O QUE UM PADEIRO DE POMPEIA PODE NOS ENSINAR SOBRE A FELICIDADE

BBC/AT LAND PRODUCTIONS/LION TV/CATERINA TURRONI
  • Por Nadejda Williams / The Conversation*/ BBC Brasil

Apesar de uma pandemia que mudou radicalmente a vida de bilhões de pessoas, o “Relatório da Felicidade Mundial” indica que ela, a felicidade, permanece estável no mundo, um testemunho da resiliência da raça humana.

Como estudante do mundo clássico, as discussões sobre felicidade que costumam ocorrer em meio a crises pessoais ou sociais como a que vivemos não me parecem novidade.

Hic habitat felicitas ou “A felicidade mora aqui”, proclama uma inscrição encontrada em uma padaria de Pompeia, cerca de 2 mil anos depois que seu dono viveu e provavelmente morreu na erupção do vulcão Vesúvio, que destruiu a antiga cidade romana no ano 79.

O que felicidade significava para aquele padeiro pompeiano?

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EM LIVRO, A HISTÓRIA DE MULHERES JUDIAS QUE LUTARAM CONTRA O NAZISMO

Duas mulheres da resistência capturadas pelos nazistas na invasão ao gueto de Varsóvia em 1943 (DW)

Do D.W.

É um dia frio de inverno, em fevereiro de 1943, no gueto judeu de Bedzin, uma cidade na Polônia ocupada pela Alemanha nazista. Em meio a casas superlotadas impõe-se um edifício especial: o coração da organização juvenil de judeus Freiheit (liberdade, em alemão) e sede da resistência judaica contra os nazistas.

Mulheres e homens estão ali reunidos para tomar uma decisão memorável. Eles conseguiram obter documentos que lhes permitiram contrabandear algumas pessoas para fora dos territórios ocupados. Deveria então a líder do grupo, a judia polonesa Frumka Plotnicka, usar esses documentos para viajar até Haia e representar a comunidade judaica perante o Tribunal Penal Internacional (TPI)?

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ESCRAVIDÃO, A ORIGEM DO RACISMO

Negro castiga negro: aberração da herança de ódio deixada pela colonização portuguesa

Por Donatella Di Cesare*

Hoje não se pode ignorar a dupla condenação que atingiu o racismo: a da ética, que em Nuremberg pronunciou um juízo inapelável, e a da ciência, que indicou que a “raça” nada mais é do que uma invenção. O resultado evidente dessa dupla condenação está na transformação em tabu da palavra “raça” que, tornando-se suspeita, é sistematicamente evitada e só aparece entre aspas, para se tomar distância dela. Não é por acaso que muito poucos admitem ser “racistas”.

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NO MÊS DE MAIO DE 1968

Imagem: Marco Buti, Via

Por PAULO EDUARDO ARANTES*

Reflexões sobre os significados dos acontecimentos de 1968.

No Brasil

Acompanhei os acontecimentos de Maio de 1968 na condição de jovem professor de filosofia na faculdade da rua Maria Antônia. Aliás estreante, maio desabou no meu primeiro semestre de magistério. Me apanhou, portanto, de surpresa, ainda inseguro no exercício do novo ofício, morrendo de medo de não estar à altura da confiança dos meus maiores. Contestação naquele clima escolar de acatamento, nem pensar, só mesmo por inércia ou mimetismo. Aliás, contestar o quê? Mesmo as “lideranças”, como se dizia, do movimento por uma Universidade crítica, choviam um pouco no molhado.

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VIVENDO E APRENDENDO

Por Ricardo Coimbra

Eu acho muito engraçado esse discurso “a esquerda só sabe apontar culpados” porque vem justamente dos culpados, né? Essa galera acha que agora a gente precisa esquecer as diferenças, passar uma borracha e seguir em frente. Mas não é bem assim. 
Saber se vamos nos livrar de Bolsonaro não é tão importante quanto saber COMO vamos nos livrar do Bolsonaro. Porque se for pra se livrar do Bolsonaro sem que o pessoal que sustentou esse discurso antiesquerdista patológico que elegeu Bolsonaro mude a conduta, não vai adiantar nada. 

Porque eu não vejo nenhum momento na história recente do Brasil (e vocês podem espernear à vontade) em que a esquerda estivesse tão certa. A esquerda avisou que a Lava Jato era uma empulhação politiqueira. ELA ESTAVA CERTA

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