FOME E DEGRADAÇÃO HUMANA

Lixão da Piçarreira, município de Pinheiro, Maranhão. Foto de João Paulo Guimarães.

Por  LUIZ EDUARDO NEVES DOS SANTOS & FERNANDO EURICO LOPES ARRUDA FILHO*

A luta dos catadores de lixo por condições mais dignas de vida

“Nenhuma praga é tão letal e, ao mesmo tempo, tão evitável como a fome” (Martín Caparrós, A fome, p. 11).

Como é sabido, o Brasil é um dos países mais desiguais do planeta, a concentração de riqueza e renda tem aumentado bastante, mesmo em um cenário pandêmico, enquanto a situação de pobreza e extrema pobreza são onipresentes e não param de se expandir no território do país. Segundo dados do IBGE, 52 milhões de brasileiros se encontram nesta situação, são homens e mulheres desempregadas ou subempregadas, sobrevivendo em lugares insalubres e habitações precárias, sem acesso à serviços básicos de Saúde e Educação, sem Assistência Social, invisibilizados pelo Estado e pela sociedade e em situação de grave insegurança alimentar, um verdadeiro “museu da exploração humana”, como bem definiu Mike Davis em seu Planeta Favela. Tal contingente populacional é composto, em sua maioria, por pessoas pretas e pardas (73%), um doloroso retrato de uma sociedade que ainda possui fortes marcas da escravidão.

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COMO A FOME VIVIDA NO ÚTERO E NA INFÂNCIA PREJUDICA O CORPO POR DÉCADAS

Criança com fome durante o ‘hongerwinter’ holandês; é nas crianças e nos bebês no
útero que os efeitos são mais preocupantes

Por Paula Adamo Idoeta/ BBC News Brasil

Uma tragédia humanitária vivida sob o nazismo, em um dos países atualmente com um dos melhores indicadores de desenvolvimento humano do mundo, tem desde então trazido lições ao mundo a respeito dos impactos da fome extrema sobre bebês que ainda nem tinham nascido.

Era o inverno de 1944 na Holanda, que na época estava parcialmente ocupada pela Alemanha nazista.

Durante meses, as tropas alemãs bloquearam o suprimento de comida para grandes partes do território holandês, deixando 4,5 milhões de pessoas em situação de fome extrema.

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CASO DE MULHER FAMINTA QUE FURTOU EM SUPERMERCADO EXPÕE ONDE ESTÁ O PERIGO

Jânio de Freitas

A Justiça seletiva é velha conhecida da opinião pública

Cuidado. Um perigo não identificado transita pela cidade de São Paulo, se não saiu daí para outros ares hospitaleiros. Sua liberdade de ameaçar o país foi assegurada pelo Superior Tribunal de Justiça. Contra um dos mais aceitos costumes jurídico-sociais, contra o Ministério Público e contra a decisão de uma juíza e seu senso de justiça.

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NOSSA MAIOR AMEAÇA NÃO É O CORONAVÍRUS, É A RIQUEZA

Do Pensar Contemporâneo

Essa é uma das principais conclusões de uma equipe de cientistas da Austrália, Suíça e Reino Unido, que alertou que o combate ao consumo excessivo deve se tornar uma prioridade. Seu relatório, intitulado Scientists ‘Warning on Affluence, explica que a verdadeira sustentabilidade exige mudanças significativas no estilo de vida , em vez de esperar que o uso mais eficiente dos recursos seja suficiente.

“Não podemos confiar apenas na tecnologia para resolver problemas ambientais existenciais – como mudança climática, perda de biodiversidade e poluição”, escreve o principal autor do relatório, Professor Tommy Wiedmann, da University of New South Wales Engineering, em um artigo da Phys.org. “Também temos que mudar nosso estilo de vida afluente e reduzir o consumo excessivo, em combinação com mudanças estruturais.”

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RELATÓRIO DA FAO(ONU) CONSTATA QUE MAIS DE 700 MILHÕES DE PESSOAS PASSARAM FOME EM 2020.

Uma menina iemenita em um acampamento para deslocados perto de Marib, região devastada pela guerra (Nabil Alawzari/AFP)

A fome no mundo cresceu em 2020. De acordo com o relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) sobre o Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo em 2021, divulgado nesta segunda-feira (12), entre 720 e 811 milhões de pessoas enfrentaram a fome no ano passado, aumentando o indicador de forma significativa pela primeira vez em cinco anos.

Percentualmente, o relatório aponta que 9,9% da população mundial esteve submetida a subalimentação em 2020, um patamar similar – mas ainda superior – ao identificado em 2010, quando 9,2% estava sujeita a esta condição.

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