POR QUE OS DITADORES E TIRANOS ENCHEM A BOCA FALANDO DE “POVO” ?

Presidente Jair Bolsonaro acena para apoiadores em Brasília, no dia 5 de abril. ERALDO PERES / AP (*)

Para eles, o povo é formado pelos mais incultos, pelos mais pobres, pelos que ficam sempre à margem das pessoas que detêm o poder e decidem o que é melhor para eles. Eles não precisam pensar. O tirano pensa por eles.

Por Juan Arias / El País Brasil

Não deve ser uma casualidade que os ditadores e tiranos adorem falar de “povo”. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro sempre se refere ao povo. Dias atrás, disse a seus seguidores que está “aguardando o povo dar uma sinalização” para tomar decisões.

Quem é esse povo ao qual os ditadores sempre se referem? Em suas bocas, “povo” soa como um rebanho que segue fielmente as ordens do déspota. É a massa que obedece às cegas as ordens do tirano de plantão que a hipnotiza para torná-la objeto passivo de seus caprichos.

Para eles, o povo é formado pelos mais incultos, pelos mais pobres, pelos que ficam sempre à margem das pessoas que detêm o poder e decidem o que é melhor para eles. Eles não precisam pensar. O tirano pensa por eles.

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A PORÇÃO PERVERSA DA ALMA DO POVO

Por Pepe Damasco

As pessoas estão perdendo filhos, pais, mães, avós, tios, primos e amigos, vítimas de mortes evitáveis em muitos casos, se não estivéssemos sob um governo que cultua a morte.

Mas, estranhamente, a defesa do bem mais precioso de qualquer ser humano, a vida, não é motivo suficiente para uma revolta da vacina às avessas. E 200 mil mortos são três Maracanãs lotados.

Essa tragédia sem precedentes na história não é suficiente para que os brasileiros e brasileiras cerquem o Palácio do Planalto, pelo menos virtualmente , e exijam vacina imediatamente, além da saída do genocida que ocupa a cadeira presidencial.

Desnecessário entrar em detalhes acerca do papel nefasto da longa dominação de 520 anos da Casa Grande para o baixo nível de consciência política da nossa gente.

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O PARADOXO DO POVO

Por Leandro Fortes

Foi o povo – não a mídia, nem os setores reacionários da burguesia nacional – que derrotou as candidaturas de esquerda que conseguiram, aos trancos e barrancos, chegar ao segundo turno das eleições municipais.

O povo, o povão, a plebe, as classes oprimidas das periferias dos grandes centros urbanos: Rio, São Paulo, Recife, Porto Alegre. Sem falar em praças menores, mas não menos importantes, como São Gonçalo, no Rio de Janeiro; e Feira de Santana e Vitória da Conquista, na Bahia.

Qualquer tentativa de romantizar essas derrotas como sementes de vitórias que virão cairá, inevitavelmente, naquele vão da História onde vivem o inútil e o ridículo.

A derrota é um aprendizado duro, a ser vivido em todo o seu amargor. A derrota exige vingança, não poesia.

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ELITE BRASILEIRA COSTUMA ACHAR QUE É DEMOCRATA, MAS NÃO GOSTA DE POVO

Postado por Blog do Valentin

O silêncio das pesquisas de opinião esconde o verdadeiro Brasil sob o disfarce bolsonarista

Por Marcos Coimbra 

Alguém se lembra de quantas pesquisas nacionais de opinião foram publicadas em outubro? E nos últimos três meses? E do início do ano para cá?

Com alguma boa vontade, chegamos a um número próximo a dez pesquisas tecnicamente defensáveis desde janeiro, léguas abaixo do padrão internacional e aquém daquilo que o tamanho e a complexidade do País justificariam.

Nos Estados Unidos, apenas em outubro, foram publicadas 85 pesquisas de âmbito nacional a respeito de Donald Trump. Se excluirmos os resultados de tracking polls, restam 41 pesquisas convencionais, como aquelas que fazemos no Brasil. Os principais veículos de comunicação encomendaram oito, em uma média de duas por semana. Sete universidades promoveram as suas, assim como fundações privadas e consultorias. Empresas tradicionais de pesquisa realizaram várias.

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POR UMA ESQUERDA QUE DISPUTE O IMAGINÁRIO

Postado por Blog do Valentin

É preciso enfrentar o neoliberalismo onde ele foi mais fundo: a construção da subjetividade egoísta, ultracompetitiva, insensível ao outro e ao mundo. Árdua, e frequentemente abandonada, esta luta é possível, e há pistas de como fazê-la.

Por Christine Berry / Outras palavras.

“A economia é o método: o objetivo é transformar o espírito”. Entender o porquê de Margaret Thatcher ter dito isso é fundamental para compreender o projeto neoliberal — e como devemos caminhar para além dele. Um artigo de Carys Hughes e Jim Cranshaw propõe um desafio crucial para a esquerda com respeito a essa questão. É muito mais fácil contar para nós mesmos uma historinha sobre o longo reinado do neoliberalismo, povoada unicamente por elites onipotentes que impõem sua vontade sobre as massas oprimidas. É muito mais difícil enfrentar com seriedade as maneiras pelas quais o neoliberalismo criou o consentimento popular para levar a cabo suas políticas.

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