2022, UM PRESIDENTE DE CENTRO?

De olho nas eleições presidenciais de 2022, a elite brasileira afixa por toda parte o cartaz ‘Procura-se um candidato’ (Unsplash/Nick Fewings)

Todos os chamados ‘candidatos de centro’ são, sem exceção, de direita. Defendem as mesmas pautas de Bolsonaro. Mudam apenas os métodos e a retórica

Por Frei Betto

Como no mar, toda onda começa pela sobreposição de gotas empurradas pelo vento. “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, dizia Goebbels. É o que vimos nas eleições de 2018. Fake news em profusão e as tramoias da Lava-Jato impediram Lula de ser candidato e ainda suscitaram o moralismo antipetista. Nessa onda surfou Bolsonaro e arrebatou a faixa presidencial.

Dois anos de governo foram suficientes para o stablishment se dar conta de que apostou suas fichas no cavalo errado. Nada neste governo dá certo, exceto as sucessivas obras de demolição da saúde, da educação, da cultura, dos direitos humanos, das políticas ambientais e da segurança pública. A pandemia ganhou no Brasil dimensão genocida; a economia retrocede; a inflação reaparece; o desemprego cresce; a desigualdade se agrava; e a violência explode.

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ALIMENTADO DIARIAMENTE, O EXTREMISMO DE DIREITA É VISTO COMO UMA “GRIPEZINHA”

Capitólio, sede do legislativo americano, com grades um dia após a invasão de apoiadores do presidente Trump

Por Marcelo Coelho

Uma grande falta de educação —evito sempre que posso— é a atitude do “eu não disse?”, do “eu não avisei?”. Tem muito a ver com a alegria diante da desgraça alheia. E, afinal de contas, é de esperar que a própria realidade tenha servido de lição para quem se recusou a seguir os meus conselhos.

Desconfio, entretanto, que daqui a alguns anos metade da espécie humana estará dizendo coisa parecida para a outra metade.

Aviso não tem faltado com relação a três coisas óbvias: o coronavírus, o aquecimento global e o fim da democracia.

No caso da pandemia, o fenômeno espanta, mas tem alguma explicação.

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A BRIGA DAS DIREITAS E AS NOVAS ESQUERDAS

Imagem :Reprodução

Por Gabriela Prioli

Faz alguns anos que o maior assunto da política é a ascensão da nova direita. As esquerdas, que antes —dizem— teriam oprimido intelectualmente todos nós, agora estão na descendente. Uma estrela cadente, digamos.

A realidade, como sempre, é mais complexa do que a narrativa. Ao chegar ao poder e ter que, de fato, governar, a nova direita se tornou “as direitas”. Liberais-na-economia-conservadores-nos-costumes, libertários, religiosos, lava-jatistas, militaristas, faria-limers etc. haviam abraçado o bolsonarismo oportunisticamente, para chegar ao poder. Agora, descobrem, uns surpresos, outros nem tanto, que não fizeram o Rei. O Rei é que os instrumentalizou para estar onde está. E com o seu completo consentimento.

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ENTREVISTA: COMO O CRISTIANISMO FUNDAMENTA E ORIENTA A DIREITA GLOBAL

Iacopo ScaramuzziAcostumado a acompanhar o Vaticano, autor diz que extrema direita se apropriou de símbolos e reduziu a religião a elementos identitários – e parte da Igreja se identifica com ela.
 Foto: Arquivo pessoal/Lucas Ferraz

Em livro recém-publicado, vaticanista Iacopo Scaramuzzi mostra como a religião católica fundamenta e orienta a direita global

Por Lucas Ferraz / Intercept Brasil

DE ROMA A WASHINGTON, de Moscou a Paris, de Budapeste a Brasília, a geografia política e religiosa da extrema direita que ascendeu nos últimos anos contém um particular denominador comum: a instrumentalização do cristianismo como estratégia política.

O sacro tornou-se um meio para marcar território, distinguir inimigos e – quem sabe – erradicar a diversidade, seja ela representada por gays, muçulmanos, imigrantes ou qualquer outra “modernidade” que ameace a tríade “Deus, pátria e família”.

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EMPRESÁRIOS VÃO ASSINAR A CARTEIRA DE BOLSONARO?


O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e Jair Bolsonaro
O voto da elite no presidente pode ter sido um serviço prestado às pressas para fugir da esquerda

Por Celso Rocha de Barros

Na primeira coluna do ano, perguntei se a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo era fascista.

Na semana passada, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, respondeu que sim, a entidade apoia Bolsonaro oficialmente. A Fiesp já havia apoiado governos antes, mas nunca com esse grau de engajamento.

Skaf entregou a Fiesp a Bolsonaro porque quer seu apoio na eleição estadual de 2022. Aparentemente, concluiu que o eleitorado paulista é como a economia global, um lugar onde sua turma não tem chance de competir sem apoio do governo federal.

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