ASSIM CHEGAMOS À ERA DO FUTILITARISMO

Imagem: Enrico Robusti

Neoliberalismo desmantela argumento de que a busca das vantagens individuais sempre resultará no bem comum e valoriza lógica de ações e emoções que não prestam para nada. Parte da juventude sai em busca de uma vida com sentido

Por Por Neil Vallelly no Roar Magazine | Tradução: Vitor Costa / Fonte:

Do Site Outras Palavras

Durante séculos, economistas e filósofos teorizaram o valor da utilidade: como ela molda a divisão do trabalho, como influencia a escolha do consumidor e contribui para as concepções de boa vida ou de bem comum. Filósofos utilitaristas, como Jeremy Bentham e John Stuart Mill, afirmavam que maximizar a utilidade – a capacidade de um objeto de causar prazer ou reduzir a dor – era o ingrediente mágico da felicidade. Economistas, dos clássicos aos neoclássicos e neoliberais, conceberam indivíduos e consumidores como “maximizadores de utilidade” racionais, e Karl Marx afirmava que “nada pode ser um valor sem primeiro ser um objeto de utilidade”.

Continue Lendo

COMO A FOME VIVIDA NO ÚTERO E NA INFÂNCIA PREJUDICA O CORPO POR DÉCADAS

Criança com fome durante o ‘hongerwinter’ holandês; é nas crianças e nos bebês no
útero que os efeitos são mais preocupantes

Por Paula Adamo Idoeta/ BBC News Brasil

Uma tragédia humanitária vivida sob o nazismo, em um dos países atualmente com um dos melhores indicadores de desenvolvimento humano do mundo, tem desde então trazido lições ao mundo a respeito dos impactos da fome extrema sobre bebês que ainda nem tinham nascido.

Era o inverno de 1944 na Holanda, que na época estava parcialmente ocupada pela Alemanha nazista.

Durante meses, as tropas alemãs bloquearam o suprimento de comida para grandes partes do território holandês, deixando 4,5 milhões de pessoas em situação de fome extrema.

Continue Lendo

O QUE UM PADEIRO DE POMPEIA PODE NOS ENSINAR SOBRE A FELICIDADE

BBC/AT LAND PRODUCTIONS/LION TV/CATERINA TURRONI
  • Por Nadejda Williams / The Conversation*/ BBC Brasil

Apesar de uma pandemia que mudou radicalmente a vida de bilhões de pessoas, o “Relatório da Felicidade Mundial” indica que ela, a felicidade, permanece estável no mundo, um testemunho da resiliência da raça humana.

Como estudante do mundo clássico, as discussões sobre felicidade que costumam ocorrer em meio a crises pessoais ou sociais como a que vivemos não me parecem novidade.

Hic habitat felicitas ou “A felicidade mora aqui”, proclama uma inscrição encontrada em uma padaria de Pompeia, cerca de 2 mil anos depois que seu dono viveu e provavelmente morreu na erupção do vulcão Vesúvio, que destruiu a antiga cidade romana no ano 79.

O que felicidade significava para aquele padeiro pompeiano?

Continue Lendo

EM LIVRO, A HISTÓRIA DE MULHERES JUDIAS QUE LUTARAM CONTRA O NAZISMO

Duas mulheres da resistência capturadas pelos nazistas na invasão ao gueto de Varsóvia em 1943 (DW)

Do D.W.

É um dia frio de inverno, em fevereiro de 1943, no gueto judeu de Bedzin, uma cidade na Polônia ocupada pela Alemanha nazista. Em meio a casas superlotadas impõe-se um edifício especial: o coração da organização juvenil de judeus Freiheit (liberdade, em alemão) e sede da resistência judaica contra os nazistas.

Mulheres e homens estão ali reunidos para tomar uma decisão memorável. Eles conseguiram obter documentos que lhes permitiram contrabandear algumas pessoas para fora dos territórios ocupados. Deveria então a líder do grupo, a judia polonesa Frumka Plotnicka, usar esses documentos para viajar até Haia e representar a comunidade judaica perante o Tribunal Penal Internacional (TPI)?

Continue Lendo

ESCRAVIDÃO, A ORIGEM DO RACISMO

Negro castiga negro: aberração da herança de ódio deixada pela colonização portuguesa

Por Donatella Di Cesare*

Hoje não se pode ignorar a dupla condenação que atingiu o racismo: a da ética, que em Nuremberg pronunciou um juízo inapelável, e a da ciência, que indicou que a “raça” nada mais é do que uma invenção. O resultado evidente dessa dupla condenação está na transformação em tabu da palavra “raça” que, tornando-se suspeita, é sistematicamente evitada e só aparece entre aspas, para se tomar distância dela. Não é por acaso que muito poucos admitem ser “racistas”.

Continue Lendo