“HOJE, O BRASIL NÃO TEM PROJETO NEM VISÃO DE FUTURO”, DIZ MÁRCIO POCHMANN

Para o professor da Unicamp, o neoliberalismo dirige o país na contramão do mundo
onde estatais voltam a ser importantes

Do Brasil de Fato

Gaúcho de Venâncio Aires, o economista Márcio Pochmann, 59 anos, diz que o Brasil sofre hoje do que chama “curtoprazismo”, praticado pela União e por governos como o do Rio Grande do Sul. “São governos que conseguem olhar, no máximo, o hoje ou as eleições do ano que vem”, diagnostica. Não há projeto nacional nem visão de futuro. Repara que o país liquida suas empresas públicas sob o argumento de que o setor privado fará melhor seu serviço, alavancando a economia nacional.

Porém, cinco anos após o mandato Temer mover seu rolo compressor contra as estatais, política seguida fielmente por Bolsonaro, isto não aconteceu. O Brasil parou e encolheu. Está mais empobrecido e com quase 15 milhões de desempregados. E na contramão do planeta. “As estatais, em 2005, respondiam por 5% das 500 maiores empresas do mundo. Em 2020, 47% das 500 maiores empresas do mundo são estatais”, ilustra.

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O CUSTO DE VIDA. QUE VIDA?

Demora. Mas, devagarzinho, o povo vai acordando: O Datafolha me informa que 69% dos brasileiros acreditam que a economia piorou nos últimos meses. Em 2019, primeiro ano do governo do sujeito, eram 19%.  E não precisa ter estudado em Harvard (aliás não precisa ter estudado em lugar nenhum…) pra perceber isso.    Qualquer dona de casa, qualquer assalariado, qualquer desempregado “sente no bolso”: Comida, combustíveis, gás, luz.. tudo com preço nas alturas.    

O resultado do levantamento é um espelho da administração neoliberal do “posto Ipiranga”. Ele vendeu para as elites essa promessa de “economia livre” e as elites convenceram o povão a votar no sujeito. Mas essa conta não é tão simples. Bota aí o “carisma” do Messias junto ao povaréu. Se apresentando como uma pessoa “simples” (“tsc…tsc…tsc…”), enganou metade do país. Ou um pouco mais, já que saiu vencedor da eleição…

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NÃO HOUVE ARREGO E NEM ERA GOLPE

IMAGEM: Marina Gusmão, Cobra doce.

Por JULIAN RODRIGUES* / Do site A terra é redonda

O impeachment está fora do cenário imediato e a terceira via se enfraquece.

O 7 de setembro bolsonarista nunca foi verdadeiramente o dia de tomar a sede do STF ou decretar estado de sítio. Até porque, o golpe já foi dado – começou em 2016. Desde lá, vivemos um coup encours, um putsch in progress. Bolsonaro nunca escondeu seu objetivo de fechar o regime.

Bolsonaro já está no governo. E os militares também. Para que dar um golpe agora? Quem impediria um golpe bolsonarista? As Forças Armadas – que majoritariamente apoiam o ex-capitão? Ele segue tendo maioria na Câmara e não está preocupado com o agora, mas sim com 2022. Não é um governo “normal”; mas disruptivo – blefa, ameaça, alardeia golpe todo dia.

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