DOIS ANOS DE DESGOVERNO – A INCOMPETÊNCIA AUTO-SATISFEITA

Flávio Aguiar é jornalista, escritor e professor aposentado de literatura brasileira na USP.
Autor, entre outros livros, de Crônicas do mundo ao revés (Boitempo).

Por Flavio Aguiar

Como qualificar a estupidez de nossa mídia “mainstream”, provinciana, carregada de preconceitos?

Há uma pesquisa muito curiosa empreendida por dois psicólogos e professores universitários norte-americanos nos anos 1990, sobre a ignorância ou incompetência auto-satisfeita. Eram eles David Dunning e Justin Kruger, e sua pesquisa levou à formulação do chamado “Efeito Dunning-Kruger”. Basicamente, ele consiste na assertiva de quanto mais uma pessoa é ignorante ou incompetente a respeito de um assunto, pode-se tornar mais difícil o auto-reconhecimento da própria ignorância ou incompetência.

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MILTON SANTOS: COMO SUPERAR O APARTHEID À BRASILEIRA

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Para o Dia da Consciência Negra, memória de uma provocação do geógrafo. Para ele, racismo em nosso país tem indecente peculiaridade: aqui, os carrascos é que são os ressentidos. Escolas podem ser contraponto — por isso, são tão temidas…

Por Milton Santos, no GGN, publicado em 13/05/2001/ Outraspalavras

Há uma frequente indagação sobre como é ser negro em outros lugares, forma de perguntar, também, se isso é diferente de ser negro no Brasil. As peripécias da vida levaram-nos a viver em quatro continentes, Europa, Américas, África e Ásia, seja como quase transeunte, isto é, conferencista, seja como orador, na qualidade de professor e pesquisador. Desse modo, tivemos a experiência de ser negro em diversos países e de constatar algumas das manifestações dos choques culturais correspondentes. Cada uma dessas vivências foi diferente de qualquer outra, e todas elas diversas da própria experiência brasileira.

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OS DANOS IRREVERSÍVEIS DAS FAKE NEWS, Por Eugênio Bucci

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Por Ubiratan Brasil /Via Era da Idiocracia

Foi a filósofa alemã Hannah Arendt (1906-1975) quem primeiro observou com mais detalhes a chamada verdade dos fatos – ou verdade factual, no entender dos jornalistas. No livro Verdade e Política (1967), ela propõe uma reflexão sobre governos que distorcem fatos ao lembrar que a extinta União Soviética simplesmente eliminou de todos os registros históricos a figura de Leon Trotsky, que foi um dos maiores protagonistas da revolução bolchevique.

Com isso, a filósofa mostra como as ditaduras preferem simplesmente eliminar as notícias factuais que as contrariam do que encontrar uma forma para tolerá-las e, muito importante, para conseguir conviver com elas. O raciocínio de Hannah Arendt é o ponto de partida de Existe Democracia Sem Verdade Factual? (Estação das Letras e Cores), livro que o jornalista e professor da ECA-USP Eugênio Bucci lança nesta segunda, 14, em e-book e versão impressa.

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PARA 80% DOS BRASILEIROS, FAKE NEWS INFLUENCIARAM ELEIÇÕES, DIZ PESQUISA

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Quatro em cada cinco brasileiros acreditam que notícias falsas foram disseminadas para influenciar eleições, segundo uma pesquisa realizada pela Transparência Internacional.

Os números constam no Barômetro Global da Corrupção: América Latina e Caribe, divulgado nesta segunda-feira (23) no mundo todo. No Brasil, a pesquisa foi realizada nos primeiros meses do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Foram ouvidas mil pessoas entre fevereiro e abril pelo Instituto Ipsos. A pesquisa tem margem de erro de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de confiabilidade.

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MORO, MÍDIA, MILÍCIAS E MINISTROS DO STF, por Luis Nassif

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Nosso Xadrez ganhou uma complexidade à altura do caos que se instalou no país.

Há quatro personagens diretamente envolvidos com a Lava Jato e, seguramente, fazendo parte do dossiê Intercept: a Lava Jato, o Supremo Tribunal Federal (STF), Mídia e Milícias (entendido aí, o grupo diretamente ligado à eleição de Bolsonaro).

Todos eles tiveram papel central na era da ignomínia da democracia brasileira, uma mancha na história de cada um, com exceção obviamente das milícias, as vitoriosas.

Em outros tempos, a revisão histórica se daria após o fim do período de exceção, com justiça de transição, obras desnudando os personagens. E, em geral, cobrindo de vergonha apenas os descendentes dos principais personagens.

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