“ELE” QUERIA O BRASIL COMO ERA A 50 ANOS ATRÁS, COM FOME. CONSEGUIU.

“O pão de cada dia quem me dá é o lixo. Todo dia, meus filhos e eu vamos para o lixo para comer. Quando o caminhão chega, a gente tem que ser muito ligeira para pegar.” 
A declaração é de uma mulher que disputava restos de alimentos em um caminhão de lixo em Fortaleza – cena que viralizou pelas redes, tornando-se representativa deste momento do país. 
Não foi a única. Noutro caso, um caminhão que transportava restos de carne e ossos era disputado por famílias no Rio de Janeiro. O motorista afirmou ao jornal Extra que, antes, as pessoas buscavam os ossos para os cachorros, mas hoje pedem para si. 

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FOME E DEGRADAÇÃO HUMANA

Lixão da Piçarreira, município de Pinheiro, Maranhão. Foto de João Paulo Guimarães.

Por  LUIZ EDUARDO NEVES DOS SANTOS & FERNANDO EURICO LOPES ARRUDA FILHO*

A luta dos catadores de lixo por condições mais dignas de vida

“Nenhuma praga é tão letal e, ao mesmo tempo, tão evitável como a fome” (Martín Caparrós, A fome, p. 11).

Como é sabido, o Brasil é um dos países mais desiguais do planeta, a concentração de riqueza e renda tem aumentado bastante, mesmo em um cenário pandêmico, enquanto a situação de pobreza e extrema pobreza são onipresentes e não param de se expandir no território do país. Segundo dados do IBGE, 52 milhões de brasileiros se encontram nesta situação, são homens e mulheres desempregadas ou subempregadas, sobrevivendo em lugares insalubres e habitações precárias, sem acesso à serviços básicos de Saúde e Educação, sem Assistência Social, invisibilizados pelo Estado e pela sociedade e em situação de grave insegurança alimentar, um verdadeiro “museu da exploração humana”, como bem definiu Mike Davis em seu Planeta Favela. Tal contingente populacional é composto, em sua maioria, por pessoas pretas e pardas (73%), um doloroso retrato de uma sociedade que ainda possui fortes marcas da escravidão.

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COMO A FOME VIVIDA NO ÚTERO E NA INFÂNCIA PREJUDICA O CORPO POR DÉCADAS

Criança com fome durante o ‘hongerwinter’ holandês; é nas crianças e nos bebês no
útero que os efeitos são mais preocupantes

Por Paula Adamo Idoeta/ BBC News Brasil

Uma tragédia humanitária vivida sob o nazismo, em um dos países atualmente com um dos melhores indicadores de desenvolvimento humano do mundo, tem desde então trazido lições ao mundo a respeito dos impactos da fome extrema sobre bebês que ainda nem tinham nascido.

Era o inverno de 1944 na Holanda, que na época estava parcialmente ocupada pela Alemanha nazista.

Durante meses, as tropas alemãs bloquearam o suprimento de comida para grandes partes do território holandês, deixando 4,5 milhões de pessoas em situação de fome extrema.

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CONSUMO DE PÉ DE GALINHA EM ALTA E OUTROS 5 DADOS QUE REVELAM O RETRATO DA FOME NO BRASIL

São 19 milhões de brasileiros passando fome, uma em cada três crianças anêmicas e um
auxílio emergencial médio que só compra 38% da cesta básica.

Da BBC BRASIL

Primeiro, foi a fila quilométrica em um açougue de Cuiabá, no Mato Grosso — maior Estado produtor e exportador de carne bovina do país —, para receber ossos. Depois, cariocas garimpando restos em um caminhão de ossos e pelancas descartadas por supermercados.

E assim, dia após dia, as imagens da fome vão voltando ao noticiário nacional.

Eram 19,1 milhões de brasileiros com fome em 2020, segundo dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan).

Em relação a 2018 (10,3 milhões), são quase 9 milhões de pessoas a mais nessa condição.

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FILA DO OSSO RETRATA O BRASIL QUE EMPOBRECE SOB UM GOVERNO INSANO… E GENOCIDA.

Em Cuiabá, a capital de Mato Grosso e do milionário agronegócio brasileiro, uma fila se forma na rua lateral do Atacadão da Carne antes das 9h desta quarta-feira. O açougue é conhecido pelo preço “mais em conta”. Mas na última semana ganhou uma involuntária fama nacional justamente por causa dessa fila, onde centenas de pessoas esperam horas debaixo do sol quente, sentados na calçada, até que uma porta lateral se abra às 11h e um funcionário comece a distribuição do que restou da desossa do boi. São, de fato, ossos com resquícios da carne vendida e que servem de uma improvisada fonte de proteína da população mais humilde. “É a maior felicidade a gente conseguir um ossinho aqui, porque está feia a crise! Eu estou desempregado e não tem para onde a gente recorrer. Faz tempo que eu não como carne, se não fosse o ossinho. Tudo está caro!”, conta Joacil Romão da Silva, de 57 anos.

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