O DESESPERO DA PIEDADE, Vinicius de Moraes

“Tende piedade, Senhor, das santas mulheres Dos meninos velhos, dos homens humilhados – sede enfim Piedoso com todos, que tudo merece piedade E se piedade vos sobrar, Senhor, tende piedade de mim! “

Autor Vinicius de Moraes (Vídeo Moacir Silveira)

Meu senhor, tende piedade dos que andam de bonde. E sonham no longo percurso com automóveis, apartamentos…Mas tende piedade também dos que andam de automóvel Quando enfrentam a cidade movediça de sonâmbulos, na direção.


Tende piedade das pequenas famílias suburbanas E em particular dos adolescentes que se embebedam de domingos Mas tende mais piedade ainda de dois elegantes que passam E sem saber inventam a doutrina do pão e da guilhotina.


Tende muita piedade do mocinho franzino, três cruzes, poeta Que só tem de seu as costeletas e a namorada pequenina Mas tende mais piedade ainda do impávido forte colosso do esporte E que se encaminha lutando, remando, nadando para a morte.


Tende imensa piedade dos músicos dos cafés e casas de chá Que são virtuoses da própria tristeza e solidão Mas tende piedade também dos que buscam o silêncio E súbito se abate sobre eles uma ária da Tosca.

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“AS PESSOAS NÃO DEBATEM CONTEÚDO, APENAS RÓTULOS…A MINHA ALMA TEM PRESSA” Por Mario de Andrade

Postado por Blog do Valentin]

Nós todos sabemos que a vida muitas vezes não é longa o suficiente para viver tanto quanto gostaríamos, mas muitas vezes, além disso, não somos capazes de valorizar o que temos, o que vemos, desperdiçamos tempo com coisas que não merecem, não porque sejam irrelevantes, mas porque nosso coração não está nelas.

Mário de Andrade nos deixa um lindo poema (O valioso tempo dos maduros), que nos mostra uma bela apreciação da vida, que se conseguirmos nos inspirar nele, podemos sem dúvida dar muito mais valor a cada segundo com esse presente que chamamos vida. Leia e reflita:

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SÓ SE PODE SER FELIZ SIMPLIFICANDO

Postado por Blog do Valentin

Só se pode ser feliz simplificando, simplificando sempre, arrancando, diminuindo, esmagando, reduzindo;

E a inteligência cria em volta de nós um mar imenso de ondas, de espumas, de destroços, no meio do qual somos depois o náufrago que se revolta, que se debate em vão, que não quer desaparecer sem estreitar de encontro ao peito qualquer coisa que anda longe: raio de sol em reflexo de estrelas.

E todos os astros moram lá no alto.

Florbela Espanca, in “Diário do Último Ano”

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SOB O CÉU DE PARIS…Édith Piaf (é permitido se emocionar)

 

Por Valentin Ferreira

A música como outras formas de manifestação da arte encontrou nesta canção e sua letra a exaltação da sensibilidade humana que muitas vezes se perde sob tantas coisas fúteis.

Ouvir e saborear a poesia de sua letra é mais que um enlevo. É poder voltar-se para dentro da alma e deixar explodir toda sua beleza que insistimos  em não mostrar. Por quê?

Nestes tempos sombrios* com seus homens e mulheres a buscar desesperadamente respostas para perguntas que sequer conseguimos fazer, deixar-se envolver pela poesia e sensibilidade de musicas como esta, é dar oportunidade para o transcendental, que  suavemente, faz nossos olhos voltarem-se  aos céus.

Se algumas lágrimas, desesperadamente, querer inundar seus olhos, não se sinta fraco, inútil. É o humano lutando pelo espaço perdido. É a fragilidade do nosso SER  abrindo espaço para o infinito poder falar. Dê oportunidade ao silencio. A sabedoria brotará  do chão sem piso, agora  umedecido pela força dos pingos que carregam o mistério de por vezes ser manifestação de tristeza, mas em outras, explosão da alegria.

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A MÚSICA E A POESIA DE VICTOR JARA

Postado por Valentin Ferreira

Do YouTube

Víctor Lidio Jara Martínez,foi um professordiretor de teatropoetacantorcompositormúsico e ativista político chileno.Nascido numa família de camponeses, Jara se tornou um reconhecido diretor de teatro, dedicando-se ao desenvolvimento da arte no país, dirigindo uma vasta gama de obras locais, assim como clássicos da cena mundial. Simultaneamente, desenvolveu uma carreira no campo da música, desempenhando um papel central entre os artistas neo-folclóricos que estabeleceram o movimento da Nueva Canción Chilena, que gerou uma revolução na música popular de seu país durante o governo de Salvador Allende. Também era professor, tendo lecionado Jornalismo na Universidade do Chile.

Logo após o golpe militar de 11 de setembro de 1973, Jara foi preso, torturado e fuzilado. Seu corpo foi abandonado na rua de uma favela de Santiago (Wikipédia)

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