O FANTASMA DE ALFRED DREYFUS, UM INOCENTE.

Alfred Dreyfus

Por Weiller Diniz

Há 130 anos a França condenava o capitão Alfred Dreyfus, sentenciado pelo crime de alta traição, acusado falsamente de repassar informações militares aos inimigos alemães. Dreyfus é referência mundial para simbolizar o terror de Estado e a perseguição a inocentes, mais que o próprio Herodes da era bíblica. A condenação foi uma conspiração grotesca que demandou 12 anos para ser desconstruída diante das reiteradas negativas e muitas chicanas dos algozes militares para eclipsar a injustiça.

A nova leva de diálogos atribuídos a Sérgio Moro e aos procuradores da Lava Jato nos remete a essa infame mácula da arbitrariedade. Deles jorram ilegalidades com odores pútridos e é exposto um conjunto estarrecedor de conspirações que violaram a ordem jurídica, o Estado Democrático de Direito e massacraram a sagrada defesa. Com a cruz nas mãos e o diabo no coração, corromperam a base republicana que fingiam defender.

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DO CULTO AO EU À PASSIVIDADE SOCIAL

Imagem: Hariton Pushwagner, em seu livro “Soft City’

Por Rosangela Ribeiro e Manuella Soares entrevistando Nora Merlin

Psicanalista argentina investiga causas subjetivas da indiferença diante do ataque aos direitos. Para ela, neoliberalismo propõe trocar ação política por liberdade individual inatingível. E oferece, diante do fracasso, angústia, culpa e medo

I – Vida e arte

Em qual encruzilhada estamos? O que nos pode salvar ou destruir por completo? Essas são algumas indagações que nos levaram a pesquisar o quanto o neoliberalismo não é apenas um modelo econômico, mas uma prisão de subjetividades. Por que repetimos o que não é bom para nós e defendemos o que nos prejudica?

O cineasta inglês Ken Loach, tão perspicaz em “auscultar” a sociedade capitalista, parodia os tempos atuais, magistralmente, em seu mais recente trabalho Sorry we missed you. Estamos lá, na aflição do ex-operário da construção civil, desalentado pelo desemprego, buscando uma salvação de vida para ele e sua família. É emblemático o diálogo que inicia a película entre Ricky Turner, a voz de quem perdeu a credulidade no sistema, e Gavin Maloney, a fala de quem aderiu à lógica neoliberal do “empreendedor de si” prometida por uma plataforma de entregas.

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A RETÓRICA ANTICOMUNISTA

Imagem: Hamilton Grimaldi

Do anticomunismo ao antipetismo

 Por CARLA TEIXEIRA*

A história nos mostra que cedo ou tarde, no Brasil, o golpe contra os governos trabalhistas sempre vem

No Brasil, o desenvolvimento industrial e urbano foi acompanhado pelo crescimento e a organização das classes populares. Os anos 1960 marcaram o ponto de inflexão no conflito instalado entre suas demandas, que pediam a ampliação de direitos (de votar, de ser eleito, educação, saúde, reforma agrária, urbana, política etc.), e os setores conservadores que buscavam a manutenção de sua hegemonia política, econômica e social. A Guerra Fria inflou o velho discurso anticomunista e avolumou os ânimos, alargando uma cultura política disseminada e internalizada junto à sociedade brasileira ao longo de décadas. Atribuiu-se aos comunistas uma posição de força muito maior que a real.

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SOPHIA LOREN VOLTA A ATUAR E INTERPRETA SOBREVIVENTE DO HOLOCAUSTO EM “ROSA E MOMO”

A sobrevivente do Holocausto e o menino refugiado: Sophia Loren como Madame Rosa e Ibrahima Gueye como Momo (Netflix)

Uma simples frase encerrando os créditos finais da produção cinematográfica Rosa e Momo (La vita davanti a sé) indica circunstâncias difíceis durante sua realização: “Este filme foi produzido durante a pandemia de Covid-19 em 2020. O diretor e os produtores agradecem a todos os envolvidos por ele se tornar uma realidade.”

O roteiro e a direção de Rosa e Momo ficaram a cargo de Edoardo Ponti, 47 anos, filho mais novo de Sophia Loren. Desde 1957, ela esteve casada com seu pai, Carlo Ponti, falecido em 2007.

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TAIGURA: O CANTOR MAIS CENSURADO PELA DITADURA

Taiguara teve cerca de 70 músicas censuradas pela ditadura militar, sendo o cantor mais censurado durante o período da ditadura militar. Durante o fim dos anos 60 e começo dos anos 70, o cantor fez bastante sucesso com músicas como “Universo Do Teu Corpo”, “Hoje”, “Que As Crianças Cantem Livres”, “Helena, Helena, Helena”, entre tantas outras, além de seu disco “Imyra, Tayra, Ipy” é considerado como um dos discos mais criativos de toda a música brasileira.

Por Bruno Ascari / You Tube

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