NO NATAL, VACINE-SE CONTRA A DESESPERANÇA

Por Fernando Brito

O Natal poderia estar sendo o fecho de um tempo áspero e cruel que vivemos em 2020, mas parece o contrário, com o recrudescimento de todo o tempo ruim que marcou.

Na TV, ouço uma médica de UTI dizendo que, desde o início do ano vem tentando achar forças para enfrentar o medo e o trabalho pensando que, “é só mais um mês”.

E não foi, e não é e não será.

Mais que a provação, o que nos derrota são a angústia e o medo.

É viver o sobressalto de saber quem será o próximo – e falo dos próximos, mesmo, porque os distantes são aos milhares – a cair nesta maldita “gripezinha”, no dizer do imbecil que nos envergonha como país.

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CARTÃO DE NATAL

Que Cristo nasça em cada coração que se faz presépio (Unsplash/Annie Spratt)

Por Frei Betto

Feliz Natal a quem não planta corvos nas janelas da alma, nem embebe o coração de cicuta e ousa sair pelas ruas a transpirar bom humor.

Feliz Natal a quem cultiva ninhos de pássaros no beiral da utopia e coleciona no espírito as aquarelas do arco-íris. E a todos que trafegam pelas vias interiores e não temem as curvas abissais da oração.

Feliz Natal aos que reverenciam o silêncio como matéria-prima do amor e arrancam das cordas da dor melódicas esperanças. Também aos que se recostam em leitos de hortênsias e bordam, com os delicados fios dos sentimentos, alfombras de ternura.

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ESTADO DE S.PAULO ENDURECE A QUARENTENA NO NATAL E ANO NOVO E LIBERA APENAS SERVIÇOS ESSENCIAIS

Pessoas se aglomeram na Ladeira Porto Geral, em São Paulo, antes do Natal.AMANDA PEROBELLI / REUTERS

Por Beatriz Jucá /El País Brasil

Apenas serviços essenciais como farmácias, mercados e padarias poderão abrir nos dias 25 a 27 de dezembro e 1 a 3 de janeiro. Restaurantes, bares e comércio só terão autorização para delivery

O agravamento da pandemia do novo coronavírus levou o Estado de São Paulo, o mais populoso do Brasil, a aumentar as medidas de restrição entre o Natal e o Ano Novo. Nos dias 25 a 27 de dezembro e entre 1 e 3 de janeiro, grande parte do comércio voltará a fechar, com a liberação para o funcionamento apenas de serviços e atividades essenciais, como farmácias, mercados e padarias. Bares, lanchonetes e restaurantes só podem funcionar para delivery. Hotéis poderão receber hóspedes, mas aglomerações devem ser evitadas. A medida atinge as cerca de 46 milhões de pessoas que vivem no Estado, oficialmente classificado em uma fase mais branda do plano do governo paulista contra a covid-19, a amarela, para os dias não mencionados.

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CRÔNICA DE UM NATAL QUE AINDA VAI VOLTAR, por Luis Nassif

Passada a grande noite do pesadelo, em um ponto qualquer do futuro haverá um reencontro no Natal brasileiro. Há de cair a ficha do país

Minha família, pelo menos o círculo mais próximo, não pratica o discurso de ódio. Temos algumas diferenças, nenhuma no plano moral. Antes, julgava ser um padrão normal de família classe média brasileira. Hoje em dia, agradeço a Deus pelo presente. Tias, irmãs, filhos, netos, primos próximos, todos preservam os princípios morais dentro dos quais fomos educados.

Há dissidências em algumas tias e primos mais afastados, mas educação suficiente para não externar as divergências em reuniões familiares.

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POR QUE JESUS NUNCA DISSE QUE ERA DEUS, MAS O “FILHO DO HOMEM”?

Menino reza na Igreja do Santo Sepulcro, na Cidade Velha de Jerusalém.GALI TIBBON

O Jesus que tantos usam hoje como um pretexto do poder que humilha e discrimina os diferentes, sentiu a fragilidade de todos os humilhados

Por Juan Arias / El País

Um dos temas mais controversos sobre Jesus de Nazaré, cujo Natal o mundo cristão se prepara para celebrar, é se Jesus em algum momento afirmou ser Deus. Embora possa causar estranhamento, acostumados ao que a oficialidade da Igreja Católica considera como tal, a verdade é que ele nunca se definiu assim. Ele se denominava “filho do homem”, que, em aramaico, a língua que ele e seus apóstolos falavam, significa simplesmente homem, uma definição certamente tirada do profeta Enoque.

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E SE A POLÍTICA ESTIVER NA CEIA DE NATAL?

Muitos dos jovens que hoje julgam horrorizados os pais e tios acabarão por ficar iguaizinhos a eles

Por Joel Pinheiro da Fonseca

Como lidar com o tiozão reacionário no Natal

Não tenho nada contra quem defende o governo, seja qual for o motivo, com argumentos e alguma preocupação com os fatos. Tenho até amigos que são.

Mas é difícil aguentar quem apenas repete chavões do senso comum (“é tudo corrupto, tem que prender”) e vocifera amargurado contra “a esquerda”, “os comunistas”, “os vagabundos”, Paulo Freire ou outro bicho-papão. Com o Natal vindo aí, a ideia de conviver por horas a fio com um parente assim não anima ninguém.

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