INFLAÇÃO, HIPOCRISIA E MANIPULAÇÃO

Por Plinio de Arruda Sampaio Jr.

Longe de representar qualquer preocupação efetiva com a situação econômica da classe trabalhadora, a histeria da burguesia em relação a uma suposta ameaça de descontrole inflacionário é hipócrita, mal-intencionada e totalmente descabida. Trata-se de uma iniciativa político-ideológica para manipular o debate público. O objetivo imediato é bloquear qualquer discussão objetiva sobre as verdadeiras causas da inflação e sobre as prioridades que devem reger a política econômica nas eleições de 2022.

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SISTEMA DE ÓDIO TEM O OBJETIVO DE MATAR GENTE E DESUMANIZAR O RESTO

Publicada nesta quarta-feira, 24 de março de 2021 – André Stefanini/Folhapress

Por Marcelo Coelho

Há cem anos, uma peça de teatro apresentava ao mundo a palavra “robô”. Foi escrita pelo tcheco Karel Capek (1890-1938), e se chamava “R.U.R.” —esta a sigla da empresa que produzia os tais autômatos.

Não eram bem robôs de lata, como víamos nos antigos desenhos animados. Correspondiam mais a androides, feitos de proteína sintetizada em laboratório. A fábrica faz sucesso, liberando a humanidade de qualquer tipo de trabalho.

A palavra “robô” entrou para o vocabulário comum, mas a peça de Capek ficou bem menos conhecida. Não achei tradução para o português e, para dizer a verdade, acho que não faz muita falta.

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O PIOR CEGO É AQUELE QUE VÊ MAS NÃO ENXERGA

O presidente Jair Bolsonaro em Brasília Imagem: Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo

Por Ronilso Pacheco/UOL

É impossível seguir Jesus e se calar sobre Bolsonaro

Não são poucas as igrejas evangélicas e os evangélicos que têm demonstrado apoio irrestrito ou silêncio conivente com o governo bolsonarista. Até aí, estaria tudo bem, porque, gostemos ou não, são escolhas.

Como o campo evangélico é extremamente diverso, é comum a alegação de que evangélicos possuem posicionamentos diferentes e podem sustentar suas posições na Bíblia, porque isso seria uma questão de interpretação. Mas, definitivamente, não se trata de interpretação. A vida de Jesus está lá, nos quatro Evangelhos do Novo testamento para servir de referência.

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DO CULTO AO EU À PASSIVIDADE SOCIAL

Imagem: Hariton Pushwagner, em seu livro “Soft City’

Por Rosangela Ribeiro e Manuella Soares entrevistando Nora Merlin

Psicanalista argentina investiga causas subjetivas da indiferença diante do ataque aos direitos. Para ela, neoliberalismo propõe trocar ação política por liberdade individual inatingível. E oferece, diante do fracasso, angústia, culpa e medo

I – Vida e arte

Em qual encruzilhada estamos? O que nos pode salvar ou destruir por completo? Essas são algumas indagações que nos levaram a pesquisar o quanto o neoliberalismo não é apenas um modelo econômico, mas uma prisão de subjetividades. Por que repetimos o que não é bom para nós e defendemos o que nos prejudica?

O cineasta inglês Ken Loach, tão perspicaz em “auscultar” a sociedade capitalista, parodia os tempos atuais, magistralmente, em seu mais recente trabalho Sorry we missed you. Estamos lá, na aflição do ex-operário da construção civil, desalentado pelo desemprego, buscando uma salvação de vida para ele e sua família. É emblemático o diálogo que inicia a película entre Ricky Turner, a voz de quem perdeu a credulidade no sistema, e Gavin Maloney, a fala de quem aderiu à lógica neoliberal do “empreendedor de si” prometida por uma plataforma de entregas.

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IMPOR A DOR PARA LUCRAR COMO O ALÍVIO

Por Fernando Brito

Boa parte da sociedade brasileira ainda não se deu conta de que, se temos um governo bandido, seus métodos para lidar com a realidade são os criminosos: fazer aquilo que o faça ter mais ganhos, sem limites éticos, morais ou mesmo humanitários.

Não preciso explicitar o modelo histórico que referenda este raciocínio, nein?

Fernanda Brigatti e Tayguara Ribeiro publicam hoje, na Folha, boa reportagem dos os depoimentos de quem está ficando sem o que resta do auxílio-emergencial e sobre o imenso contingente de brasileiros que eles compõem.

Dão nome e rosto a pessoas que são milhões:, 4 em cada 10 brasileiros em idade de trabalhar, ou 67,9 milhões de beneficiários.

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