BOAVENTURA: OS TRÊS CAVALEIROS NA NOVA PESTE

Por Boaventura de Souza Santos/Outras Palavras

É hoje consensual que a atual pandemia vai ficar conosco muito tempo. Vamos entrar num período de pandemia intermitente, cujas características precisas ainda estão por definir. O jogo entre o nosso sistema imunitário e as mutações do vírus não tem regras muito claras. Teremos de viver com a insegurança, por mais dramáticos que sejam os avanços das ciências bio-médicas contemporâneas. Sabemos poucas coisas com alguma certeza.

Sabemos que a recorrência de pandemias está relacionada com o modelo de desenvolvimento e de consumo dominantes, com as mudanças climáticas que lhe estão associadas, com a contaminação dos mares e dos rios e com o desmatamento das florestas. Sabemos que a fase aguda desta pandemia (possibilidade de contaminação grave) só terminará quando entre 60% e 70% da população mundial estiver imunizada.

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A ELITE DO ATRASO E SUAS MAZELAS

CAPA DO LIVRO DE JESSÉ SOUZA. FOTO: REPRODUÇÃO

Por Paulo Nogueira Batista Jr

‘No Brasil, os donos do dinheiro e do poder apresentam características altamente problemáticas, como se sabe há muito tempo’

Gostaria hoje de dar uns tecos na “elite do atraso”. Ela merece muito mais do que tecos, claro. Mas vou exercer certa autocontenção. Não é fácil fazê-lo, como o leitor certamente imagina.

No Brasil, os donos do dinheiro e do poder apresentam características altamente problemáticas, como se sabe há muito tempo.

Machado de Assis já notava em 1861: “O País real, esse é bom, revela os melhores instintos; mas o País oficial, esse é caricato e burlesco”

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IMPOR A DOR PARA LUCRAR COMO O ALÍVIO

Por Fernando Brito

Boa parte da sociedade brasileira ainda não se deu conta de que, se temos um governo bandido, seus métodos para lidar com a realidade são os criminosos: fazer aquilo que o faça ter mais ganhos, sem limites éticos, morais ou mesmo humanitários.

Não preciso explicitar o modelo histórico que referenda este raciocínio, nein?

Fernanda Brigatti e Tayguara Ribeiro publicam hoje, na Folha, boa reportagem dos os depoimentos de quem está ficando sem o que resta do auxílio-emergencial e sobre o imenso contingente de brasileiros que eles compõem.

Dão nome e rosto a pessoas que são milhões:, 4 em cada 10 brasileiros em idade de trabalhar, ou 67,9 milhões de beneficiários.

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SABOTAGEM DE BOLSONARO À VACINA ATRAPALHA TAMBÉM A RETOMADA DA ECONOMIA

Jair Bolsonaro posa para fotos ao lado do personagem Zé Gotinha durante lançamento da plano nacional de vacinação contra a Covid-19 – Pedro Ladeira/Folhapress

Por Bruno Boghossian

Fica claro que o presidente não liga nem para a recuperação das atividades nem para a saúde da população

Dias depois de chamar a Covid-19 de gripezinha, em março, Jair Bolsonaro usou um argumento econômico para justificar sua indiferença diante da pandemia. “Não é apenas a questão de vida. É a questão da economia também”, declarou.

Bolsonaro fez uma escolha e defendeu por meses o retorno forçado a uma normalidade impossível. Agora, quando a chegada da vacinação abre o primeiro caminho para a redução do distanciamento e para uma retomada segura, a sabotagem presidencial permanece na equação.

As sirenes tocam alto na área econômica. O presidente do Banco Central declarou nos últimos dias que um atraso na vacinação “obviamente vai ter impacto na atividade”.

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QUAIS OS EFEITOS DE SE TAXAR GRANDES PATRIMÔNIOS?

Por Laura Carvalho /Nexo Jornal

A adoção de um imposto sobre fortunas, associada a outras formas progressivas de tributação, poderia ajudar a reduzir desigualdades sociais

O Senado argentino aprovou na sexta-feira (4) um imposto que incidirá sobre patrimônios acima de 200 milhões de pesos (R$ 12,5 milhões) com previsão de atingir entre 9 mil e 12 mil contribuintes. A alíquota aprovada é progressiva e varia entre 2% e 3,5% sobre ativos que estão em território argentino, e chega a um máximo de 5,25% sobre ativos mantidos fora do país. Embora o tributo tenha sido aprovado em caráter extraordinário para arrecadar recursos para os gastos com a pandemia uma única vez, a medida levantou novamente a discussão sobre o potencial arrecadatório, os riscos de saída de capitais e os efeitos sobre a desigualdade de uma taxação anual de grandes fortunas.

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GUEDES ARMA O GATILHO PARA EXPLODIR A ECONOMIA. Por Luis Nassif

Nos anos 90, Paulo Guedes foi apelidado de Beato Salú por usar, com exagero, um dos principais instrumentos retóricos dos economistas: a ameaça do fim do mundo. Essa retórica terrorista é historicamente utilizada pelos economistas desde tempos imemoriais. Mas quando brandidas por um Ministro da Economia irresponsável, trazem uma boa dose de risco para a economia.

O mercado se movimenta em torno de ondas especulativas recorrentes. Cria-se uma expectativa qualquer em torno de um episódio em geral irrelevante. Por exemplo, aprovação de determinada lei; discussão em torno de um pacto político. Esse movimento é armado por profissionais do mercado, valendo-se de repórteres financeiros de baixo discernimento.

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