O ESTADO DE EXCESSÃO E A IMPUNIDADE DE REBANHO

Ao desejar a imunidade de rebanho da população como tentativa de “renormalização” da economia, impôs-se uma forma de governo baseada na impunidade em rebanho daqueles que servem febrilmente ao presidente

Por Bruno Xavier Martins(*)

A resposta política do governo Bolsonaro à crise deflagrada pelo coronavírus tem vindo das mais variadas formas. Em todas elas, porém, através do ataque às instituições, desprezo ao conhecimento científico, desrespeito às diretrizes dos órgãos de saúde internacionais e criminosa negligência à saúde da população, em especial a dos mais velhos e das populações vulneráveis.

Bolsonaro vem demonstrando a intenção de encontrar uma saída para a crise atual a partir do pânico, criando um espaço político caótico e, assim, cavando possibilidades para o surgimento de “uma forma legal daquilo que não pode ter forma legal”. Nas palavras de Giorgio Agamben, o estado de exceção1.

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EFEITOS DA IMUNIDADE DE REBANHO CONTRA COVID-19 SÃO TEMPORÁRIOS

A imunidade coletiva ocorre quando uma porcentagem significativa de indivíduos fica imune a uma doença transmissível (Nelson Almeida/AFP)

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a imunidade pode acabar em poucos meses

A discussão sobre uma possível imunidade de rebanho voltou a ganhar força após a divulgação de um estudo da Universidade de São Paulo (USP) sobre a redução nos casos da Covid-19 em Manaus, atribuída à possibilidade de 2/3 da população ter sido infectada ao longo da pandemia. O tema ainda é visto com ressalvas por especialistas ouvidos pela reportagem. Eles destacaram que o fenômeno tem efeitos temporários e que ainda não há conclusões se ocorre no Brasil.

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