BOLÍVIA, CHILE, BACURAU

Por Paulo Nogueira Batista Jr

O leitor ou leitora que está aí, invisível, inacessível, atrás da tela onde ora vou digitando essas palavras, esse leitor ou leitora haverá de compreender, de certo, que escrever se mostra cada vez mais difícil? Estou à beira de desistir. Mas retiro o ponto de interrogação. Não cabe a dúvida – ironicamente presente na expressão “de certo”. O leitor desta coluna compartilha comigo alguns valores, opiniões e – sobretudo – angústias. Quem vivencia o momento atual, no Brasil e no mundo, sem angústia, sem pelo menos uma ponta de angústia, dificilmente estaria lendo estas palavras neste momento.

E, no entanto, não quero exagerar e muito menos propagar desalento. Nem todas as notícias são ruins – pelo menos as que nos chegam do exterior. Ao contrário. No campo político, algumas têm sido até excelentes.

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AS SARDINHAS ITALIANAS

Neste último sábado, em Roma, mais de 100 mil pessoas caminharam cantando Bella Ciao, hino da resistência italiana e protestando contra a direita de Matteo Salvini e seu partido, Lega Nord

Por Miguel Paiva

Estava sentindo falta de ver a Itália protagonizando movimentos progressistas como os do fim do século passado. A esquerda e o centro esquerda se entendiam e o país caminhava para um compromisso histórico que mudaria todo o cenário italiano e europeu. 

Agora estou sabendo que o movimento Sardinhas, nome bem expressivo que simboliza o coletivo, sardinhas sozinhas são presas fáceis mas nadando em cardume são difíceis de parar, começa a ganhar corpo e a se tornar uma possibilidade de transformação real. Quatro jovens amigos de Bologna, entre eles Mattia Santori se juntaram movidos pela ameaça da direita vencer as eleições na Emilia- Romagna, região tradicionalmente de esquerda. 

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MST: EM 162 COOPERATIVAS PRODUZ DE ARROZ A SUCO DE UVA

Produção de arroz da Cootap no Rio Grande do Sul: cereal, agroecológico, se tornou um cartão de visita do movimento — Foto: Divulgação

Por Marcos de Moura e Souza/ Valor Econômico.

Com o passar dos anos, o MST se converteu em um movimento formado sobretudo por pequenos e médios proprietários de terra. São famílias que obtiveram suas áreas por meio da política de reforma agrária e que, assentadas, se dedicam à produção de alimentos.

Segundo Kelli, o MST tem hoje em suas hostes mais proprietários de terra do que trabalhadores sem terra. E isso trouxe demandas e visões novas ao movimento. “São cerca de 450 mil famílias assentadas ligadas ao MST em 88 mil hectares”, diz. Já o número de famílias sem terra ligadas ao movimento e que ainda estão acampadas pleiteando terra soma 90 mil, de acordo com ela.

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