CARTA PARA A GERAÇÃO DO FIM DO MUNDO

De pouco vale, agora, planejar-se para viver em um mundo à beira da catástrofe. Mais que dinheiro e prestígio, juventude parece apostar na reinvenção de si e do planeta: com saberes ancestrais e tecnologia, feminismo e construção do Comum

Por Débora Nunes / Outras Palavras

É em solidariedade a vocês que hoje vislumbram o mundo adulto com apreensão e se perguntam sobre o futuro, que escrevo esse texto. Peço licença para oferecer minha experiência como professora de História e pesquisadora do futuro, que me fizeram escrever o livro Auroville, 2046. Depois do fim de um mundo. Tenho 55 anos, dois filhos que são jovens adultos e presencio a intensa tomada de consciência da juventude acerca do que nos aguarda, muito antes deles e delas chegarem à minha idade. Os depoimentos são tocantes e a pandemia de covid-19 foi um acelerador dessa antevisão: se um vírus pode fazer o que fez no mundo, imaginem todas as tragédias anunciadas pelos cientistas, como as mudanças climáticas. 

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A GERAÇÃO DOS JOVENS QUE NÃO VERÃO PAÍS NENHUM

IMAGEM: REPRODUÇÃO

Por Vinicius Torres Freire

As projeções de crescimento da economia para o ano que vem começam a cair para a casa do 1%. É apenas chute vagamente informado, mas essa bola deve cair mesmo no pântano em que vivemos faz tempo. Em 2022, bicentenário da Independência, serão nove anos de pobreza piorada. Ainda estaremos colonizados pelos nossos piores monstros.

Imagine-se uma brasileira que teve a boa sorte de terminar a faculdade no último ano antes da catástrofe, em 2013, nos seus 21 anos. “Boa sorte” porque apenas 1 de cada 4 jovens de 18 a 24 anos está no ensino superior ou concluiu este curso. Há quem tenha largado a escola muito antes e terá vida pior. No ano que vem, essa brasileira fará 30 anos. Terá passado a primeira parte de sua vida adulta em um país em destruição. É apenas um símbolo de uma catástrofe duradoura, uma de várias gerações perdidas.

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POR QUE TANTOS JOVENS CONCLUEM ESTUDOS SEM DESENVOLVER VERDADEIRO ESPÍRITO CRÍTICO

Custou muito caro para Sócrates fazer certas pessoas pensarem – GETTY IMAGES

Por Francisco Esteban Barra – The Conversation* – BBC Brasil

A história conta que Sócrates era conhecido entre seus concidadãos como “a mosca de Atenas”. Diz-se também que ficou encantado com o apelido porque o descrevia muito bem: sua missão era provocar as pessoas por meio de perguntas e explicações que incomodavam e, sobretudo, faziam despertar.

Custou muito caro ao grande filósofo grego fazer pensarem certas pessoas que, na verdade, preferiam continuar dormindo. E decidiram que essa “mosca” que não parava quieta deveria tomar cicuta.

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“OS SETE DE CHICAGO”: A FARSA DA FALSA JUSTIÇA

Créditos da foto: (Divulgação)

Filme documentário dramatizado, imperdível, é estréia internacional neste momento crucial das eleições nos EUA

Quem já era adulto em 1968 deve bem lembrar do julgamento indecoroso que um juiz parcial e submisso presidiu, em Chicago, condenando, de uma só vez, sete lideranças de diversos movimentos jovens, de protesto pacífico, que abalavam as ruas da cidade e do país, indignados sobretudo com os 125 mil soldados, jovens americanos entre 18 e 24 anos, convocados e que se encontravam no Vietnã para morrer.

O juiz Julius Hoffman passou à história como um magistrado incompetente, covarde e venal. Mas uma das grandes estrelas do julgamento, que durou 23 meses e abalou o país com repercussão no mundo inteiro, foi o então ex-procurador geral dos Estados Unidos, Ramsey Clark, democrata liberal hoje com 92 anos, que advoga no Texas. Na época, ele aceitou depor como testemunha da defesa e denunciou o presidente do país.

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IMPACTO NA SAÚDE MENTAL SERÁ SEQUELA MAIS DEVASTADORA QUE A PANDEMIA.

Suicídios estão longe de ser provocados só por dilemas existenciais e filosóficos insolúveis, como ainda há quem pense

Por Drauzio Varella / Folha

Transtornos psiquiátricos serão as sequelas mais prevalentes da epidemia.

Embora o vírus possa provocar complicações tardias pulmonares, cardíacas, vasculares, renais, musculares e cerebrais, entre outras, o impacto na saúde mental será mais devastador, justamente por afetar uma área já problemática antes da pandemia.

Anos atrás, a OMS (Organização Mundial da Saúde) previu que depressão se tornaria a principal causa de absenteísmo nas empresas, a partir da década de 2020. Os trabalhadores faltariam mais por crises depressivas do que por dores na coluna, gripes e resfriados. No mercado financeiro de São Paulo, a previsão se confirmou antes de 2020.

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