OS FILHOS DE PORTEIROS QUE CHEGARAM À UNIVERSIDADE TÊM ORGULHO QUE O MINISTRO PAULO GUEDES IGNORA

Danilo, Ricardo, Heloisa, Gabriela, Luiz, Thais e Cristiane: todos filhos orgulhosos de porteiros que conseguiram cursar uma faculdade.

Jovens de baixa renda se beneficiaram de programas de inclusão recentes para estudar. O ministro da Economia, de elite abastada, também foi bolsista do CNPq. Seu comentário sobre o filho do seu porteiro feriu brasileiros que têm no Prouni a única janela para mudar seu destino

Por Gil Alessi e Regiani Oliveira /m El País Brasil

“Tu se acha melhor que todo mundo. Que tu é superior a todo mundo”, diz a personagem Val, uma empregada doméstica interpretada por Regina Casé no filme Que horas ela volta? (2015). Jéssica (Camila Vardilla), sua filha que resolve prestar vestibular, então responde: “Eu não me acho melhor não, Val. Só não me acho pior”. A personagem Jéssica se tornou símbolo de uma geração de jovens brasileiros de origem pobre que nos últimos anos correu atrás de um sonho: ingressar em um curso universitário. Políticas sociais na área da educação, elaboradas para reverter um quadro secular de exclusão e desigualdade, contribuíram para facilitar o acesso de filhos de pretos e pobres a espaços até então reservados para uma elite branca.

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DAMARES ESTÁ PARA AS MULHERES COMO SÉRGIO CAMARGO ESTÁ PARA AS PESSOAS NEGRAS

Fisólofa e Escritora Djamila Ribeiro – Imagem Reprodução

Por Djamila Ribeiro

A última quarta-feira (25) foi o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher. Em vários países foi uma data para a conscientização acerca de uma estrutura patriarcal que organiza a sociedade global.

Como feministas negras, defendemos a intersecção da opressão patriarcal com o racismo e o capitalismo, combinando formas de exclusão que devem ser combatidas com políticas públicas, entre outras formas.

Ao redor do mundo, foi uma data para anúncio de algumas dessas políticas e debates sobre o tema. Mas no Brasil foi dia da dita ministra da pasta da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos fazer um bolo vestindo-se dos pés à cabeça de rosa em uma cozinha rosa.

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“O QUE MAIS PREOCUPA É O SILÊNCIO DOS BONS” (Martin Luther King)

FOTO: ROVENA ROSA

Por Elisiane Santos

O genocídio de crianças, adolescentes e jovens negros não admite silêncio

Segundo a Convenção da ONU para prevenção e repressão aos crimes de genocídio (1948), ratificada pelo Estado brasileiro e vigente no país desde 1952, entende-se como tal atos cometidos com a intenção de destruir no todo ou em parte um grupo nacional étnico, racial, ou religioso, a exemplo de assassinatos ou dano grave à integridade física ou mental de membros do grupo (artigo II). A Convenção estabelece que serão punidos, além do genocídio, o conluio para tais práticas, a incitação direta e pública, a tentativa e cumplicidade (artigo III). E diz que serão punidas as pessoas que cometerem tais práticas, sejam governantes, funcionários ou particulares (artigo IV). Além disso, os Estados reconhecem o genocídio como um crime internacional contra a humanidade.

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CUIDADO: O RESULTADO DAS PESQUISAS REVELA ALGO TREMENDO

O ÓDIO COMO ARMA POLÍTICA

Por Eric Nepomuceno

Há quatro anos, numa noite de dezembro de 2015, um grupo de cinco amigos saiu de um restaurante no Leblon. E um dos integrantes do grupo, Chico Buarque de Hollanda, foi alvo de ofensas e agressões verbais por parte de um grupo de homens jovens cuja profissão é ser filho de pai rico.

Naquela ocasião, escrevi que a direita tinha saído do armário. Mais: um armário embutido. E que como sempre ocorre com quem viveu a opressão do disfarce ininterrupto, ao sair do armário e se assumir como tal essa direita vinha com uma fúria sem limites.

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