400 MIL PERDAS NO BRASIL: POR QUE PARECE QUE NORMALIZAMOS A MORTE

ENTERRO DE VÍTIMA DE COVID-19 EM CEMITÉRIO DE SÃO PAULO

Do Nexo Jornal

Psicóloga analisa o impacto que a necessidade diária de sobrevivência e a tragédia como pauta constante têm no cotidiano

O Brasil chegou na quinta-feira (28) à estarrecedora marca de 400 mil mortos por covid-19. O país atingiu o número apenas 34 dias depois de chegar a 300 mil óbitos. Ass estatísticas são assombrosas e o impacto cotidiano se sente nas recorrentes notícias de falecimentos na família, entre amigos ou nos posts de conhecidos nas redes sociais. O tema “morte” não sai da pauta.

Ao mesmo tempo, como que em uma realidade paralela, milhões de pessoas por todo o país continuam a optar por levar uma vida normal. Desafiam barreiras sanitárias em praias, se aglomeram em bares, postam fotos festivas no Instagram e circulam no espaço público sem máscaras.

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O MENTIROSO ACREDITA NA PRÓPRIA MENTIRA

Por Bernardo Carvalho

Negacionismo serve tanto para subestimar uma pandemia como para inflamar a histeria antivacina ou culpar indígenas pela devastação da floresta

O negacionismo é a incapacidade de encarar a morte, ao mesmo tempo que a promove. Há diversas maneiras de promover a morte, e negá-la ainda é uma das mais eficientes e perversas, porque supõe a cumplicidade das vítimas.

Serve tanto para subestimar uma pandemia como para inflamar a histeria antivacina ou culpar indígenas pela devastação da floresta, depois de incentivar grileiros, garimpeiros e madeireiros ilegais a invadi-la, e fazendeiros a queimá-la.

O negacionista é um agente da morte, cúmplice ou associado, consciente ou não, incapaz de encarar os fatos. A morte dos outros é a recusa da sua.

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