UM ESPECTRO AMEAÇA O BRASIL: A PENTECOSTALIZAÇÃO

Estamos a um passo para a semiteocracia evangélica-pentecostal (Marcos Corrêa/PR)

Por Élio Gasda*

Laicidade e Estado de Direito são construções da modernidade. Um Estado é considerado laico quando promove oficialmente a separação entre Direito e Religião. A neutralidade do Estado em termos religiosos se estende ao sistema de justiça. O respeito à pluralidade das religiões impede que uma doutrina moral se imponha sobre toda a sociedade civil. Esse é o ideal de toda nação civilizada e pacífica.

Tornar real, no Brasil, esse projeto de modernidade é uma batalha diária. A presença da religião tem sido nociva desde a colonização, apesar da laicidade ser princípio constitucional desde 1891, reiterado na Carta Magna de 1988. Porém, com a chegada de Bolsonaro ao governo, o Estado vem privilegiando os setores evangélico-pentecostais.

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O ESTADO DE EXCESSÃO E A IMPUNIDADE DE REBANHO

Ao desejar a imunidade de rebanho da população como tentativa de “renormalização” da economia, impôs-se uma forma de governo baseada na impunidade em rebanho daqueles que servem febrilmente ao presidente

Por Bruno Xavier Martins(*)

A resposta política do governo Bolsonaro à crise deflagrada pelo coronavírus tem vindo das mais variadas formas. Em todas elas, porém, através do ataque às instituições, desprezo ao conhecimento científico, desrespeito às diretrizes dos órgãos de saúde internacionais e criminosa negligência à saúde da população, em especial a dos mais velhos e das populações vulneráveis.

Bolsonaro vem demonstrando a intenção de encontrar uma saída para a crise atual a partir do pânico, criando um espaço político caótico e, assim, cavando possibilidades para o surgimento de “uma forma legal daquilo que não pode ter forma legal”. Nas palavras de Giorgio Agamben, o estado de exceção1.

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A CIÊNCIA ECONÔMICA E SEUS ABISMOS FRENTE AOS PROBLEMAS CONTEMPORÂNEOS

Por Isaac Enríquez Pérez*/ IHU

As ciências econômicas não são apenas um discurso acadêmico, dotado de uma linguagem sofisticada e especializada, e adornado pela modelagem matemática. São também um conjunto de referências teóricas/éticas/ideológicas e um conjunto de prescrições sobre a realidade social, que incidem – direta ou indiretamente, em maior ou menor medida – na construção do poder e na tomada de decisões públicas.

Dessas referências, derivam diretrizes normativas que modelam cursos de ação, comportamentos e processos ou estratégias de intervenção na realidade e em seus problemas. Portanto, em princípio, não são ciências neutras ou objetivas como as ciências físicas se orgulham de ser, mas são disciplinas interessadas, pois estão repletas de traços éticos e ideológicos. Apesar da arrogância dos economistas.

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A ERA DOS COLETIVOS DE SOLIDÃO, Por Boaventura de Souza Santos

A dominação social deste século só sobreviverá se criar novos sujeitos. Sociedades, onde os diferentes se relacionam, precisam ser reduzidas a massas inertes de indivíduos-dados. Esta distopia é, também, o calcanhar de aquiles do projeto

A combinação tóxica entre capitalismo, colonialismo e patriarcado que caracteriza este início de século, longe de ser apenas uma dominação tricéfala particularmente virulenta nos modos de exploração e de discriminação que privilegia, está assumindo a dimensão de um novo modelo civilizatório, uma nova era que, muito além de desfigurar as instituições, as representações e as ideologias preexistentes, propõe-se criar novas subjetividades para quem o novo modelo é o único modo imaginável de vida. É um processo em construção e obviamente só se consolidará se não houver resistência eficaz. Para que tal resistência ocorra é necessário fazer um diagnóstico radical do que está em causa. Como qualquer outro processo histórico, tem uma longa e sinuosa evolução. Sendo uma evolução civilizacional, contou com cumplicidades de forças ideológica e politicamente muito díspares. Foram essas conivências que tornaram possível o consenso de que o processo era irreversível e não havia alternativa.

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O LIBERALISMO NÃO É LIBERAL

Postado por Blog do Valentin

Por Dalton Rosado 

Nada mais intervencionista, do ponto de vista estatal, do que o liberalismo quando a economia apresenta os seus entraves de crescimento e se estabelecem os impasses próprios às suas contradições endógenas e exógenas.
Por seu turno, nada mais liberal do que o keynesianismo quando se trata de necessidade de expansão econômica de uma economia estatizante (o caso da China é exemplar).
As duas doutrinas obedecem a um único critério, qual seja a necessidade de sustentação do insustentável: a lógica do capital e de suas categorias econômicas, dentre as quais o Estado figura como cidadela que se pretende inexpugnável.
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NO BRASIL PÓS-GOLPE, ERA DA “CONCILIAÇÃO DÁ LUGAR PARA ERA DA DEVASTAÇÃO

DPostado por blog do Valentin

“Não é possível que algo que nunca existiu (a democracia) esteja em perigo” (Vladimir Safatle). “O capital diz: era da conciliação acabou” (Ricardo Antunes). “País une conservadorismo moral e ultraliberalismo econômico” (Laura Carvalho)

Da Rede Brasil Atual

A crise política no Brasil mostra uma democracia comandada pelo capital, para poucos, ou que nunca existiu de uma perspectiva histórica e social? Uma economista (Laura Carvalho), um filósofo (Vladimir Safatle) e um sociólogo (Ricardo Antunes) analisaram as mazelas brasileiras, sob diversos pontos de vista, no primeiro seminário do encontro Democracia em Colapso?, promovido pela editora Boitempo e pelo Sesc São Paulo. O evento, que tem apoio da RBA, começou ontem (15) e vai até sexta-feira (18), na unidade Pinheiros, na zona oeste da capital. Confira aqui a programação.

Ao abrir a série, o diretor em exercício do Sesc, Luiz Deoclécio Massaro Galina, citou a obra Origens do Totalitarismo, de Hannah Arendt, para falar dos perigos causados pela desinformação. E a editora da Boitempo, Ivana Jinkings, falou do “período mais frágil (do Brasil) desde o período de exceção” e defendeu projetos “radicalmente democráticos” contra a barbárie.

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