DE LUTERO AOS NEOPENTECOSTAIS: COMO OS EVANGÉLICOS ATRAEM TANTA GENTE?

Congresso na Igreja Avivamento da Fé (Fotos: Marcelo Hide/ Fotos Públicas)

Por Rafael Rodrigues da Costa* / Le Monde Diplomatique

No Brasil, a tese mais conhecida sobre o crescimento evangélico é, evidentemente, o neopentecostalismo, categoria sociológica criada para observar a “nova onda” que teria surgido no interior do movimento evangélico ao final do século XX, mas que ganha força sobretudo a partir dos anos 2000. Entre as suas características principais, estariam a “guerra espiritual”, a “teologia da prosperidade” e a forte presença nos meios de comunicação e na política partidária

Há quinhentos anos, o monge agostiniano Martinho Lutero era excomungado pela Igreja Católica. O episódio era a cena final de uma longa série de conflitos entre a hierarquia da igreja romana e um grupo de revoltosos alemães, que culminou na maior cisão do cristianismo ocidental, a chamada Reforma Protestante.

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UM ESPECTRO AMEAÇA O BRASIL: A PENTECOSTALIZAÇÃO

Estamos a um passo para a semiteocracia evangélica-pentecostal (Marcos Corrêa/PR)

Por Élio Gasda*

Laicidade e Estado de Direito são construções da modernidade. Um Estado é considerado laico quando promove oficialmente a separação entre Direito e Religião. A neutralidade do Estado em termos religiosos se estende ao sistema de justiça. O respeito à pluralidade das religiões impede que uma doutrina moral se imponha sobre toda a sociedade civil. Esse é o ideal de toda nação civilizada e pacífica.

Tornar real, no Brasil, esse projeto de modernidade é uma batalha diária. A presença da religião tem sido nociva desde a colonização, apesar da laicidade ser princípio constitucional desde 1891, reiterado na Carta Magna de 1988. Porém, com a chegada de Bolsonaro ao governo, o Estado vem privilegiando os setores evangélico-pentecostais.

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POR QUE A DIREITA DEPOSITA NA FAMÍLIA O DOM DE CIVILIZAR. Por Luiz Gonzaga Belluzzo

Postado por Blog do Valentin

As forças subterrâneas do inconsciente coletivo movem manifestações de insanidade gregária travestidas de ações da sociedade civil

Da Carta Capital

Uma das marcas registradas do pensamento conservador, o novo e o velho, é a convicção da bondade natural do indivíduo criado na família. Só a família torna o indivíduo capaz de discernir entre o justo e o injusto, o certo e o errado. A sociedade e as instituições, pelo contrário, são corruptas e corruptoras.

Não são outros os fundamentos da ideologia da direita brasileira. Atolada no neopentecostalismo, esse aglomerado está convencido da excepcionalidade de suas virtudes. Para essa turma, os compromissos típicos da democracia são obstáculos para a realização da “verdadeira justiça”, aquela que, desde a concepção, Deus gravou no coração dos homens. Deus acima de tudo!!!

As instituições da sociedade, sobretudo o Estado, com suas instâncias de controle, suas leis ambíguas e seus métodos de punição insuficientemente rigorosos, vão transformando a Justiça numa farsa, num procedimento burocrático e ineficaz.

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