FÉ, DOM POLITICAMENTE ENCARNADO. Por Frei Betto

Imagem: Reprodução

Frei Betto

“Não há nada mais político do que afirmar que a religião nada tem a ver com a política”, disse o bispo sul‑africano Des­mond Tutu. Na América Latina, não se pode separar fé, polí­tica e ideologia, assim como não seria possível fazê‑lo na Palestina do século I. Na terra de Jesus, quem detinha o poder político detinha também o poder religioso. E vice‑versa.

Talvez soasse estranho hoje a certos ouvidos religiosos introduzir a leitura do Evangelho falando de Trump, Macron ou Putin. No entanto, ao introduzir‑nos nos relatos da prática de Jesus, Lucas primeiro nos situa no contexto político, informando‑nos que “já fazia quinze anos que Tibério era imperador romano. Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes governava a Galileia e seu irmão Filipe, a região da Ituréia e Traconites. Lisânias era governador de Abilene. Anãs e Caifás eram os presidentes dos sacerdotes” (3, 1‑2).

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A MEMÓRIA PERIGOSA DE FRANCISCO DE ASSIS

O papa Francisco acena perto de uma estátua de São Francisco de Assis enquanto se encontra com pacientes em um hospital no Rio de Janeiro em 24 de julho de 2013 (Paul Haring/CNS)

São Francisco revelou que o Evangelho não é apenas religioso. É um modo de viver em oposição aos valores de um mundo sem amor. Para Francisco, o Evangelho significou encontrar Cristo nas pessoas mais pobres e testemunhar o amor divino a toda humanidade

Por Marcelo Barros*

Neste domingo, ao celebrar a festa de São Francisco de Assis, o papa Francisco quis ir à colina de onde, há mais de 800 anos, partiu o movimento franciscano. Ali, ele assinou uma encíclica, dirigida a todos os seres humanos. Na carta Todos somos irmãos e irmãs, o papa deixa claro que a vocação fundamental das Igrejas e comunidades cristãs é “reunir na unidade todos os filhos e filhas de Deus, espalhados pelo mundo” (Cf. Jo 11, 52).

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“O MUNDO RELIGIOSO DE HOJE CARECE DE CRÍTICA E DE ANÁLISE”

Fiéis participam da Marcha para Jesus em Brasília, em agosto deste ano.MARCELLO CASAL JR (AGÊNCIA BRASIL

Por Juan Arias /El País

O mundo religioso de hoje carece de crítica e de análise, e lhe sobra credulidade e desejo de ler os textos sagrados à luz dos nossos dias

A rocambolesca história de como a Igreja Católica escolheu os quatro evangelhos cristãos

O Brasil é o lugar do mundo com o maior número de católicos. Se acrescentarmos a eles mais de 40 milhões de evangélicos, pode-se dizer que é um país maciçamente cristão e, contra a tendência mundial, com um número cada vez menor de agnósticos. Para esses milhões que abraçam a fé cristã, a Bíblia e os evangelhos são textos fundamentais. Principalmente os quatro evangelhos, que só aparecem nas Bíblias católicas e protestantes, se tornaram uma matéria fundamental. Daí que o nome de Jesus, o judeu fundador do cristianismo, seja usado e abusado no Brasil pelo mundo político e pelos fiéis menos cultos.

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MARIA MADALENA ERA “UMA MULHER RICA”, NÃO UMA PROSTITUTA

Postado por Valentin FerreiraInvestigação em jazida na cidade de Magdala revela informações que ajudam a reconstruir seu perfil

Maria Madalena foi “uma mulher rica, influente e crucial” na vida de Jesus Cristo. Esta é uma das conclusões da pesquisadora Jennifer Ristine em Mary Magdalene: Insights From Ancient Magdala (“Maria Madalena, percepções da antiga Magdala”), um livro lançado em 22 de julho que busca revelar os mistérios da mulher que a Igreja Católica tachou durante séculos como adúltera e prostituta. A integração das referências bíblicas e históricas com os recentes descobrimentos arqueológicos feitos na cidade de Magdala (atual Migdal, Israel), onde se acredita que nasceu, permitiram a Ristine reconstruir parte de seu perfil.

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