DE LUTERO AOS NEOPENTECOSTAIS: COMO OS EVANGÉLICOS ATRAEM TANTA GENTE?

Congresso na Igreja Avivamento da Fé (Fotos: Marcelo Hide/ Fotos Públicas)

Por Rafael Rodrigues da Costa* / Le Monde Diplomatique

No Brasil, a tese mais conhecida sobre o crescimento evangélico é, evidentemente, o neopentecostalismo, categoria sociológica criada para observar a “nova onda” que teria surgido no interior do movimento evangélico ao final do século XX, mas que ganha força sobretudo a partir dos anos 2000. Entre as suas características principais, estariam a “guerra espiritual”, a “teologia da prosperidade” e a forte presença nos meios de comunicação e na política partidária

Há quinhentos anos, o monge agostiniano Martinho Lutero era excomungado pela Igreja Católica. O episódio era a cena final de uma longa série de conflitos entre a hierarquia da igreja romana e um grupo de revoltosos alemães, que culminou na maior cisão do cristianismo ocidental, a chamada Reforma Protestante.

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O VÍRUS TAMBEM FREQUENTA IGREJAS

Kássio: fé dá direito a morrer mas não a mudar data de prova

Por Fernando Brito

Não se pede ao ministro Kássio Nunes Marques inteligência ou compaixão cristã.

Afinal, aceitou a bênção de um genocida para sentar-se numa cátedra do Supremo Tribunal Federal.

Mas aceite, ao menos, ser apontado como autor, no Sábado de Aleluia, de uma traição a seus próprios princípios.

Há três meses, Kássio votou contra a obrigação de que um governo municipal mudasse a data de um concurso para atender a uma objeção de candidato que, por razões religiosas, alegava não poder fazer prova num sábado.

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PEQUENAS IGREJAS & GRANDES NEGÓCIOS

Endividado? Declare-se extinto e vire uma igreja!

Por Josias de Souza/UOL

As igrejas andam tão preocupadas em reformar os fiéis que não encontram tempo para se reformar. Numa evidência de que Deus já não é full time, os conglomerados religiosos arrancaram do Congresso um perdão tributário estimado em R$ 1,4 bilhão. Fizeram isso sob aplausos de Bolsonaro, cujo governo está endividado até o último fio do seu cabelo, caro contribuinte.

Pela Constituição, são isentas de impostos as receitas amealhadas por igrejas. Entretanto, certas igrejas tornaram-se conglomerados empresariais. Distribuem lucros para pastores e líderes religiosos. A Receita Federal cobrou dessa indústria da fé a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) e a contribuição previdenciária. Daí o passivo de R$ 1,45 bilhão.

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A MEMÓRIA PERIGOSA DE FRANCISCO DE ASSIS

O papa Francisco acena perto de uma estátua de São Francisco de Assis enquanto se encontra com pacientes em um hospital no Rio de Janeiro em 24 de julho de 2013 (Paul Haring/CNS)

São Francisco revelou que o Evangelho não é apenas religioso. É um modo de viver em oposição aos valores de um mundo sem amor. Para Francisco, o Evangelho significou encontrar Cristo nas pessoas mais pobres e testemunhar o amor divino a toda humanidade

Por Marcelo Barros*

Neste domingo, ao celebrar a festa de São Francisco de Assis, o papa Francisco quis ir à colina de onde, há mais de 800 anos, partiu o movimento franciscano. Ali, ele assinou uma encíclica, dirigida a todos os seres humanos. Na carta Todos somos irmãos e irmãs, o papa deixa claro que a vocação fundamental das Igrejas e comunidades cristãs é “reunir na unidade todos os filhos e filhas de Deus, espalhados pelo mundo” (Cf. Jo 11, 52).

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A RELIGIÃO DO MEDO: “DÃO MAIS VALOR AO DIABO QUE A DEUS”

Coppo di Marcovaldo (atribuição), Inferno, mosaico, 1250-70. Batistério de São João, Florença, Itália.

A RELIGIÃO DO MEDO

Muitos cristãos foram educados na religião do medo. Medo do inferno, das chamas eternas, das artimanhas do demônio. E quando o medo se apodera de nós, adverte Freud, transforma-se em fobia. Recurso sempre utilizado por instituições autocráticas que procuram impor seus dogmas a ferro e fogo, de modo a induzir as pessoas a trocar a liberdade pela segurança.

Frei Betto

Quando se abre mão da liberdade, demite-se a consciência crítica, omite-se perante os desmandos do poder, acovarda-se agasalhado pelo nicho de uma suposta proteção superior. Foi assim na Igreja da Inquisição, na ditadura estalinista, no regime nazista. É assim a xenofobia ianque, o terrorismo islâmico e os segmentos religiosos que dão mais valor ao diabo que a Deus, e prometem livrar os fiéis de males através da vulgarização de exorcismos, curas milagrosas e outras panaceias para enganar os incautos.

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