O LUCRATIVO NEGÓCIO DAS FAKE NEWS

Alex Jones e seu programa Infowars: plataforma de disseminação de teorias extremistas da conspiração

Empreendedores ideológicos e disseminadores de teorias conspiratórias faturam com produtos que vão muito além das ideias malucas. Atividade é rica fonte de dinheiro para indivíduos e organizações que disseminam mentiras.

Por Deutsche Welle

Toda propaganda é, em certo sentido, uma forma de falsificação. Mas, se antes a mensagem provavelmente tinha algo palpável para vender – um carro ou um hambúrguer, talvez –, hoje a mensagem em si costuma ser o produto. “A fonte de valor é o trabalho realizado pela audiência – afinal, esta é a atividade que produz a atenção do público, que é o bem que está sendo vendido”, diz Zoe Sherman, professora da faculdade de economia do Merrimack College.

Continue Lendo

FÉ, DOM POLITICAMENTE ENCARNADO. Por Frei Betto

Imagem: Reprodução

Frei Betto

“Não há nada mais político do que afirmar que a religião nada tem a ver com a política”, disse o bispo sul‑africano Des­mond Tutu. Na América Latina, não se pode separar fé, polí­tica e ideologia, assim como não seria possível fazê‑lo na Palestina do século I. Na terra de Jesus, quem detinha o poder político detinha também o poder religioso. E vice‑versa.

Talvez soasse estranho hoje a certos ouvidos religiosos introduzir a leitura do Evangelho falando de Trump, Macron ou Putin. No entanto, ao introduzir‑nos nos relatos da prática de Jesus, Lucas primeiro nos situa no contexto político, informando‑nos que “já fazia quinze anos que Tibério era imperador romano. Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes governava a Galileia e seu irmão Filipe, a região da Ituréia e Traconites. Lisânias era governador de Abilene. Anãs e Caifás eram os presidentes dos sacerdotes” (3, 1‑2).

Continue Lendo

UM ESPECTRO AMEAÇA O BRASIL: A PENTECOSTALIZAÇÃO

Estamos a um passo para a semiteocracia evangélica-pentecostal (Marcos Corrêa/PR)

Por Élio Gasda*

Laicidade e Estado de Direito são construções da modernidade. Um Estado é considerado laico quando promove oficialmente a separação entre Direito e Religião. A neutralidade do Estado em termos religiosos se estende ao sistema de justiça. O respeito à pluralidade das religiões impede que uma doutrina moral se imponha sobre toda a sociedade civil. Esse é o ideal de toda nação civilizada e pacífica.

Tornar real, no Brasil, esse projeto de modernidade é uma batalha diária. A presença da religião tem sido nociva desde a colonização, apesar da laicidade ser princípio constitucional desde 1891, reiterado na Carta Magna de 1988. Porém, com a chegada de Bolsonaro ao governo, o Estado vem privilegiando os setores evangélico-pentecostais.

Continue Lendo

O ESTADO DE EXCESSÃO E A IMPUNIDADE DE REBANHO

Ao desejar a imunidade de rebanho da população como tentativa de “renormalização” da economia, impôs-se uma forma de governo baseada na impunidade em rebanho daqueles que servem febrilmente ao presidente

Por Bruno Xavier Martins(*)

A resposta política do governo Bolsonaro à crise deflagrada pelo coronavírus tem vindo das mais variadas formas. Em todas elas, porém, através do ataque às instituições, desprezo ao conhecimento científico, desrespeito às diretrizes dos órgãos de saúde internacionais e criminosa negligência à saúde da população, em especial a dos mais velhos e das populações vulneráveis.

Bolsonaro vem demonstrando a intenção de encontrar uma saída para a crise atual a partir do pânico, criando um espaço político caótico e, assim, cavando possibilidades para o surgimento de “uma forma legal daquilo que não pode ter forma legal”. Nas palavras de Giorgio Agamben, o estado de exceção1.

Continue Lendo