ENCICLOPÉDIA DA IGNORÂNCIA

Em cenário nacional repleto de falsos profetas, pastores e gestores, de cínicos salvadores da pátria

Por Eleonora Santa Rosa*

Em dias de surpreendente despudorada exibição de preconceito racial, inveja infinita, tacanhice avassaladora, simploriedade acachapante, virulência verbal crescente, assédio moral e sexual à mancheia; em cenário nacional repleto de falsos profetas, pastores e gestores, de cínicos salvadores da pátria, de falsários, de intelectuais de araque, de delatores perversos e usurpadores de plantão, de malandros, picaretas e preguiçosos, de presunçosos, despreparados e arrogantes de prepotência estarrecedora, lembrei-me de um artigo de Augusto de Campos, um dos mais fundamentais e importantes poetas, ensaístas, artistas e criadores de nosso país –  quando do Brasil não sentíamos vergonha, pelo menos não de todo, autor de obra tanto intensa quanto extraordinária, crucial no campo da cultura brasileira nos últimos sessenta anos. O texto intitulado Dialética da Maledicência (1985), uma carta-resposta ao professor e crítico Roberto Schwarz, integra seu livro À Margem da Margem, reunindo artigos selecionados entre 1963 e 1987.

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