SISTEMA DE ÓDIO TEM O OBJETIVO DE MATAR GENTE E DESUMANIZAR O RESTO

Publicada nesta quarta-feira, 24 de março de 2021 – André Stefanini/Folhapress

Por Marcelo Coelho

Há cem anos, uma peça de teatro apresentava ao mundo a palavra “robô”. Foi escrita pelo tcheco Karel Capek (1890-1938), e se chamava “R.U.R.” —esta a sigla da empresa que produzia os tais autômatos.

Não eram bem robôs de lata, como víamos nos antigos desenhos animados. Correspondiam mais a androides, feitos de proteína sintetizada em laboratório. A fábrica faz sucesso, liberando a humanidade de qualquer tipo de trabalho.

A palavra “robô” entrou para o vocabulário comum, mas a peça de Capek ficou bem menos conhecida. Não achei tradução para o português e, para dizer a verdade, acho que não faz muita falta.

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O PIOR CEGO É AQUELE QUE VÊ MAS NÃO ENXERGA

O presidente Jair Bolsonaro em Brasília Imagem: Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo

Por Ronilso Pacheco/UOL

É impossível seguir Jesus e se calar sobre Bolsonaro

Não são poucas as igrejas evangélicas e os evangélicos que têm demonstrado apoio irrestrito ou silêncio conivente com o governo bolsonarista. Até aí, estaria tudo bem, porque, gostemos ou não, são escolhas.

Como o campo evangélico é extremamente diverso, é comum a alegação de que evangélicos possuem posicionamentos diferentes e podem sustentar suas posições na Bíblia, porque isso seria uma questão de interpretação. Mas, definitivamente, não se trata de interpretação. A vida de Jesus está lá, nos quatro Evangelhos do Novo testamento para servir de referência.

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DO CULTO AO EU À PASSIVIDADE SOCIAL

Imagem: Hariton Pushwagner, em seu livro “Soft City’

Por Rosangela Ribeiro e Manuella Soares entrevistando Nora Merlin

Psicanalista argentina investiga causas subjetivas da indiferença diante do ataque aos direitos. Para ela, neoliberalismo propõe trocar ação política por liberdade individual inatingível. E oferece, diante do fracasso, angústia, culpa e medo

I – Vida e arte

Em qual encruzilhada estamos? O que nos pode salvar ou destruir por completo? Essas são algumas indagações que nos levaram a pesquisar o quanto o neoliberalismo não é apenas um modelo econômico, mas uma prisão de subjetividades. Por que repetimos o que não é bom para nós e defendemos o que nos prejudica?

O cineasta inglês Ken Loach, tão perspicaz em “auscultar” a sociedade capitalista, parodia os tempos atuais, magistralmente, em seu mais recente trabalho Sorry we missed you. Estamos lá, na aflição do ex-operário da construção civil, desalentado pelo desemprego, buscando uma salvação de vida para ele e sua família. É emblemático o diálogo que inicia a película entre Ricky Turner, a voz de quem perdeu a credulidade no sistema, e Gavin Maloney, a fala de quem aderiu à lógica neoliberal do “empreendedor de si” prometida por uma plataforma de entregas.

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IMPOR A DOR PARA LUCRAR COMO O ALÍVIO

Por Fernando Brito

Boa parte da sociedade brasileira ainda não se deu conta de que, se temos um governo bandido, seus métodos para lidar com a realidade são os criminosos: fazer aquilo que o faça ter mais ganhos, sem limites éticos, morais ou mesmo humanitários.

Não preciso explicitar o modelo histórico que referenda este raciocínio, nein?

Fernanda Brigatti e Tayguara Ribeiro publicam hoje, na Folha, boa reportagem dos os depoimentos de quem está ficando sem o que resta do auxílio-emergencial e sobre o imenso contingente de brasileiros que eles compõem.

Dão nome e rosto a pessoas que são milhões:, 4 em cada 10 brasileiros em idade de trabalhar, ou 67,9 milhões de beneficiários.

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A CORRUPÇÃO NO BRASIL

No Brasil a corrupção foi além das instituições do judiciário e das forças armadas, atacou a própria alma da nação

Por LUIZ AUGUSTO E. FARIA*

A palavra corrupção tem como significado primeiro, no Dicionário Houaiss, deterioração, decomposição física de algo, putrefação. Corrupção é a característica maior da sociedade brasileira desde 2016. Característica esta que foi introduzida na vida nacional por um movimento inicialmente imperceptível porque se apresentava como sua antítese, os processos da Lava Jato. O grupo chefiado por Sergio Moro agiu para corromper a vida política do país tendo como objetivo retirar do poder a articulação então dominante liderada pelo PT.

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A PRIVATIZAÇÃO DA ÁGUA E O DISCURSO DA ESCASSEZ

Eis a tática dos especuladores: amplificar a crise hídrica, culpando o consumidor doméstico. Alegar que, por se tratar de produto escasso e de alto valor, sua gestão deve ser “desestatizada”. Omitir, sempre, o consumo desenfreado do agronegócio

Por Flavio José Rocha

Soa cada vez mais alto o alarme da escassez da água no planeta. O seu som estridente alcança a população global de forma cada vez mais efetiva. Mas, afinal, o que é verídico nestes acordes catastróficos que ouvimos sem cessar nos últimos anos? Será real que logo não teremos água suficiente para todas as pessoas e estaremos envoltos em guerras já anunciadas por artigos, matérias de jornais, reportagens televisivas, documentários e postagens nas redes sociais? É óbvio que há escassez em algumas regiões do planeta. Sempre houve e haverá, e isso não negamos. Não há dúvida, no entanto, que há interesses econômicos por parte daqueles que amplificam o som alarmante da questão da escassez da água. O alarme soa tão ensurdecedor que já começa a abafar qualquer ruído que se contraponha a ele e questione as saídas apontadas para favorecer o Mercado da Água.

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