NO MÊS DE MAIO DE 1968

Imagem: Marco Buti, Via

Por PAULO EDUARDO ARANTES*

Reflexões sobre os significados dos acontecimentos de 1968.

No Brasil

Acompanhei os acontecimentos de Maio de 1968 na condição de jovem professor de filosofia na faculdade da rua Maria Antônia. Aliás estreante, maio desabou no meu primeiro semestre de magistério. Me apanhou, portanto, de surpresa, ainda inseguro no exercício do novo ofício, morrendo de medo de não estar à altura da confiança dos meus maiores. Contestação naquele clima escolar de acatamento, nem pensar, só mesmo por inércia ou mimetismo. Aliás, contestar o quê? Mesmo as “lideranças”, como se dizia, do movimento por uma Universidade crítica, choviam um pouco no molhado.

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VIVENDO E APRENDENDO

Por Ricardo Coimbra

Eu acho muito engraçado esse discurso “a esquerda só sabe apontar culpados” porque vem justamente dos culpados, né? Essa galera acha que agora a gente precisa esquecer as diferenças, passar uma borracha e seguir em frente. Mas não é bem assim. 
Saber se vamos nos livrar de Bolsonaro não é tão importante quanto saber COMO vamos nos livrar do Bolsonaro. Porque se for pra se livrar do Bolsonaro sem que o pessoal que sustentou esse discurso antiesquerdista patológico que elegeu Bolsonaro mude a conduta, não vai adiantar nada. 

Porque eu não vejo nenhum momento na história recente do Brasil (e vocês podem espernear à vontade) em que a esquerda estivesse tão certa. A esquerda avisou que a Lava Jato era uma empulhação politiqueira. ELA ESTAVA CERTA

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O FANTASMA DE ALFRED DREYFUS, UM INOCENTE.

Alfred Dreyfus

Por Weiller Diniz

Há 130 anos a França condenava o capitão Alfred Dreyfus, sentenciado pelo crime de alta traição, acusado falsamente de repassar informações militares aos inimigos alemães. Dreyfus é referência mundial para simbolizar o terror de Estado e a perseguição a inocentes, mais que o próprio Herodes da era bíblica. A condenação foi uma conspiração grotesca que demandou 12 anos para ser desconstruída diante das reiteradas negativas e muitas chicanas dos algozes militares para eclipsar a injustiça.

A nova leva de diálogos atribuídos a Sérgio Moro e aos procuradores da Lava Jato nos remete a essa infame mácula da arbitrariedade. Deles jorram ilegalidades com odores pútridos e é exposto um conjunto estarrecedor de conspirações que violaram a ordem jurídica, o Estado Democrático de Direito e massacraram a sagrada defesa. Com a cruz nas mãos e o diabo no coração, corromperam a base republicana que fingiam defender.

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DO CULTO AO EU À PASSIVIDADE SOCIAL

Imagem: Hariton Pushwagner, em seu livro “Soft City’

Por Rosangela Ribeiro e Manuella Soares entrevistando Nora Merlin

Psicanalista argentina investiga causas subjetivas da indiferença diante do ataque aos direitos. Para ela, neoliberalismo propõe trocar ação política por liberdade individual inatingível. E oferece, diante do fracasso, angústia, culpa e medo

I – Vida e arte

Em qual encruzilhada estamos? O que nos pode salvar ou destruir por completo? Essas são algumas indagações que nos levaram a pesquisar o quanto o neoliberalismo não é apenas um modelo econômico, mas uma prisão de subjetividades. Por que repetimos o que não é bom para nós e defendemos o que nos prejudica?

O cineasta inglês Ken Loach, tão perspicaz em “auscultar” a sociedade capitalista, parodia os tempos atuais, magistralmente, em seu mais recente trabalho Sorry we missed you. Estamos lá, na aflição do ex-operário da construção civil, desalentado pelo desemprego, buscando uma salvação de vida para ele e sua família. É emblemático o diálogo que inicia a película entre Ricky Turner, a voz de quem perdeu a credulidade no sistema, e Gavin Maloney, a fala de quem aderiu à lógica neoliberal do “empreendedor de si” prometida por uma plataforma de entregas.

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A RETÓRICA ANTICOMUNISTA

Imagem: Hamilton Grimaldi

Do anticomunismo ao antipetismo

 Por CARLA TEIXEIRA*

A história nos mostra que cedo ou tarde, no Brasil, o golpe contra os governos trabalhistas sempre vem

No Brasil, o desenvolvimento industrial e urbano foi acompanhado pelo crescimento e a organização das classes populares. Os anos 1960 marcaram o ponto de inflexão no conflito instalado entre suas demandas, que pediam a ampliação de direitos (de votar, de ser eleito, educação, saúde, reforma agrária, urbana, política etc.), e os setores conservadores que buscavam a manutenção de sua hegemonia política, econômica e social. A Guerra Fria inflou o velho discurso anticomunista e avolumou os ânimos, alargando uma cultura política disseminada e internalizada junto à sociedade brasileira ao longo de décadas. Atribuiu-se aos comunistas uma posição de força muito maior que a real.

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SOPHIA LOREN VOLTA A ATUAR E INTERPRETA SOBREVIVENTE DO HOLOCAUSTO EM “ROSA E MOMO”

A sobrevivente do Holocausto e o menino refugiado: Sophia Loren como Madame Rosa e Ibrahima Gueye como Momo (Netflix)

Uma simples frase encerrando os créditos finais da produção cinematográfica Rosa e Momo (La vita davanti a sé) indica circunstâncias difíceis durante sua realização: “Este filme foi produzido durante a pandemia de Covid-19 em 2020. O diretor e os produtores agradecem a todos os envolvidos por ele se tornar uma realidade.”

O roteiro e a direção de Rosa e Momo ficaram a cargo de Edoardo Ponti, 47 anos, filho mais novo de Sophia Loren. Desde 1957, ela esteve casada com seu pai, Carlo Ponti, falecido em 2007.

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