O QUE LIMA BARRETO PODE ENSINAR AO BRASIL DE HOJE

Por Valentin Ferreira /   da Carta Educação/Carta Capital
Autor será homenageado pela 15ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, que começa nesta quarta

Por Denilson Botelho(*)

Em sua 15ª edição, pela primeira vez a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) homenageia em 2017 um escritor negro. A escolha de Lima Barreto é muito significativa para um país que se debate de forma conflituosa com a herança secular da escravidão. A polêmica sobre a relevância e a pertinência da adoção de cotas, entre outras ações afirmativas, é um indicador do quanto o racismo continua fazendo vítimas entre nós. Por isso, a homenagem ao escritor cumpre uma indiscutível função pedagógica.

Lima Barreto (1881-1922) viveu numa época de transições. No seu aniversário de sete anos, viu a abolição ser festejada em praça pública na companhia do pai, registrando as lembranças do episódio em seu Diário íntimo. No ano seguinte, em 1889, viu a monarquia dar lugar à república. E passou a juventude e o resto de sua curta existência – faleceu aos 41 anos – enfrentando os desafios de ser negro num país que aboliu a escravidão, mas não fez com que a liberdade viesse acompanhada dos direitos de cidadania pelos

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“NÃO PRECISAMOS DE MAIS TEMPO. PRECISAMOS DE UM TEMPO QUE SEJA NOSSO”, por Mia Couto

Por Valentin   Ferreira / do Pensar Contemporâneo

Mia Couto, escritor moçambicano notável por sua prosa poética, cuja força das palavras faz ressurgir em nós o ímpeto de sonhar, nasceu e foi escolarizado na Beira, cidade capital da província de Sofala, em Moçambique – África.

Autor de uma obra literária extensa e diversificada, incluindo poesia, contos, romance e crônicas, Mia tem sido bastante festejado nos últimos anos, tanto no Brasil quanto mundo, tendo sido o ganhador, em 2013, do prêmio Camões, o mais importante da literatura em língua portuguesa.

Além de escritor, Mia é biólogo e ativista político, tendo participado da luta pela independência do seu país na década de setenta.

No vídeo abaixo Mia pondera sobre a velocidade característica do mundo contemporâneo, “uma espécie de corrida infrutífera para não ficarmos desatualizados”, que torna tudo efêmero, vazio. “Como é que isso aconteceu?”, se questiona para em seguida responder: “eu acho que foi uma coisa que se chama Mercado”. Confira na íntegra:

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QUE HUMANIDADE É ESTA? por José Saramago

Por Valentin Ferreira / do Citador.pt

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Que Humanidade é Esta?  – José de Souza  Saramago

Se o homem não for capaz de organizar a economia mundial de forma a satisfazer as necessidades de uma humanidade que está a morrer de fome e de tudo, que humanidade é esta? Nós, que enchemos a boca com a palavra humanidade, acho que ainda não chegámos a isso, não somos seres humanos.
Talvez cheguemos um dia a sê-lo, mas não somos, falta-nos mesmo muito. Temos aí o espetáculo do mundo e é uma coisa arrepiante. Vivemos ao lado de tudo o que é negativo como se não tivesse qualquer importância, a banalização do horror, a banalização da violência, da morte, sobretudo se for a morte dos outros, claro.

Tanto nos faz que esteja a morrer gente em Sarajevo, e também não devemos falar desta cidade, porque o mundo é um imenso Sarajevo. E enquanto a consciência das pessoas não despertar isto continuará igual. Porque muito do que se faz, faz-se para nos manter a todos na abulia, na carência de vontade, para diminuir a nossa capacidade de intervenção cívica.

José Saramago, in ‘Canarias7 (1994)’

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CRÔNICAS INÉDITAS DE JOSÉ DE ALENCAR SÃO LANÇADAS EM LIVRO

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 Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil

Oito crônicas inéditas do escritor cearense José de Alencar (1829-1877), descobertas em 2015 pelo pesquisador Wilton Marques, foram lançadas em livro nessa semana. Ao Correr da Pena (Folhetins Inéditos) é o título da publicação, que tem o mesmo nome do folhetim escrito semanalmente por Alencar, entre os anos de 1854 e 1855, no jornal carioca Correio Mercantil. O lançamento foi feito pela editora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

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MACHADO DE ASSIS, UM GÊNIO AUTODIDATA DA LITERATURA BRASILEIRA

Por: Alberto Lopes :El paisMachado de Assis                                                                                                     Machado de Assis aos 57 anos

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiroem 21 de junho de 1839, numa família humilde. Era filho de dois ex-escravos mulatos alforriados: o pintor de paredes Francisco José de Assis e a lavadeira Maria Leopoldina Machado de Assis. Essa situação marcou toda a sua vida, já que a escravidão só seria abolida no Brasil 49 anos depois do seu nascimento. Ficou órfão quando era muito pequeno e foi criado por sua madrasta, a também mulata Maria Inês, que lhe apresentou e ensinou as primeiras letras.

Machado de Assis enfrentou muitos desafios por ser um mestiço no século XIX, incluindo o acesso limitado à educação formal. Passou pela escola pública, mas sua formação na verdade foi autodidata, já que nunca foi à universidade. Por outro lado, uma grande ambição intelectual o acompanhou por toda a vida. Em um de seus primeiros trabalhos, na padaria de Madame Guillot, aprendeu a ler e a traduzir francês, e quando já estava perto de completar 70 anos quis começar a estudar grego.Com apenas 16 anos.

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ANTÔNIO CÂNDIDO MORRE EM SÃO PAULO AOS 98 ANOS

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O escritor, crítico literário e sociólogo Antônio Cândido morreu à 1h40 da madrugada de hoje (12), em São Paulo, aos 98 anos, e seu corpo está sendo velado no Hospital Albert Einstein, em cerimônia que prossegue até as 17h. O hospital não informou a causa da morte.

Nascido no Rio de Janeiro, em 24 de julho de 1918, o intelectual era professor emérito da Faculdade de Filosofia e Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) e ganhou vários prêmios importantes da literatura como o Jabuti, em duas edições, de 1965 e de 1993; o Juca Pato, em 2007; e o Machado de Assis, em 1993, além do Prêmio Internacional Alfonso Reyes.

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