más-formações congênitas têm relação com a intensa exposição aos agrotóxicos

Para entender o aparecimento de doenças até então desconhecidas na pequena comunidade de Tomé, região da Chapada do Apodi, Ceará, os moradores pediram ajuda da ciência. A desconfiança aumentou depois do nascimento de bebês com malformação e de sinais da puberdade em crianças de um ano de idade.

Com 2.500 habitantes, a maioria das famílias em Tomé trabalha em fazendas que se instalaram na região a partir dos anos 2000, estimuladas por projetos de irrigação. Com os extensos cultivos de melão, melancia e banana, que também seguem para a Europa, chegaram os agrotóxicos – pulverizados por aviões e tratores.

“Os achados são alarmantes”, afirma Ada Pontes Aguiar, médica e pesquisadora da Universidade Federal do Ceará (UFC). “No nosso estudo, constatamos que os casos de malformações congênitas e puberdade precoce têm relação com a intensa exposição dessas crianças e suas famílias aos agrotóxicos na região”.

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