CÂMERAS NAS FARDAS, SOLUÇÃO CONTRA O GENOCÍDIO?

Mortes causadas por PMs caíram a zero, nos 18 batalhões paulistas onde foram instaladas.
Mas construir nova polícia exige muito mais. E, em outros países, providências semelhantes
criminalizaram a população, ao invés de protegê-la

Por João Pedro Soares, na DW Brasil

O Brasil registrou, em 2020, o maior patamar de letalidade policial já observado desde 2013, quando o Fórum Brasileiro de Segurança Pública começou a monitorar o indicador. Os agentes de segurança pública são responsáveis por 12,8% do total de mortes violentas no país. Em uma tentativa de mudar esse cenário, a Polícia Militar de São Paulo (PMESP) implementou recentemente o uso de câmeras nas fardas de 3 mil dos 85 mil agentes da tropa.

No mês de junho, quando a iniciativa Olho Vivo teve início, houve queda de 54% nas mortes por intervenção policial, em comparação com o mês anterior. Nenhuma morte foi registrada nos 18 batalhões que estão usando câmeras. Os resultados iniciais do projeto sinalizam uma alta eficácia da medida no controle da ação policial. Entretanto, experiências internacionais demonstram que o impacto da utilização de câmeras nos uniformes está condicionado a uma série de fatores.

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CORTINA DE SANGUE NO RIO

É assustador que parcela numerosa da sociedade aplauda a explosão de brutalidade

Por Cristina Serra

Na linguagem miliciana, foram 28 CPFs cancelados. Wilson Witzel já prometera atirar na “cabecinha”. Seu substituto deve ter achado pouco. Menos de uma semana após assumir definitivamente o cargo, Cláudio Castro disse a que veio. Sob sua autoridade, uma operação policial resultou no maior banho de sangue já visto no Rio de Janeiro.

O estado tem histórico tenebroso de chacinas impunes, tanto aquelas produzidas por grupos de extermínio formados por policiais como as que decorrem de ações oficiais, supostamente para combater o tráfico, como agora na favela do Jacarezinho, com 27 civis e um policial mortos.

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“VIDAS NEGRAS IMPORTAM. LÁ FORA, NÃO NO BRASIL”

DOCUMENTÁRIO “SEM DESCANSO”, DE BERNARD ATTAL. IMAGEM: DIVULGAÇÃO

Por Rodrigo Martins / Carta Capital

Geovane Mascarenhas Santana, de 22 anos, foi visto pela última vez em 2 de agosto de 2014, durante uma abordagem policial no subúrbio de Salvador. Uma câmera de segurança registrou o momento em que o jovem, conduzindo uma moto, foi parado e agredido por agentes das Rondas Especiais da Polícia Militar da Bahia. Depois de ser levado pela viatura, o rapaz desapareceu.

urandy Santana passou 13 dias procurando pistas sobre a localização do filho, até a Polícia Científica concluir a identificação de um corpo decapitado e carbonizado encontrado dias antes, em dois bairros distintos da capital baiana: a cabeça em Campinas de Pirajá e o tronco no Parque São Bartolomeu. Era Geovane. (Veja o trailer, abaixo)

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BRASIL: A CADA 2 HORAS UMA MULHER É ASSASSINADA

Em 2018, 68% das mulheres assassinadas no Brasil eram negras, segundo o Atlas da Violência 2020, estudo anual produzido pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que ganhou nova edição hoje.

De acordo com o levantamento, uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil —foram 4.519 mulheres assassinadas em 2018, um índice de 4,3 a cada 100 mil mulheres que moram no país.

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POR QUE ELE MATOU PAI, MÃE E FILHO?

Dionatha Bitencourt Vidaletti (Reprodução/Facebook)

Por Vinicius de Carvalho

Em Porto Alegre, um cara de 24 anos de idade matou uma família inteira com tiros na cabeça, pai, mãe e filho, por causa de uma discussão de trânsito.


O cara é um evangélico neopentecostal chamado Dionatha (a crise é acima de tudo estética, eu digo), idolatra coisas militares, fotos em motos, carros e, pesquisando suas redes sociais, adivinha em quem ele votou e fez campanha apaixonadamente?
Pois é.

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