LEILA SLIMANI: ” QUANTO MAIS VOCÊ PROGRIDE NA HIERARQUIA SOCIAL, MAIS BRANCA VOCÊ PARECE AOS OLHOS DOS BRANCOS”

A escritora Leïla Slimani, retratada em sua casa em Paris em fevereiro.
A escritora Leïla Slimani, retratada em sua casa em Paris em fevereiro. MANUEL BRAUN

Após o sucesso de ‘Canção de Ninar’, a escritora franco-marroquina publica ‘O País dos Outros’, uma saga inspirada na história de seus avós nos tempos coloniais com a que indaga sobre a “a maldição da mestiçagem”

Após ganhar o Prêmio Goncourt com Canção de Ninar, análise sociológica do clássico da babá assassina e fenômeno internacional traduzido a 44 línguas, Leïla Slimani (Rabat, 1981) abre com Le Pays des Autres (O País dos Outros, sem tradução ao português) uma nova trilogia sobre a história de sua família. A protagonista é Mathilde, um personagem inspirado em sua avó, uma jovem alsaciana no Marrocos colonial de 1946. Slimani, que mora na França desde os 17 anos, escreve sobre o drama silencioso que conhece de primeira mão: a condição de ser outro.

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“AS PESSOAS NÃO DEBATEM CONTEÚDO, APENAS RÓTULOS…A MINHA ALMA TEM PRESSA” Por Mario de Andrade

Postado por Blog do Valentin]

Nós todos sabemos que a vida muitas vezes não é longa o suficiente para viver tanto quanto gostaríamos, mas muitas vezes, além disso, não somos capazes de valorizar o que temos, o que vemos, desperdiçamos tempo com coisas que não merecem, não porque sejam irrelevantes, mas porque nosso coração não está nelas.

Mário de Andrade nos deixa um lindo poema (O valioso tempo dos maduros), que nos mostra uma bela apreciação da vida, que se conseguirmos nos inspirar nele, podemos sem dúvida dar muito mais valor a cada segundo com esse presente que chamamos vida. Leia e reflita:

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SARAMAGO: A CEGUEIRA SOCIAL E O DEVER MORAL DOS QUE ENXERGAM

Postado por Blog do Valentin

José Saramago foi um dos maiores intelectuais que nós tivemos nos últimos tempos. Era também um dos maiores críticos da sociedade. Em seu livros Ensaio sobre a Cegueira, lançado em 1995, ele nos deu uma obra prima.

O livro não se trata da cegueira física como nós conhecemos, Saramago usava suas personagens para fazer uma crítica ácida a sociedade, principalmente no que diz respeito à cegueira moral.

Ele deu o nome de “cegueira branca’, no decorrer do livro  ele discorre sobre assuntos polêmicos e delicados, já que se trata da “patologia”, como uma das piores doenças humanas.

O termo “cegueira branca” é usado pelo autor para representar o egoísmo, a imparcialidade, o medo, a covardia, a raiva e outros sentimentos que cegam o ser humano e o levam à perdição. As personagens não possuem nomes, características físicas nem comportamentais. Saramago tem uma linguagem muito singular, se você nunca leu nenhum livro dele poderá ter alguma dificuldade no início, pois ele usa poucas virgulas, pontos e parágrafos.

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“A POESIA SALVA OS MOLEQUES”, diz menino poeta da zona leste

Postado por Valentin Ferreira

Uma professora na zona leste de São Paulo decidiu apresentar literatura para os alunos. Os poetas ali não estão nos livros escolares, mas nas ruas. Moravam no bairro, eram artistas das periferias e, principalmente, estavam vivos, ao invés de apenas no passado.

Foi naquela aula de história, na escola municipal Professora Wanny Salgado Rocha, que Isaac Quaresma, 14, conheceu a poesia. Morador de Cidade A.E. Carvalho, na zona leste da capital, ele começou a frequentar os saraus do bairro e a conhecer mais pessoas que falavam, de maneira rimada, sobre coisas que ele também vivia.

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A NOSSA VITÓRIA DE CADA DIA, Por Clarice Lispector

Postado por Valentin Ferreira / Do Citador.ptImagem: Reprodução

A Nossa Vitória de Cada Dia / Clarice Lispector

Olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceite o que não se entende porque não queremos passar por tolos.

Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. 

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O EGOÍSMO PESSOAL TAPA TODOS OS HORIZONTES, Por José Saramago

Postado por Valentin Ferreira / Do CitadorResultado de imagem para imagem jose saramago
O Egoísmo Pessoal Tapa Todos os Horizontes
O mal e o remédio estão em nós. A mesma espécie humana que agora nos indigna, indignou-se antes e indignar-se-á amanhã. Agora vivemos um tempo em que o egoísmo pessoal tapa todos os horizontes. Perdeu-se o sentido da solidariedade, o sentido cívico, que não deve confundir-se nunca com a caridade. É um tempo escuro, mas chegará, certamente, outra geração mais autêntica. Talvez o homem não tenha remédio, não tenhamos progredido muito em bondade em milhares e milhares de anos sobre a Terra. Talvez estejamos a percorrer um longo e interminável caminho que nos leva ao ser humano. Talvez, não sei onde nem quando, cheguemos a ser aquilo que temos de ser. Quando metade do mundo morre de fome e a outra metade não faz nada… alguma coisa não funciona. Talvez um dia!

José Saramago, in ‘La Verdade (1994)’

Fonte: Citador
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