ÀS VEZES SIMPLIFICAR AS COISAS AJUDA A ENTENDÊ-LAS MELHOR

“O prefeito não tem noção de ciência, mas diz que é melhor ignorar o vírus e continuar agindo como antes”

Era uma vez um vilarejo atingido por uma doença. Os sábios sabiam o que fazer para freiar o vírus. A maioria do vilarejo seguiu as orientações. Só o prefeito e seus seguidores trabalharam contra.

Por Philipp Lichterbeck / DW.

Às vezes imagino que vivemos num vilarejo com cerca de 500 habitantes. Um dia, chega a esse vilarejo uma nova doença viral, contra a qual não há medicamentos. O vírus ainda não foi estudado e se espalha pela localidade. Algumas pessoas ficam tão gravemente doentes que o pequeno hospital do vilarejo logo fica lotado, e cada vez mais pessoas morrem. Outros também adoecem, mas apresentam apenas sintomas leves. Somente com o tempo se percebe que eles também podem sofrer consequências de longo prazo.

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VOCÊ É NEGACIONISTA?

Por Luciana Rathsam*/Unicamp

Negacionismo na pandemia: a virulência da ignorância

Durante a pandemia do Covid-19, o negacionismo no Brasil tomou proporções alarmantes, manifestando-se na negação ou minimização da gravidade da doença, no boicote às medidas preventivas, na subnotificação dos dados epidemiológicos, na omissão de traçar estratégias nacionais de saúde, no incentivo a tratamentos terapêuticos sem validação científica e na tentativa de descredibilizar a vacina, entre outros exemplos. O negacionismo acentua incertezas, influencia na adesão da população aos protocolos de prevenção, compromete a resposta do país à pandemia e ameaça a democracia.

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O VÉIO APOSTA QUE NÃO PERDE NUNCA

Imagem: Reprodução

Por Moisés Mendes

O senador Humberto Costa fez as intervenções mais incisivas na CPI do Genocídio, quando do depoimento do véio da Havan.

Costa disse:

– O senhor é acusado de ser criminoso contumaz nessa pandemia.

E depois completou:

– O senhor Luciano Hang está rindo porque acham que a CPI não vai dar em nada, que é uma brincadeirinha. Vai dar, vai dar. Vai ter que responder no Ministério Público.

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MITO MITOMANÍACO

O pior negacionismoEugênio Bucci

Quando a autoridade máxima desta terra ardente vai à ONU e pronuncia tudo o que pronunciou, em nosso nome, e nada lhe acontece, é sinal de que alguém aqui abdicou da dignidade

Na ressaca do descalabro que foi o discurso do presidente brasileiro na abertura Assembleia Geral das Nações Unidas, na terça-feira, em Nova York, a gente se acabrunha. O grau do vexame extrapolou as piores expectativas. Em meio a mentiras ofensivas, distorções estúpidas e apologia de fármacos abstrusos, a saraivada de despautérios não convenceu a ninguém e constrangeu o mundo inteiro. Aos conterrâneos do orador – dito mito, mas, de fato, mitômano –, só restou engolir a humilhação. “Vergonha” – este foi o título do editorial do jornal O Estado de S. Paulo, em sua edição de 22 de setembro. Palavra bem aplicada.

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A DURADOURA E LIVRE SABOTAGEM A VACINAS NÃO VEIO (SÓ) DO NEGACIONISMO

Por Janio de Freitas

É bandidagem muito lucrativa, para a qual o autoritarismo e a intimidação servem, além do que lhes é próprio, de instrumento múltiplo

Por trás dos milhões de mortes, o desespero brasileiro pelas vacinas sabotadas. Por trás das duas imposições trágicas, uma fortíssima ação quadrilheira a causá-las e explorá-las. Jair Bolsonaro está em fuga, como o Lázaro nas matas de Goiás. Com a diferença de que centenas de policiais caçam um serial killer, e o outro tem a Polícia Federal sob controle e a favor também dos comparsas.

Aconteciam coisas nos três dias anteriores ao vazamento do tumor lancetado pelos irmãos Miranda. Atitudes disfarçadas, fora de sintonia com as circunstâncias e, no entanto, sugestivas de serem assim por intenção. Nenhuma resposta do vice Hamilton Mourão a Roberto D’Ávila, por exemplo, dispensou uma mensagem inexplícita, mas inequívoca. O homem calmo, “de direita em economia”, mas “não na vida em geral”, ao lado de Bolsonaro por lealdade. E “se o substituir” —o restante nem importa.

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